Divergência sobre CPI abre crise entre DEM e PSDB | Fábio Campana

Divergência sobre CPI abre crise entre DEM e PSDB

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Rompeu-se a unidade de tucanos e ‘demos’ na ação legislativa. Os dois maiores opositores de Lula já não falam a mesma língua. As relações entre PSDB e DEM vêm se esgarçando há tempos.

Os arranhões converteram-se em ferida exposta na última quinta (14). No atacado, puseram-se de acordo em relação à CPI da Petrobras. No varejo, conduziram no Senado estratégias bem diferentes.

Com a tropa dividida, o DEM referendou o acordo que adiava a CPI. Topou ouvir a Petrobras antes de deliberar sobre a investigação. Lanças em punho, o PSDB vetou o acerto. E pôs de pé a CPI.

José Agripino Maia e Arthur Virgílio não se falam faz quatro dias. Antes, eram vistos como unha e cutícula. Agora, nem tanto. Em privado, o líder do DEM tachou a reação tucana de “juvenil”.

Comparecera à reunião que resultou no acordo com procuração do PSDB. Virgílio o autorizara a falar em seu nome no colégio de líderes. Comunicado acerca do resultado, o líder tucano reagira bem. Depois, Virgílio foi empurrado para o dissenso por sua bancada.

Os líderes do DEM e do PSDB sabem que tem contas a ajustar.Mas intuem que o tema, por delicado, exige o olho no olho.Por isso recusam a conveniência de uma conversa telefônica. Agripino passa o final de semana em Natal (RN). Virgílio aproveita a folga para visitar áreas alagadas do Amazonas. Prevêem para terça (19), em Brasília, o desbaste das arestas.

O mais provável é que a conversa resulte em panos quentes. PSDB e DEM tem encontro marcado na sucessão presidencial de 2010. Por isso, convém a ambos mandar para baixo do tapete as divergências.
Mas o tapete ficou pequeno. Pedaços das diferenças estão expostas ao redor. Começaram a vazar pelas bordas na já remota batalha da CPMF.

Os ‘demos’ trazem atravessada na traquéia um quase-recuo dos tucanos.

Na madrugada que antecedeu a votação, o PSDB acertara-se com o governo.

Depois, num diálogo com o travesseiro, Virgílio se deu conta do inusitado do gesto.

Rememorou os compromissos que assumira em meses de articulação.

Teve de acenar com a renúncia à liderança para devolver ao partido o ânimo anti-CPMF.

Depois, sobrevieram os desacertos regionais.

Juntos no projeto de poder nacional, ‘demos’ e tucanos divergem em vários Estados.

Há duas semanas, postaram-se em lados opostos na votação de uma MP.

A medida provisória embutia um plano de refinanciamento de débitos tributários.

Foi aprovada. Virgílio encaminhou contra. Agripino, a favor, junto com o governo.

No caso da CPI da Petrobras, o Planalto tentou tirar proveito da divisão dos rivais.

Na noite de quinta (14), um operador de Lula tocou o telefone para Agripino.

Consultou-o sobre a hipótese de o DEM pular fora do requerimento de CPI.

Agripino refutou a hipótese. “A chance de retirarmos as assinaturas é zero”.

No dia seguinte, o Planalto pôs-se a assediar diretamente os senadores ‘demos’.

Agripino, a despeito do pé atrás em relação ao tucanato, ergueu barricadas.

Segurou duas defecções. Perdeu uma assinatura, a de Adelmir Santana (DEM-DF).

Mantida a CPI, a cúpula do PSDB dirige palavras de “afeto” a Agripino.

Elogiam-lhe a fidelidade. Enaltecem-lhe a tenacidade.

Nos próximos dias, os dois lados devem desfraldar a bandeira branca.

O projeto de 2010 condena-os à convivência. Porém…

Porém, permanecerão juntos por conveniência, não mais por convicção.


5 comentários

  1. Milene
    domingo, 17 de maio de 2009 – 12:31 hs

    Tolice!! A convicção quanto aos fins continua. O que pode ter mudado é a convicção quanto aos meios – nada de grave!!

    PROVÉRBIO ÁRABE

    Não digas tudo o que sabes,
    Não faças tudo o que podes,
    Não acredites em tudo o que ouves (ou lês),
    Não gastes o que não tens,

    Porque…

    Quem diz tudo o que sabe,
    Quem faz tudo o que pode,
    Quem acredita em tudo o que ouve (ou lê),
    Quem gasta tudo o que tem,

    Muitas vezes…

    Diz o que não convém,
    Faz o que não deve,
    Julga o que não vê e
    Gasta o que não pode.

  2. V.Lemainski-Cascavel
    domingo, 17 de maio de 2009 – 14:37 hs

    Briga de vaidades. Teatrinho para disfarçar a fumada que deram no (des)governo emPACado. E o Lula nas Arábias. Ali-ba-ba.

  3. CARLINHOS
    segunda-feira, 18 de maio de 2009 – 9:42 hs

    esta CPI da Petrobrás, nada mais é do que buscar desviar o foco dos desvios de dinheiro e caixa dois nos governos do PSDB em São Paulo e Rio Grande do Sul que casinha comprou dona Yeda no Sul R$ 400.000.00 dinheiro de caixa dois. estes partidos não aprovaram as CPIs em suas respectivas assembléias legislativas para não apurarem as sacanagens.
    como a revista VEJA não tem interesse em prejudicar o PSDB, não publicaram nem uma linha sobre estes escandalos.

    dona VEJA está se fazendo de céga.

  4. SYLVIO SEBASTIANI
    segunda-feira, 18 de maio de 2009 – 18:31 hs

    A CPI da Petrobras é importante e necessária para tirar dúvidas até do Tribunal de Contas da União que encontrou irregularidades em contratos de construçãp de novas plataformas maritimas.Da Policia Federal sobre um esquema de privilegiamento na distribuição de royalties. É importante, pois a Petrobras tem 700 mil acionistas, e a Constituição preve em seu artigo 70 , que a fiscalização é exercida pelo Congresso Nacional. Agora quanto ao Partido Democrata, talvez eles tenham algum Diretor na Petrobra e ficam inibidos de participar desta CPI.

  5. SEM BOLSA ESMOLA
    terça-feira, 19 de maio de 2009 – 15:18 hs

    p/ o PAULISTA PESTISTA QUE CHAMA DE GARNIZÈ AMAZÔNICO O GRANDE LÌDER DO PSDB ARTHUR VIRGÌLIO, ELE MOSTROU O TAMANHO DA ESPORA. COM CERTEZA VAI ARRANCAR FIAPOS DAS CALÇAS DO LULA NESSA CPI, PARABÈNS AO PSDB E AO SENADOR ALVARO DIAS..

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