Romanelli, Veneri e a guerra das borboletas | Fábio Campana

Romanelli, Veneri e a guerra das borboletas

romanelli

O deputado Luiz Cláudio Romanelli (foto) respondeu em discurso as críticas que recebeu de Tadeu Veneri. Ironizou a colocação do adversário sobre a psicanálise. Disse que se para Veneri e o PT é difícil entender Freud e Marx, ele os deixaria com Vítor e Léo, uma dupla de sucesso, que na música “Borboletas” diz o seguinte: “não sei o que mudou, mas nada está igual, numa noite estranha a gente se estranha e fica mal”.

Ora, pois, Romanelli quis dizer a Tadeu Veneri e ao PT que o PMDB não aceita o papel de último a ficar sabendo das negociações que o PT faz com Osmar Dias, do PDT.

Para ler a íntegra do discurso destampatório de Romanelli, clique no Leia Mais.

“Em função da intervenção do deputado Tadeu Veneri, ocupo a tribuna para poder, de forma pública, manifestar o que disse nos últimos dias a respeito da postura de alguns dirigentes do PT.

Deputado Tadeu Veneri, vossa excelência sabe generalizar uma declaração que pontuei em relação à conduta de algumas pessoas. É uma forma desleal de tratar um debate que os nossos partidos PMDB e PT precisam travar.

Quero dizer que, muitos da bancada do PT sabem muito bem, o quanto tenho defendido o PT e o governo do presidente Lula, poucos aqui defendem as políticas que são desenvolvidas e a postura política do presidente Lula e do PT, muitas vezes aqui quem defendeu o PT fui eu. Eu tenho sim história para poder falar e criticar esse ou aquele dirigente do PT que, no Estado do Paraná, por conta de conveniências em relação a um processo eleitoral, acabam ultrapassando aquilo que, na minha avaliação, é o limite do que deve ser a convivência democrática e fraterna entre nossos partidos.

Já que vossa excelência não gosta de psicanálise, renega Freud e Marx para analisar a questão política, vamos falar de uma dupla do momento, do Vitor e Léo, na sua música “Borboletas”. Diz o seguinte: “não sei o que mudou, mas nada está igual, numa noite estranha a gente se estranha e fica mal”.

Digo isso porque quando nos do PMDB questionamos o movimento feito pelo PT e digo quem fez o movimento – o ministro Paulo Bernardo, a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e tem mais um deputado federal que não vou citar o nome. Qual foi o movimento? Apoiar a candidatura do senador Osmar Dias ao governo do estado.

No sábado de manhã travamos um diálogo numa rádio. O senador Osmar Dias em Curitiba e eu na 104 FM em Cornélio Procópio discutimos o tema. Ele disse para eu explicar porque estou brabo do PT querer apoiá-lo na sua candidatura ao governo do estado. Foi isso que ele disse.

Não estou bravo com o PT. O senador Osmar Dias, como disse outro dia o vice-governador Orlando Pessuti, ele está dentro da mesma árvore genealógica, nasceu no MDB, como o Álvaro Dias, Roberto Requião, como tantos aqui que estão nesta Casa, como o Beto Richa. E não tenho o Beto Richa como inimigo público. Sempre mantivemos com o Beto Richa um relacionamento respeitoso. E vou tirar tantas quantas fotos eu quiser com o Beto Richa. Entendo que temos que ter o relacionamento republicano. Eu me orgulho da foto que tenho com o presidente Lula lá na minha sala.

O que questiono é o movimento que o PT fez no sentido de articular uma candidatura do senador Osmar Dias para dar um palanque forte para a ministra Dilma aqui no Estado do Paraná e não nos comunicou.

O PMDB e o PT tem, no Paraná, uma aliança política que integra a Base do nosso governo nesta Casa, e com absoluta lealdade, como integra o nosso governo.

Deputado Tadeu Veneri, Vossa Excelência devia ler menos os blogs que fazem as intrigas e ouvir mais as minhas declarações que dou nas rádios. Porque, em momento algum, disse que os petistas tinham que deixar os cargos que ocupam no Governo. Ao contrário, tenho elogiado o desempenho de Ligia, o Ênio, do Bianchini, entre tantos outros companheiros que tem dado aporte intelectual e administrativo ao nosso Governo. Mas não posso deixar de manifestar o meu inconformismo em relação à postura do PT.

Sinceramente, se fizesse o PMDB diferente disso. Ouvimos a manifestação a favor do Osmar Dias pela voz do presidente Lula. Ao mesmo tempo a ministra Dilma vem ao Paraná e procura o governador Roberto Requião. Sabemos que as coisas na política estão muito impostas, ou seja, o senador Osmar Dias é do PDT, que integra a base do presidente Lula, vai ser candidato a governador, e o PT quer ele para ter um palanque forte. Por outro lado o PMDB decidiu de pré-lançar o nome do vice-governador Orlando Pessuti e o PSDB tem dois pré-candidatos o senador Álvaro Dias e Beto Richa.

O que questionamos é em relação à postura de dirigentes. Eu conheço o PT, no interior do Estado do Paraná, melhor que muito dirigente petista. E o PT é um partido que tem conosco uma profunda identidade.

Entendo que a política tem que ser discutida face a face. O movimento do PT em favor do Osmar Dias é legítimo, desde que o PT diga, formalmente, tem que chamar o PMDB e dizer que quer construir uma aliança diferente para 2010. dizer que vão apoiar o senador Osmar Dias. Isso não pode ser visto pela coluna do Celso Nascimento. Nem pelas notas políticas da Kátia Chagas, na Gazeta do Povo nem da Elizabeth Castro ou da Roseli Abrão, no Estado do Paraná e no Hora H.

Digo isso no sentido de que um partido político não pode ser informado dos movimentos de um partido aliado pelas notas políticas das principais colunistas do Estado do Paraná, um partido político que tem relacionamento formal com outro. E aí, sei que Vossa Excelência também não vai gostar, provavelmente vai reagir contra, mas é mais ou menos como um relacionamento conjugal. Estamos casados com o PT no Paraná e de repente o PT ou alguns dirigentes do PT estabelecem um relacionamento fora do casamento político que tem, sem comunicar: “olha, vou sair de casa, não quero mais saber, to fora, nós não dividimos mais nossas despesas, nossas escovas de dentes não ficarão mais juntas”.

Quero dizer o seguinte, deputado Tadeu Veneri, certamente vossa excelência reflete um pensamento comum de muitos dos militantes petistas. Primeiro, o seguinte, não leia nos blogs aquilo que são intrigas. As posições são claras, objetivas e o PMDB do Paraná quer, na verdade, que vossas excelências, que o PT retome, através de seus dirigentes, da sua Bancada Estadual, do seu quadro de militantes, um relacionamento fraterno e respeitoso que sempre tivemos, no sentido de que isso possa ser traduzido não em declarações muitas vezes, na minha avaliação, não politicamente corretas da presidenta do partido.

O governador Roberto Requião, outro dia, recebeu o governador Serra no Palácio Iguaçu. O governador Serra veio participar do Seminário sobre a crise. Ora! O governador Serra é muito bem vindo ao estado do Paraná, aliás, vi nas pesquisas de intenção de voto que ele tem um grande apoio eleitoral no Estado do Paraná, que surpreende, até, quando se vê os índices no nosso Estado, especificamente.

Então vejam, não é por receber um governador de um estado com quem temos um relacionamento – e um relacionamento importante – no caso, uma discussão sobre um tema tributário e outros sobre um tema que é importantíssimo, sobre a crise, que pode gerar uma crise ou estas declarações.

Eu entendo que o partido, no Estado do Paraná, até a era em que ele era dirigido pelo deputado federal André Vargas, nós sabemos claramente qual a posição do PT. E às vezes com grandes divergências. Nós tínhamos um interlocutor com clareza, em termos daquilo que pretendia o PT. Hoje não temos conseguido promover este diálogo. E eu espero que naturalmente esta pequena crise conjugal que estamos vivendo possa servir para poder, de fato, aquecer nosso relacionamento e fazer com que possamos retomar o entendimento, o diálogo, fazemos autocrítica naquilo que devamos fazer. Mas, retomar o diálogo necessário. E até se for para se ter um desfazimento desta relação, que ela se faça de uma forma que nós possamos, claro, sempre nos respeitar publicamente e também nas nossas relações pessoais.

Da minha parte, não tenho dúvida, expresso minha posição não como Líder do Governo, mas como dirigente do meu partido, o PMDB, que tem história, que fala através do seu presidente, deputado Waldyr Pugliesi, mas que indiscutivelmente não tenho dúvidas de que reflito um posicionamento e um pensamento da maioria do nosso partido.”


13 comentários

  1. MARI
    segunda-feira, 6 de abril de 2009 – 23:37 hs

    Fábio…faltou concluir a música!

    “Você tenta provar que tudo em nós morreu
    Borboletas sempre voltam
    E o seu jardim sou eu”…

    Mas eu diria a ele um trechinho da ‘LUZES DA RIBALTA” Vidas que se acabam a sorrir
    Luzes que se apagam, nada mais
    É sonhar em vão tentar aos outros iludir
    Se o que se foi pra nós
    Não voltará jamais
    Para que chorar o que passou
    Lamentar perdidas ilusões
    Se o ideal que sempre nos acalentou
    Renascerá em outros corações…

    E pra acabar…Eles se merecem!

  2. quem?
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 5:11 hs

    Quem é que vota em um imbecil desses, quem?

  3. Pessoa
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 5:18 hs

    Romanelli fala em Blogs que fazem intrigas?
    Mostrar a verdade é intrigas?
    Fala sério Romanelli!

  4. Vigilante do Portão
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 6:06 hs

    Ta na gazetona de hoje: Governo estadual diz que não tem mais dinheiro para transporte de alunos.
    Qaundo foi para comprar os ônibus sobrou grana. Campana, conte para os leitores, foi a Cequipel quem vendeu os coletivos que estão na frente do Palácio?

  5. Paulo de Castro Jr
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 8:28 hs

    Como vem afirmando o Blogue do jornalista Ricardo Rodrigues, desde agosto do ano passado, de que o PT estaria com os dias contados na equipe de Governo de Roberto Requião a partir de abril deste ano, tudo leva a crer que o fim do matrimônio já bate às portas.
    Esta fala de Romanelli é um recado bem claro que o casamento acabou. E que ninguém surpreenda se o PMDB de Requião vier a casar com o PDT de Osmar Dias, tendo o PSDB de Beto e Alvaro, como padrinhos. E, claro, Alexandre Curi, como “daminho” das alianças, no caso, vice. Aliás, Ricardo Rodrigues também prevê, pela movimentação de bastidores, que o próprio Requião poderá ser o vice de Serra. O vestido de noiva que está sendo costurado por Michel Temer, Oreste Quércia, Paulo Renato, José Anibal e Euclides Scalco. Os pontos estão sendo cingidos pelo tucano Serra e pelo governador Requião. Quem viver verá!

  6. R.M.B
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 9:09 hs

    Veneri e Romanelli, isso não é guerra das borboletas e sem guerra de mafiosos!!!!!!!!!!!!!!
    E o mediador desta guerra é ROBERTO REQUIÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  7. Adilson
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 10:09 hs

    Quando esse pessoal vai fazer algo de bom pelo POVO Paranaense? Quando que o nosso voto vai realmente valer a pena? Será que terá valor o nosso voto quando não for obrigatorio? Tentamos votar no menos pior,mas quando junta com a corja, ficam todos no mesmo nivel,infelizmente para pior…
    É uma perca de tempo,dinheiro e voto, e ainda são pagos com o nosso suado dinheiro e não trabalham para nos………E ainda teem a coragem de fazer propaganda politica (GRATUITA), na TV mostrando coisa que a população sabe que não esta acontecendo e o pouco que fazem, esse pouco ainda deixa mto a desejar…….São eleitos p/ trabalhar e ficam de palhaçadas com briguinhas bobas que nem crianças fazem mais, e a população fica a ver navios, ou melhor no porto de Paranaguá quase nem isso se ve mais………

  8. Celso
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 11:00 hs

    Me dá enjôo ouvir o Romanelli falar. E olha que não sou só eu, é todo mundo!

  9. MARI
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 11:11 hs

    DESCULPE FÁBIO…MAS É PERTINENTE!

    Pois é, gente boa, a coisa está realmente feia. E haja paciência para aturar a excitação de muitos, a agressividade de outros, o desejo de vingança de alguns, a memória persecutória de tantos mais, não bastasse a discussão ainda mais rápida das eleições, que ainda nem chegaram,entre candidatos e partidos. Agora andam viajando forte também nas tais “alianças” que os candidatos se esforçam por fechar. Mas, ora, eles capricham no mau gosto e dão motivos. Parece que vale tudo para vencer e neste momento ninguém anda podendo usar na lapela a tal de ética, pois estão ignorando a dita cuja com a maior cara de pau e ainda justificam seus encontros secretos, e outros nem tanto, no afã de vencer as próximas eleições.Que cada um faça a defesa de quem quiser, mas que não falem besteiras, parece que os dois lados não estão preocupados com a “ética”..Exageram muitas vezes ao criticar um ou outro… escorregando em argumentações que não têm nada haver com o interesse da sociedade, e pior, usam a tribuna da assembléia legislativa para lavar roupa suja, como se a tribuna fosse um tanque de roupa. Por exemplo, alguns petistas pisaram na bola, é indiscutível, decepcionaram os milhões de eleitores que neles confiaram passando uma péssima impressão que se reflete, por último, no próprio governo, o que é indefensável, sem dúvida. Mancharam feio a ética defendida pelo PT. Agora, levanta-se o “garotinho de recados da Gleisi Hoffamann”, para falar de “lealdade”! Por um acaso, foram leais com seus príncípios éticos e morais para com a sociedade paranaense?Até aí, tudo certo, merecem as ferozes críticas que ainda estão a receber. Se nós, como povo e eleitores, não primarmos pela seriedade, se seguirmos a trilha do desrespeito, da irresponsabilidade, de uma crítica que nada constrói , como querermos posar de fiscalizadores de quem quer que seja?Este tiroteio político a que temos assistido, pautado num nível desanimador de palavras, chegando muitas das vezes a ser ofensivo, não se justifica. Eu lamento, sinceramente, não é por aí … Só ficam a dar péssimos exemplos como políticos..Acho que temos questões mais relevantes para se debater e discutir..tudo por uma sociedade mais justa!

  10. Geraldo
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 11:34 hs

    O Roubanelli é o deputado BBB (Bundão, bobão e babacão)

  11. Cidadão
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 13:08 hs

    E eu pagando imposto pra ficarem discutindo no meio do expediente da assembléia quem vai coligar com quem, cantando música, etc ao invés de votar lei, fiscalizar despesas, propor soluções para os problemas do povo….

  12. fred
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 14:21 hs

    Celso, pelo jeito seu enjôo seja porque seu intelecto ainda não está preparado para o debate de idéias que o Romanelli tenta, sem sucesso, promover na Assembleia. é tanta informação que a sua moleira chega a formigar não é mesmo?

  13. tarso de castro
    terça-feira, 7 de abril de 2009 – 17:30 hs

    Uma histotinha para ilustrar a distância entre os nossos políticos e a realidade. Postei errado´, em outro artigo, por engano, pois ele tem ligação com essa discussão dos “populares” PMDB e PT. Lembro de um amigo meu, profissional sério e honesto de comunicação (pobre, evidentemente) que, depois de levar calote sobre cambau, de pedirem pra ter paciência, etc e tal, foi convidado à casa de um conhecido candidato a tudo do PT sempre apoiado pelo PMBD. Meu amigo me disse, esperançoso: ” – Beleza, acho que vou receber” Chegando lá, encontrou o candidato com uma rapaziada burguesa dona de agências de propaganda e o evento era… um jantar chiquérrimo, caríssimo, com vinhos cujo preço enrubesceria até o Antônio Ermírio (enquanto na casa do meu amigo ele e família comiam pão com banana) Nada falaram de pagar os caraminguás suados deste meu amigo que só suportou a cena até este tal antigo candidato pedir a atenção e dizer, solene: –

    – Olha, vou dizer uma coisa… Não levem em conta o critério português ou italiano em relação ao azeite de oliva… só se guiem pelos critérios espanhóis…

    Foi embora, puto da vida por ter gastado a passagem de ônibus.

    No dia seguinte, foi ao encontro do responsável direto pela comunicação de campanha, chamou-o aos brios e este, arrumando os óculos, pronunciou a frase célebre:
    “_ Confesso que não sei lidar com essa situação.”
    Dá-lhe PT! Dá-lhe PMDB! Para quem trabalha de verdade, migalhas…

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