Apenas 6% controlam geração de renda no Brasil, mostra o IPEA | Fábio Campana

Apenas 6% controlam geração de renda no Brasil, mostra o IPEA

pochmann

Para pensar na quaresma. Desde a concessão das primeiras propriedades agrícolas, passando pela industrialização ocorrida no século 20, até o aumento da atividade financeira, os meios de produção sempre estiveram sob controle da mesma e restrita parcela da população nacional.

Os meios de produção de riqueza do País estão concentrados nas mãos de 6% dos brasileiros. É uma das conclusões apresentadas no livro Proprietários: Concentração e Continuidade. A publicação é o terceiro volume da série Atlas da Nova Estratificação Social do Brasil, produzida por Marcio Pochmann (foto), presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e vários economistas do órgão.

Do livro, consta um levantamento que revela que, de cada 20 brasileiros, apenas um é dono de alguma propriedade geradora de renda: empresa, imóvel, propriedade rural ou até mesmo conhecimento – também considerado um bem pelos pesquisadores.

Em entrevista coletiva organizada para o lançamento do livro, Pochmann afirmou que a concentração das propriedades no Brasil é antiga e remete aos tempos da colonização. Desde a concessão das primeiras propriedades agrícolas, passando pela industrialização ocorrida no século 20, até o aumento da atividade financeira, os meios de produção sempre estiveram sob controle da mesma e restrita parcela da população nacional.

“A urbanização aumentou o número de propriedades e de proprietários, mas não acompanhou o aumento da população. A concentração permanece. Nós [brasileiros] nunca vivemos uma experiência de democratização do acesso às propriedades no nosso País”, disse.
De acordo com o livro, os proprietários brasileiros têm um perfil específico comum. A grande maioria tem entre 30 e 50 anos de idade, é de cor branca, concluiu o ensino superior, e não têm sócios.
Para Pochmann, o quadro da distribuição das propriedades brasileira é grave. O Brasil tem seus meios de produção de riqueza mais mal distribuídos entre os países da América Latina, por exemplo. E isso não deve mudar em um curto prazo, segundo o economista.
“Estamos fazendo reforma agrária desde os anos 50 e nossa distribuição fundiária é pior do que a de 50 anos atrás; nossa carga tributária onera os mais pobres; a única coisa que vai bem é a educação”, afirmou ele, citando dados que apontam que o percentual dos jovens que frequenta a universidade passou de 5,6%, em 1995, para cerca de 12%, em 2007.
Pochmann disse porem que mesmo com o aumento dos índices da educação, ele ainda está muito aquém do encontrado na Europa, onde 40% dos jovens têm diploma universitário. Ressaltou também que a mudança da distribuição das propriedades por meio da educação é a forma mais lenta de justiça. (Fonte: Agência Brasil)


2 comentários

  1. Coiso
    sexta-feira, 10 de abril de 2009 – 20:59 hs

    É mais ou menos o mesmo percentual de pessoas que se dedicam na vida. Se dedicam a estudar, a trabalhar mais que oito horas por dia, se dedicam a ler um jornal, ou pelo menos assistir um, se dedicam a dar uma olhada na cambada que tá no congresso.

    Na verdade, como parte integrante dos 6%, estou pouco me lixando pors outros 94%. Nessa vida, inexoravelmente, cada um colhe o que planta. Qualquer pessoa sabe disso.

    Por isso uma pesquisa dessas não me causa o menor constragimento, ou consternação.

  2. Zé do Coco
    sábado, 11 de abril de 2009 – 4:51 hs

    A grande maioria da massa populacional é marginalizada e não tem acesso aos recursos para se tornar sequer microempresário. Temos uma legislação acachapante, impostos de toda ordem e um fisco sempre sedento atrás do empresário.
    Essa massa de pouco mais de 90 por cento corresponde exatamente aos que não têm sequer acesso a uma educação de qualidade. Não estou me referindo a escolas, estou falando de educação de qualidade.
    Sou testemunha de que muitas dessas pessoas querem ter seu próprio negócio. Há os que são bóias-frias e que vivem de arrancar mandioca e ganhando por dia para executar uma tarefa pesada como essa. Eu já ouvi da boca de alguns que gostariam de ser donos de fábricas de fécula e farinha de mandioca e eles mesmos venderem seus produtos. Mas, cadê estrutura educacional? cadê orientação?
    Essa é a realidade que temos.

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