Quem vai fiscalizar o dinheiro da Copa de 2014? | Fábio Campana

Quem vai fiscalizar o dinheiro da Copa de 2014?

Phydia de Athayde, da Revista Carta Capital

“Você já viu os olhos de alguém emocionado? Brilham!” Assim o governador do Amazonas, Eduardo Braga, relata a reação da comitiva da Fifa ao passar por Manaus, uma das dezessete cidades que disputam as doze vagas para sediar jogos da Copa de 2014 no Brasil.

Daqui a menos de um mês, precisamente em 20 de março, as escolhidas serão anunciadas em Zurique, na Suíça. Somente a partir daí a organização do Mundial começará de verdade. É quando o governo federal anunciará as obras do PAC para atender à demanda por infraestrutura nas cidades que receberão o evento. É quando, também, os governos estaduais terão de provar estar preparados. Quando maquetes terão de se transformar em realidade. De preferência, sem grandes rombos nos cofres públicos.

Os Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio de Janeiro em 2007, continuam a ser um exemplo do que não se deve fazer. Orçado inicialmente em 414 milhões de reais, o Pan consumiu quase 4 bilhões de reais do Erário, sem que o legado tenha sido relevante.

Somente em infraestrutura, a Copa poderá custar mais de 100 bilhões de reais, estima a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), que fez um levantamento em todas as cidades candidatas, a pedido da CBF e do Ministério do Esporte. Há pouco mais de um ano, um orçamento preliminar, preparado pelo agora diretor-financeiro do Comitê Organizador, Carlos Langoni, estimava em cerca de 4,8 bilhões de dólares (à época 8,3 bilhões de reais) as obras estruturais, e em 1,2 bilhão (2 bilhões de reais) os estádios. Não se fala mais desse orçamento preliminar. E não se fala, ainda, de um orçamento real.

Na África do Sul, anfitriã da Copa de 2010, inicialmente previa-se gastar 350 milhões de dólares para construir cinco novos estádios e reformar outros cinco. O orçamento pulou para 1 bilhão de dólares. Greves e obras atrasadas causaram mal-estar. A Fifa descarta tirar a Copa de lá, embora o clima não seja dos melhores. Em janeiro deste ano, o parlamentar sul-africano Jimmy Mohlala, que havia denunciado um esquema de corrupção na construção de um dos estádios para a Copa 2010, foi assassinado na cidade de Mbombela.

Se não pretende ser uma África do Sul, o Brasil também não dá sinais de ser uma Alemanha, anfitriã da edição de 2006, considerada um sucesso de organização. A última Copa deu lucro de 135 milhões de euros, 40,8 milhões deles destinados somente à Fifa. Dos cerca de 2 bilhões de euros investidos nos estádios, apenas um terço foi financiado pelo poder público. O governo alemão investiu outros 3,5 bilhões de euros em infraestrutura urbana.

Que a Copa do Mundo de 2014 não repita os caminhos do Pan deveria ser não apenas um desejo, mas uma condição. Antes da confirmação da escolha do Brasil como sede da Copa de 2014, embora não houvesse concorrente na América e ainda existisse o rodízio de continentes, a CBF registrou em cartório, no Rio de Janeiro, a estrutura da então “Associação Brasil 2014”, embrião do presente Comitê Organizador da Copa. A entidade foi concebida em um formato jurídico que veta a interferência do governo federal. Constituída como associação civil sem fins econômicos, conforme o estatuto, dá plenos poderes a seu diretor-presidente, Ricardo Teixeira, alijando o poder público de qualquer decisão.


5 comentários

  1. OLHO VIVO
    domingo, 1 de março de 2009 – 19:18 hs

    Aqui no Paraná, se deixar pelo Requião, será o CUSTODIO ou DOATICO.

  2. laranja
    domingo, 1 de março de 2009 – 19:35 hs

    laranja mecanica

  3. PC do B
    domingo, 1 de março de 2009 – 21:21 hs

    Parabéns – será o PCdoBatel e o PCdaBoquinha

  4. LINEU TOMASS
    segunda-feira, 2 de março de 2009 – 0:30 hs

    FÁBIO.

    Hoje na Boca Maldita, comentaram este fato da baita grana que vai jorrar em consruções e obras em Curitiba, e também já nominaram PESSOAS LIGADAS AO PODER PÚBLICO , que estão de boca aberta aguardando o momento em que vai VERTER LEITE E MEL, DESTAS RENDOSAS OBRAS PÚBLICAS.

    Chegaram a fazer troca de comando em algumas instituições pata tal.

    Saiu comentario que já tem gente de alto calibre se movimentando neste sentido de muito $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$.

    Alô, alô, TC/PR, Câmara Municipal de Curitiba, ONGS fiscalizadoras, partidos políticos, Ministério Público. Todo o cuidado é pouco. Tem gente de alto coturno com muita fome.

    SUGESTÃO.
    Que tal esteas instituições aí de cima formarem uma Comissão para fiscalizar e acompanhar as licitações, os preços de mão de obra, materiais, suas qualidades etc. etc ?

    LINEU TOMASS.

  5. MARLUS
    segunda-feira, 2 de março de 2009 – 12:53 hs

    VOCÊS ACHAM QUE O RICARDO TEIXEIRA VAI DEIXAR ALGUÉM METER AS MÃOS NO QUE É DELE? NEM PENSAR…………

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