Queda da arrecadação obriga Lula a rever planos anticrise | Fábio Campana

Queda da arrecadação obriga Lula a rever planos anticrise

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Do O Estado de S.Paulo

O governo corre para anunciar, nos próximos dias, o pacote de ajuda à construção civil. É mais uma medida de estímulo à economia, cujo objetivo é amortecer os efeitos da crise global no Brasil. O pacote, no entanto, corre o risco de ser menor do que o presidente Lula gostaria. A forte queda na arrecadação no início de ano impõe sérias restrições à ação governamental.

Entre janeiro de 2008 e o mesmo mês deste ano, a arrecadação teve queda real de 8,7% (descontada a inflação) e nominal de 2,64%. Em valores, são quase R$ 5,5 bilhões. O Estado apurou que o governo vislumbra um fevereiro ainda pior para o caixa e, por isso, já começou a refazer as contas em seus planos de desoneração de impostos e subsídios ao setor privado.

O pacote de habitação, por exemplo, prevê cortes no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos materiais de construção que podem chegar a R$ 1,1 bilhão ao ano, mas técnicos defendem desoneração menos abrangente, de R$ 600 milhões. O lançamento vem sendo adiado por causa desse e outros pontos em aberto.

Os dados preliminares da arrecadação de fevereiro também colocaram no radar a possibilidade de os cortes no Orçamento serem mais profundos do que o projetado. O governo bloqueou R$ 37,2 bilhões no início do ano, na esperança de liberar parte dos recursos nos próximos meses. Agora, a estratégia não parece tão certa.

Sexta-feira, o Banco Central (BC) divulgou um dado que surpreendeu negativamente o mercado. O superávit primário, economia do governo para pagar os juros da dívida, atingiu em janeiro o menor nível desde fevereiro de 2004. Em 12 meses, o saldo ficou em 3,58% do Produto Interno Bruto (PIB).

“O primeiro semestre tende a ser pior do que imaginávamos, o que nos levará a rever para baixo a projeção de superávit primário em 2009”, disse o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Antes, ele previa uma economia de 3,4% do PIB. Baixou para 3,1%.

A meta do governo para o superávit primário é de 3,8% do PIB, com a possibilidade de reduzi-la para 3,3%. Alguns setores da equipe econômica já trabalham com a hipótese de rever formalmente a meta, para evitar um corte maior de gasto.

Com a receita ameaçada, o governo só poderia ampliar as políticas de estímulo se mexesse nas despesas. Mas isso é considerado impossível – 90% das despesas são obrigatórias no País. Além disso, antes de a crise se agravar, o governo havia se comprometido com reajustes do salário mínimo e do funcionalismo público.

De setembro de 2008 a janeiro de 2009, a folha de pagamento dos servidores cresceu R$ 10 bilhões. Enquanto isso, o valor anualizado dos investimentos aumentou R$ 1 bilhão. Ou seja, a variação do investimento, antídoto mais eficiente contra a crise, foi de 4,4%, metade da expansão da despesa de pessoal.


3 comentários

  1. Vigilante do Portão
    domingo, 1 de março de 2009 – 11:22 hs

    Ele vai ver o tamanho da “marolinha”, ou pior, nós é que vamos sentir o tamanho da marolinha. KKK
    Esconder do povo brasileiro a gravidade da crise que se aproximava, foi uma atitude covarde e eleitoreira. Apenas tres dias depois das eleições. o Sr. Mântega deu entrevista, dizendo que a crise era grave e seus efeitos atingiriam todos nós.
    No final de agosto, começo de setembro, já era do conhecimento das autoridades que não seria apenas uma marolinha, entretanto, no meio de uma campanha eleitoral, cujo mote do PT e dos aliados era exatamente a exuberância da economia brasileira – tudo obra do LULA -, não ficava bem admitir que o castelo de cartas poderia desmoronar.
    A desmistificação do mito está começando, vejamos o exemplo da Embraer, quando a empresa estava se expandindo e exportando aviões para diversos países, o governo rejubilava e era partícipe do sucesso, em linguagem bem popular, “pegava uma carona”; Era comum a agência de notícias do governo federal, dar conta de encomendas de aviões, da “nossa” Embraer. Agora, que a crise atigiu em cheio o segmento de jatinhos, nosso grande lider afirma que as demissões são problema da empresa.

  2. Morador doAgua Verde
    domingo, 1 de março de 2009 – 14:18 hs

    Isso mostra que o Governoe sta atento, muito melhor do que privatizar as empresas estrategicas como Vale e outras e liquidar as reservas cambiais…faz isso pq tem lastro para defedner a economia

  3. Vigilante do Portão
    domingo, 1 de março de 2009 – 19:44 hs

    O governo está atento, melhor, atentíssimo. KKK
    Caso estivesse mesmo atento, não demoraria 6 meses para descobrir que a construção civil é uma importante alavanca para o crescimento, a saber:
    – ocupa bastante mão de obra, inclusive sem qualificação;
    – é importante fator multiplicador, pois dá empregos também nas olarias, pedreiras, fábricas de cimento, de cal, tiradores de areia e até na siderurgia;
    – não desequilibra a balança comercial, pois os materias empregados nas construções são nacionais.

    É uma boa medida, faz movimentar a economia, ajuda a resolver um problema crônico do Brasil, a falta de moradias, estabelece parcerias com estados e municípios e o melhor, é só financiamento, os compradores vão pagar para a Caixa Econômica o valor dos empréstimos para aquisição dos imóveis, e mesmo com um subsídio nos juros, ainda dá um lucrinho, principalmente se raciocinarmos que tendo habitações mais dignas, com saneamento básico, água e energia, os gastos em saúde serão menores.
    Não pensem que as medidas adotadas para combater a crise, são atitudes magnânimas do governo, ao reduzir o IPI dos carros por exemplo, é só fazer as continhas, se os carros ficarem encalhados no estoque das fábricas, o governo não vai arrecadar nada, diminuindo o imosto aquece as vendas, os estoques são desovados e os impostos recolhidos, fácil, melhor dar um desconto e ganhar na quantidade vendida.
    A fábrica ganha, os revendores ganham e o consumidor paga mais barato.
    E o melhor é que o Lula passa por bonzinho. Grande enganador.

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