Diretor do Senado pede demissão após denúncia de uso irregular de apartamento | Fábio Campana

Diretor do Senado pede demissão após denúncia de uso irregular de apartamento

De Gabriela Guerreiro e Renata Giraldi, na Folha Online

O diretor de Recursos Humanos do Senado, João Carlos Zoghbi, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira em meio às acusações de que teria utilizado apartamento funcional da Casa para acomodar parte da sua família. Ele mora em uma mansão localizada num bairro nobre de Brasília.
Zoghbi encaminhou hoje pedido de exoneração ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que acatou a solicitação do servidor. A informação da demissão é da assessoria do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Zoghbi vai se afastar da diretoria, mas permanece como funcionário efetivo do Senado. Reportagem publicada pelo jornal “Correio Braziliense” acusou Zoghbi de ceder o imóvel aos seus filhos, apesar de ele morar em outro local.

Ele era cotado para assumir o lugar de Agaciel Maia, afastado da Diretoria-Geral do Senado após denúncia de não declarar a posse de uma mansão de R$ 5 milhões.

O apartamento teria sido reformado no ano passado para acomodar o filho recém-casado do diretor. Antes da reforma, segundo a reportagem, o imóvel foi ocupado por outro filho de Zoghbi e sua ex-mulher, sem que o diretor morasse no local.

Após a denúncia, o diretor decidiu ontem devolver o imóvel ao Senado. Em nota, Zoghbi confirmou que o imóvel foi ocupado pelos seus filhos, mas disse que preencheu todos os “requisitos legais” para ocupar o apartamento cedido pela Casa Legislativa. O diretor afirma, na nota, que não cometeu ilegalidades porque não tem imóveis próprios na capital federal.

Zoghbi disse que arcou com todas as despesas do imóvel, como o pagamento de condomínio e taxa de ocupação regulamentada pelo governo federal. O diretor argumenta que se desfez de uma casa própria em Brasília, em 1992, e prestou auxílio financeiro a um dos filhos para aquisição de um lote. Mas que não possui apartamento ou casa própria na cidade, o que justificaria a ocupação do imóvel funcional.

“Desde então, a família vem construindo uma casa, ainda inacabada, e para a qual têm sido usados recursos oriundos de financiamentos junto à Caixa Econômica Federal e salários. Estando o imóvel parcialmente em condições de habitabilidade, a família passou a usá-lo precariamente, sem o desligamento total do imóvel funcional”, diz a nota divulgada nesta quinta-feira.

Segundo a nota, devido a “problemas familiares ocorridos por um período”, a ocupação do imóvel funcional se restringiu a “parte da família”. A reforma realizada no apartamento, segundo Zoghbi, foi consequência de infiltrações no local que prejudicavam outros vizinhos.

“Já era intenção do servidor desocupar o imóvel funcional, motivo pelo qual, para que não haja qualquer dúvida, ele já protocolou pedido de devolução do imóvel junto à primeira secretaria do Senado”, diz a nota.

Diretoria

Há 15 anos como diretor do Senado, Zoghbi ocupa o apartamento desde 1999. Ele era cotado para assumir a diretoria-geral do Senado, cargo que ficou vago no início do mês com o afastamento do ex-diretor Agaciel Maia.

Agaciel deixou a diretoria após as acusações de que teria escondido da Justiça a propriedade de uma casa avaliada em cerca de R$ 5 milhões. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aceitou o pedido de afastamento de Agaciel, encaminhado por meio de carta escrita pelo ex-diretor geral.

Segundo reportagem da Folha, Agaciel usou o irmão, o deputado João Maia (PR-RN), para ocultar o imóvel.

Sarney designou o diretor-geral adjunto do Senado, Alexandre Gazineo, para substituir Agaciel no cargo até nomear o substituto definitivo. Agaciel permaneceu como servidor na Casa Legislativa, onde é servidor efetivo.

O ex-diretor entrou no Congresso como datilógrafo no final da década de 1970. Galgou alguns postos desde então e tornou-se em 1995 o servidor mais poderoso do Senado –responsável por administrar um orçamento de R$ 2 bilhões anuais.


4 comentários

  1. CLOVIS PENA
    sexta-feira, 13 de março de 2009 – 20:46 hs

    É o “boi de piranha”. Uma tentativa de agradar Jarbas Vasconcelos.

  2. Alice
    sexta-feira, 13 de março de 2009 – 23:41 hs

    Eu não consigo entender uma coisa. Os deputados e senadores tem esses apartamentos em Brasilia, mas mtos ficam em hotéis(caríssimos). Os apes ficam vazios. Pq não são alugados, ou emprestados para assessores que trabalham nos gabinetes(já viram os preço de aluguéis em Brasília?). É uma dinheirama jogada fora.

  3. Aristeu Hookke Lima
    sábado, 14 de março de 2009 – 3:48 hs

    Hoje a coluna de Claudio Humberto foi censurada pela Folha de Londrina. Em seu site na internet (www.claudiohumberto.com.br) o conhecido jornalista, cuja coluna diariamente e’ reproduzida por mais de trinta jornais de todo o Brasil, publicou a seguinte nota:

    14/03/2009 | http://www.claudiohumberto.com.br
    Inclua-me fora dessa
    O delegado federal Fernando Francischini, secretário municipal Antidrogas de Curitiba, não irá com o prefeito Beto Richa a Londrina, hoje, para apoiar o tucano Luiz Carlos Hauly, na campanha para prefeito local. Em 2006, ele chegou a pedir abertura de processo contra Hauly.

    Mas na coluna republicada hoje pela Folha de Londrina a nota acima foi excluida, em evidente atentado `a liberdade de imprensa e numa demonstracao cabal de parcialidade e engajamento.

    Como leitor da Folha, sinceramente, lamento esse escandalo, esse absurdo.

  4. Vigilante do Portão
    sábado, 14 de março de 2009 – 7:08 hs

    Não deve ser só isso. O cara está saindo para fugir dos holofotes. Em Brasília é assim, imaginam que ao renunciar, tudo está resolvido.
    A imprensa esquece do sujeito e o Congresso se faz de morto.
    Na verdade, caso haja punição mais severa, como, por exemplo, pagamento pelo uso indevido do bem público ou, em outrs casos, devolução dos recursos desviados, o atingido pode “botar a boca no trombone” e sobrar para muita gente, inclusive e principalmente os Srs. Deputados e Senadores.
    Vejam o caso do Collor, renunciou ao mandato e só, não devolveu um centavo, não passou um dia na cadeia, nada, mesmo com todas as provas de que o PC Farias agia em nome do alagoano, nem o sigilo bancário foi quebrado.

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