Obama apresenta orçamento que prevê déficit de US$ 1,75 trilhão | Fábio Campana

Obama apresenta orçamento que prevê déficit de US$ 1,75 trilhão

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É o maior déficit desde o final da 2.ª Guerra Mundial. O presidente Barack Obama apresentou orçamento que prevê déficit de US$ 1,75 trilhão em 2009, o equivalente a 12,3% do PIB americano. O orçamento, de US$ 3,94 trilhões, é relativo ao ano fiscal de 2009, que acaba em setembro deste ano. A última vez que o déficit do orçamento dos EUA chegou a esta magnitude foi em 1945, depois da Segunda Guerra Mundial, quando atingiu 21,5% do PIB.

O orçamento de 2010 é de US$ 3,55 trilhões, com déficit projetado de US$ 1,17 trilhão. “Precisamos ser honestos sobre os custos que estão se acumulando e as escolhas difíceis que temos pela frente”, disse Obama ao anunciar o orçamento . “Mas já identificamos US$ 2 trilhões em cortes de gastos que vão ajudar a reduzir o déficit do orçamento pela metade no fim do meu primeiro mandato”, disse Obama.

Três quartos desse corte de despesas viriam da redução de gastos nas guerras do Afeganistão e Iraque, de aumentos nos impostos para famílias que ganham mais de US$ 250 mil por ano e receita de um programa de créditos de carbono a ser implementado.


“Sacrificamos investimentos prudentes em educação, saúde, energia limpa e infraestrutura para fazer enormes cortes de impostos para os ricos e bem conectados”, disse Obama, citando a política do governo Bush para justificar o aumento da carga tributária.

O governo diz que cerca de US$ 1,2 trilhão do déficit foi “herdado” do governo Bush e o resto vem de pacotes para estimular a economia. “Nós herdamos um par de déficits de trilhão de dólares”, disse Peter Orszag, diretor do escritório de Orçamento e Administração da Casa Branca. Um deles vem do déficit de Bush, e outro da redução de arrecadação por causa da crise econômica.

O orçamento tem propostas audaciosas: a criação de um fundo de US$ 634 bilhões para começar a implementar um sistema de saúde universal e US$ 15 bilhões por ano, durante 10 anos, para desenvolvimento de energia alternativa, além de outros US$ 250 bilhões para resgatar bancos este ano.

Christina Romer, diretora do Conselho de Assessores Econômicos do presidente, disse que o orçamento usa como base uma queda do PIB de 1,2% neste ano e crescimento de 3,1% em 2010, número considerado otimista por analistas.

Até 2013, o déficit cairia para US$ 533 bilhões, projeta a Casa Branca, e daí começaria a subir de novo na medida em que os chamados “baby boomers” começam a se aposentar e usufruir do Medicare, assistência médica pública para pessoas acima de 65 anos, e da previdência social.

Além disso, a Casa Branca diz que foi mais “honesta e transparente” em revelar gastos no orçamento.Bush é acusado de incluir previsões excessivamente otimistas em seus orçamentos e excluir grandes gastos das estimativas.

Os republicanos atacaram a proposta de orçamento da Casa Branca, dizendo que ela contém gastos excessivos e aumentos na carga tributária. O Congresso tem de aprovar o orçamento. “Eu estou muito preocupado com esse orçamento, que exige que famílias trabalhadoras entreguem mais de seu dinheiro suado para o governo aumentar seus gastos”, disse o senador republicano Mitch McConnell.

CLIMA

Em linha com sua promessa de campanha de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, Obama propôs no orçamento levantar US$ 646 bilhões a partir da introdução de novas leis relacionadas às mudanças climáticas até 2020.

Obama pretende levantar tais recursos com a redução das emissões e leilão de direitos para emissão de gases de efeito estufa. Ele diz que pretende cortar as emissões de gases como o dióxido de carbono em 14% dos níveis de 2005 até 2020 e em 83% dos níveis de 2005 até 2050.

O orçamento prevê um aporte de US$ 150 bilhões das receitas levantadas até 2020 para financiar projetos de energia limpa e energia com baixa emissão de carbono. O restante ajudará os cidadãos, as comunidades e as empresas a pagarem pela cara transição a um novo padrão energético, disse a Casa Branca.

Embora Obama prefira que o Congresso aprove uma legislação para criação de um programa de redução da emissão de gases do efeito estufa – para criar um mercado global de trilhões de dólares de crédito de carbono -, ele orientou a Agência de Proteção Ambiental para estruturar regras para regulamentar as emissões.


2 comentários

  1. bimbo
    sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009 – 8:57 hs

    Tá levando o mundo todo de “arrasto”

  2. macedo
    sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009 – 9:33 hs

    Meu comentário foi… censurado?

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