Dow Jones fecha no nível mais baixo em 12 anos | Fábio Campana

Dow Jones fecha no nível mais baixo em 12 anos

Da Agência Estado

Os problemas com os bancos norte-americanos deixaram os investidores no mundo todo mais preocupados nesta segunda-feira, 23. O índice Dow Jones – que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York – fechou em baixa de 3,41%%, aos 7.114,78 pontos, o nível mais baixo em 12 anos. Na Europa, as bolsas de valores europeias atingiram o menor patamar em seis anos. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais bolsas da região, recuou 0,68%, para 730 pontos. O indicador acumula queda de 12% neste ano, depois de já ter caído 45% em 2008.

O temor de que a crise perdure por mais tempo e reduza ainda mais o crescimento econômico mundial provocou a queda do preço do petróleo. O preço chegou a subir na sessão, atingindo máxima acima de US$ 41 por barril, mas fechou em queda de 4,57%, a US$ 38,20 o barril.

Nas bolsas, as ações de bancos estão entre as mais penalizadas. Na Europa, UBS perdeu 9%, Deutsche Bank caiu mais de 5% e Dexia despencou 12%.

Logo na abertura dos mercados em Nova York, o governo tentou tranquilizar os investidores. Em comunicado conjunto, o Departamento do Tesouro, o Federal Reserve e três outras agências federais disseram que darão início a um programa na quarta-feira para avaliar as necessidades de capital dos grandes bancos norte-americanos e determinar se eles precisam de um alívio maior.

Se eles precisarem, o dinheiro poderá vir do setor privado ou do governo em forma de ações preferenciais que sejam convertidas em ações ordinárias com o tempo, uma forma de assegurar que os bancos tenham recursos suficientes para lidar com as perdas de crédito.

“Em razão de a nossa economia funcionar melhor quando as instituições financeiras estão bem administradas no setor privado, o Programa de Assistência de Capital assume que os bancos devem continuar em mãos privadas”, disseram as agências.

Contudo, no caso do Citigroup, o terceiro maior banco dos Estados Unidos, o governo já anunciou que negocia um aumento da participação pública no banco. O Citi e o governo estariam discutindo um plano no qual o governo converteria um pedaço considerável dos US$ 45 bilhões em ações preferenciais que comprou no ano passado, aumentando assim a sua participação em cerca de 40%.

Depois de caírem cerca de US$ 2 na sexta-feira, as ações do Citigroup subiram mais de 20%após o anúncio das conversações. Mas os investidores temem que as perdas decorrentes de cartões de crédito, países emergentes e ativos podres possam afundar os esforços do presidente-executivo do banco, Vikram Pandit, para retomar o ritmo fiscal do Citigroup. Os analistas não acreditam que o Citigroup seja rentável nem em 2009 nem em 2010.

Nesta segunda-feira, a França também saiu em socorro das instituições financeiras, prometendo até 5 bilhões de euros (US$ 6,3 bilhões) em ajuda adicional ao Banque Populaire e ao Groupe Caisse d’Epargne. Os dois bancos devem detalhar nesta semana uma fusão e a nova ajuda do país poderia aumentar a participação do governo para até 20% no que se tornaria o segundo maior banco de varejo francês.

Orçamento

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu hoje reduzir à metade o déficit fiscal do país, atualmente em US$ 1,3 trilhão, até o fim de seu mandato, em 2013. Obama falou no começo de uma “cúpula de responsabilidade fiscal” na Casa Branca, da qual participam cerca de 130 pessoas, e que tem como objetivo determinar o que fazer contra o ingente déficit fiscal a médio e longo prazo.

O Governo americano aprovou fortes investimentos públicos para conter a crise econômica, o que, admitiu o líder, piorará um déficit fiscal que, na Administração do ex-líder George W. Bush, alcançou US$ 1,3 trilhão, um valor recorde.

O governante deve anunciar nesta quinta-feira as linhas diretrizes de seu orçamento para o próximo ano fiscal, que começará em outubro. A proposta detalhada será tornada pública em abril. Obama afirmou hoje que a meta de reduzir o déficit a US$ 533 bilhões ao fim de seu mandato será alcançada, entre outras coisas, “voltando ao princípio de não gastar o que não” têm, uma conduta que, disse, tinha sido abandonada durante o mandato de Bush. Ele também prometeu que os assessores econômicos serão “honestos” na hora de elaborar o orçamento.


2 comentários

  1. Almasor Abbas Adilah
    terça-feira, 24 de fevereiro de 2009 – 20:24 hs

    O DÉFICIT NORTE AMERICANO E A CHINA

    Quando o resto do mundo sofre de insuficiente procura interna, as importações americanas de bens e serviços tenderam a crescer mais rapidamente do que as exportações. Em consequência, os Estados Unidos tem estado a incorrer em grandes e crescentes défices em conta corrente, os quais em 2006 atingiram mais de 800 mil milhões dólares, ou 6 por cento do PIB.

    Os déficit dos EUA em conta corrente geram diretamente procura efetiva para o resto da economia mundial, permitindo a muitas economias, incluindo as economias asiáticas e exportadores de petróleo e commodities, perseguirem o crescimento económico conduzido pelas exportações. Mas talvez, mais importante, os déficits americanos em conta corrente representam gastos em excesso do rendimento que deve ser financiado pela tomada de empréstimos do resto do mundo. Os déficits norte americanos portanto criam ativos para o resto do mundo.

    Os bancos centrais das economias asiáticas e os exportadores de petróleo tornaram-se os maiores financiadores dos déficits em conta corrente dos EUA. De 1996 a 2006, o total de reservas em divisas estrangeiras de países de baixo e médio rendimento escalou de 527 mil milhões de dólares para 2,7 milhões de milhões de dólares e sua participação no PIB mundial mais do que triplicou: de 1,7 por cento para 5,6 por cento. A ascensão de reservas de divisas estrangeiras reduziu o risco de fugas de capital maciças e crises financeiras, permitindo a estes países terem algum espaço para prosseguirem políticas macroeconómicas expansionistas. A China, em particular, desempenhou um papel crucial no financiamento dos déficits norte americanos em conta corrente e acumulou as maiores reservas de divisas estrangeiros actualmente montando a cerca de 1,6 milhão de milhões de dólares.

  2. Almasor Abbas Adilah
    terça-feira, 24 de fevereiro de 2009 – 20:41 hs

    Os dólares ainda são aceitos porque esta é a divisa de reserva do mundo

    Na reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, o multimilionário negociante de divisas George Soros advertiu que o papel do dólar como divisa de reserva estava a chegar ao fim. “A crise atual é não só o fracasso que se segue ao boom imobiliário, é basicamente o fim de um período de 60 anos de contínua expansão do crédito baseada no dólar como divisa de reserva. Agora o resto do mundo está cada vez mais relutante em acumular dólares”.

    Se o mundo está relutante em continuar a acumular dólares, os EUA não serão capazes de financiar o seu défict comercial ou o seu défict orçamental. Como ambos estão seriamente desequilibrados, a implicação é ainda maior declínio no valor de troca do dólar e uma ascensão aguda nos preços.

    Certos economistas romantizaram o globalismo, deliciando-se na miríade de componentes estrangeiros em marcas de produtos estado-unidenses. Isto é bonito para um país cujo comércio está em equilíbrio ou cuja divisa tem o papel de divisa de reservas. É uma terrível dependência para um país como os EUA que tem estado ocupado a trabalhar para deslocalizar sua economia enquanto destrói o valor de troca da sua divisa.

    Quando o dólar perder valor e perder a sua posição privilegiada como divisa de reservas, os padrões de vida estado-unidenses sofrerão um golpe sério.

    Se o governo estado-unidense não pode equilibrar o seu orçamento cortando nos gastos ou aumentando impostos, no dia em que não mais puder tomar emprestado veremos o governo a pagar as suas contas imprimindo dinheiro como uma república bananeira do Terceiro Mundo. Inflação e mais depreciação da taxa de câmbio estarão na ordem do dia.

    Fonte: Globalresearch.ca

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