Paraná perdeu 60 mil vagas em dezembro | Fábio Campana

Paraná perdeu 60 mil vagas em dezembro

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O mercado de trabalho sentiu fortemente o baque da crise econômica em dezembro e a expectativa é de que o Brasil poderá ter perdido cerca de 600 mil vagas com carteira assinada, quase o dobro do que o normal nessa época do ano, quando as empresas tradicionalmente dispensam os empregados temporários.

O Paraná, que geralmente representa entre 7% e 10% do total nacional, poderá ter cortado, de acordo com essa conta, entre 42 mil e 60 mil vagas no mês passado. Em 2007, na mesma época, foram fechados 31 mil empregos. Os números oficiais do Ministério do Trabalho serão conhecidos até o fim de janeiro.

“Com certeza teremos um aumento significativo no saldo negativo em dezembro por conta da crise econômica”, prevê Sandro Silva, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).


São Paulo – Folhapress

A General Motors dispensou ontem 744 trabalhadores em São José dos Campos, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade. Os profissionais tinham contratos de trabalho por tempo determinado, com previsão de término em junho. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a antecipação do desligamento dos trabalhadores foi comunicada em reunião com a empresa. “Entre os demitidos, estão os 600 trabalhadores contratados no ano passado por meio de contratos por prazo determinado. Alguns desses contratos venceriam somente em junho, mas a empresa dispensará os metalúrgicos imediatamente”, informou o sindicato em nota. Desde o fim do ano passado, a GM tem promovido férias coletivas em suas unidades no país. Na fábrica da GM em Gravataí (RS), por exemplo, onde são produzidos os modelos Celta e Prisma, os 5,2 mil metalúrgicos que retornaram ao trabalho em 5 de janeiro – após 30 dias de férias coletivas – suspenderam as atividades novamente no dia 19 e regressam em 6 de fevereiro.

A crise atropelou as previsões de recorde de geração de emprego em 2008. Segundo Silva, dificilmente o estado vai cumprir a meta de superar o número de 2004, quando o saldo ficou positivo em 122,6 mil vagas. A estimativa do mercado – o Dieese não faz projeções – agora é que esse número fique entre 100 mil e 118 mil em 2008. Ainda assim será o terceiro maior saldo nos últimos quatro anos – atrás de 2004 e 2007.

Na semana passada, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, revelou que o Brasil deverá fechar os dados de 2008 com o acréscimo de 1,5 milhão de empregos, bem menos do que a previsão inicial, que apontava para uma geração de 2 milhões de vagas. Para 2009, há uma previsão de que esse montante fique em 1,2 milhão de vagas.

“O último trimestre de 2008 foi o fundo do poço para o emprego. As empresas paralisaram projetos e começaram a demitir. Esse quadro, nessa proporção, não deve se repetir durante todo o ano de 2009, mas teremos ainda um primeiro trimestre difícil”, prevê Silva.

Os primeiros sinais de desaceleração começaram a aparecer em outubro no Paraná, quando houve uma queda de 54% no saldo de vagas com carteira assinada – para 6 mil – em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O quadro piorou em novembro, que registrou o fechamento de 172 vagas, puxado por demissões nos setores de madeira e mobiliário, construção civil, material de transporte, indústria química e farmacêutica, vestuário e têxtil e de alimentos. “O recuo se deu principalmente em setores afetados pela escassez do crédito e pela queda nas exportações” diz Sandro Silva, do Dieese. No Brasil, foram fechados 40 mil empregos, o primeiro recuo desde 2002.

De acordo com o economista José Pio Martins, professor da Universidade Positivo, o Brasil precisa gerar entre 1,6 milhão e 1,7 milhão de empregos para atender à população que ingressa todo o ano no mercado de trabalho. “Sem isso, o desemprego aumenta”, diz. Para o professor, além de gerar desemprego, a crise também deve provocar o crescimento da informalidade.


4 comentários

  1. Edson Cruz
    terça-feira, 13 de janeiro de 2009 – 12:07 hs

    Após um ano de recordes na geração de empregos, alcançando pela primeira vez na história a marca de mais de 2 milhões de postos de trabalho formais (até novembro de 2008 eram 2,107 milhões), vamos experimentar uma pequena desaceleração na geração de novas vagas de trabalho em 2009.

    O Paraná, que tem vivido um período de expansão de sua economia, bateu novo recorde histórico em geração de empregos formais. Entre janeiro e novembro de 2008, foram criados 160.725 postos de trabalho com carteira assinada no Estado — alta de 8,25% na comparação com o mesmo período de 2007.

    É certo que não manteremos a curva ascendente de crescimento; mas não vamos viver a experiência da recessão brutal. Afinal o Brasil encontra-se em situação diferente, graças à política econômica do Governo Lula e ao empenho do Governo Requião em fortalecer a economia paranaense.

    Diferentemente de outras épocas, a pauta da crise é a redução do ritmo do crescimento, e não a “quebradeira geral” de outras épocas. E olha que esta crise é muito superior aos abalos econômicos do período neoliberal. Vamos sim, ter um crescimento menor de empregos, mas ainda assim o país e o Paraná continuará gerando vagas.

    Os olhares da política pública agora devem concentrar-se em potencializar experiências associativas, cooperativas e autogestionárias. Afinal, tem empresários acostumados a altas taxas de lucro que começam a tirar o time de campo. E, como “demitir” é a saída mais fácil, é a hora dos movimentos sociais voltarem a organizar os desempregados.

  2. bimbo
    terça-feira, 13 de janeiro de 2009 – 13:57 hs

    Edson Cruzcredo qta. bobagem !

  3. LEANDRO
    terça-feira, 13 de janeiro de 2009 – 14:58 hs

    CONTINUEM COBRANDO TANTO IMPOSTO DOS PEQUENOS E AJUDANDO TANDO OS GRANDES QUE A COISA MELHORA………
    DEPOIS NÃO ADIANTA CHORAR!

  4. Zé do Coco
    quarta-feira, 14 de janeiro de 2009 – 8:25 hs

    Edson, o de que pouca gente se dá conta é que há uma lei NÃO ESCRITA no meio empresarial. Como muitos têm de prestar contas a acionistas, a fim de justificar certas barbeiragens eles criaram um corpo de leis, das quais vou lembrar uma: TODOS os funcionários, em princípio, são demissíveis, não importa sob qual pretexto. E cada setor dentro de cada empresa sabe que deve contratar pelo menos 8% a mais de funcionários do que realmente precisa. E por quê? Ora, simples: “naquela” reunião em que vão expor as metas de seus setores, os executivos vão prontos para mostrar resultados. E resultados, por exemplo, é conter gastos com copinhos descartáveis. Ninguém na reunião pergunta ao executivo COMO os funcionários vão deixar de consumir copos descartáveis, se têm de beber água ou cafezinho. Imagina-se, numa reunião daquelas, que todo mundo que está escutando aquele executivo não passa de um bando de idiotas que se deixa levar por números, as mais das vezes fictícios.
    Outra cifra bastante mostrada nas célebres reuniões é o índice de demissões ocorridas nos setores, “com vistas a colocar em pratica severas medidas de contenção de gastos e otimização de lucros” (acionista adora falar e ouvir falar em lucro – claro, do contrário não seria acionista…).
    Agora, procure imaginar o seguinte: querem os acionistas saber até que ponto aquele executivo está protegendo os lucros. É aí que entra o golpe de mestre: o executivo mostra a evolução dos gastos com pessoal de tal a tal período e os resultados conseguidos pela empresa com a limpeza nos quadros. Na realidade é um golpe de morte, encerra todas as discussões e o conselho de administração aprova tudo mais que os executivos trouxeram como propostas para manter a empresa “dentro dos padrões de excelência que a tornaram líder no seu segmento de mercado”.
    Portanto, amigo Edson Cruz, contratar funcionário além do número recomendável deve ser sempre política para sobreviver dentro de uma corporação. Porque são descartáveis, bem mais descartáveis do que os copinhos com que os coçadores de saco tomam seus intermináveis cafezinhos.
    Não foi por acaso que, quando as montadoras americanas pediram penico ao governo Bush recentemente, foi colocado como condição indispensável REDUZIR OS SALÁRIOS DOS EXECUTIVOS.
    Para quem não conhece o meio, pode parecer estranho mas aquele salário economizado com a demissão de um técnico competente que mantém o bom nível de produção da empresa vai engordar as mordomias dos figurões. A rigor, as grandes corporações são mantidas à força de maquiação de balanços e de medidas de contenção de despesas em setores inócuos como a varrição do pátio de manobras…

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