Volvo demite 430 da unidade da CIC | Fábio Campana

Volvo demite 430 da unidade da CIC

Deu no Bem Paraná

Volvo do Brasil anunciou ontem, a demissão de 430 funcionários que trabalham na unidade instalada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). O anúncio veio no mesmo dia em que a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou a queda de 22,28% nas vendas de novembro, sinalizando que os reflexos da crise podem se agravar na Capital. O segmento de caminhões e ônibus encolheu 20,28%.

Além das demissões, a empresa anunciou também ampliação das férias coletivas. Os trabalhadores do setor de blocos e motores ampliam o período de parada de 20 para 50 dias, os de produção de caminhões pesados aumentam de 20 para 30 dias e os que atuam na fabricação dos caminhões médios passam de dez para 20 dias. Um grupo de trabalhadores entra em férias no dia 8 e outro no dia 19.

Segundo os dados da Volvo, dos 430 demitidos, 250 tinham contratos temporários com a empresa, que não serão renovados. Os outros 180 eram do quadro efetivo. Mesmo assim, a Volvo destacou que o saldo de empregos mantém-se positivo se comparado com dezembro do ano passado, quando tinha 2.393 funcionários. Depois das demissões, 2.410 pessoas continuam trabalhando na fábrica, em que são produzidos caminhões e ônibus.

Na edição de Fim de Semana, o Jornal do Estado trouxe duas matérias sobre os reflexos da crise na economia da cidade. Em uma delas, o proprietário da Ferramentas Sartori, Egberto Sartori, revelava ter cortado cinco funcionários dos 60 do quadro da empresa e reduzido a linha de montagem de três para apenas um turno por estar sem nenhum pedido para o mês de dezembro. Na outra, os dados de geração de emprego na Capital apontavam uma desaceleração na abertura de novas vagas na cidade em outubro, com avanço de 0,34% — 1.997 novos empregos formais.

No início de novembro, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná (Sindimental) previa o fechamento de 6 mil postos de trabalho no segmento, que emprega cerca de 30mil pessoas no Estado.
Segundo a assessoria de imprensa da empresa, as demissões anunciadas ontem resultam do desaquecimento do mercado de caminhões tanto internamente quanto os destinados à exportação, particularmente a Europa, onde a previsão é de que as quedas nas compras não cessem no próximo ano.

Com as demissões, a Volvo acaba com o segundo turno de caminhões na fábrica curitibana, criado no fim do primeiro semestre e que exigiu a contratação da mão-de-obra temporária, e reduz de três para dois turnos o trabalho na área de cabines. As contratações temporárias visavam atender à demanda em alta. Com as demissões, a produção cai de 77 para 54 caminhões pesados e semi-pesados por dia. A produção de ônibus não terá alteração, mantendo-se a fabricação de sete unidades diariamente.

O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Nelson Silva de Souza, disse que a não renovação dos contratos dos temporários foi uma atitude normal da empresa, em razão da crise mundial. Mas a demissão de funcionários efetivos está preocupando a entidade, pois pode levar a que outras empresas da cadeia automobilística tomem a mesma atitude. “O temor é de como ficará se não houver aquecimento do mercado depois do primeiro trimestre de 2009”, afirmou.

Fenabrave — Restrição de crédito e confiança do consumidor abalada pela crise financeira global renderam à indústria automobilística queda de 22,28% nas vendas de veículos em novembro, sobre o mês de outubro. Ao todo foram emplacadas 309.712 unidades de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários. Na comparação com novembro do ano passado, quando o setor já vivia o boom de vendas, a queda chega a 23,44%. Os dados foram divulgados pela Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) nesta segunda-feira (1º).

A queda registrada em novembro foi maior do que a obtida em outubro sobre os números de agosto, de 13,81%. “Sem dúvida a questão do crédito é o que pesa na situação. Ela não está tão grave quanto antes, mas nem todos os recursos anunciados pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica chegaram ao varejo”, explica o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze.

Por segmento, o que mais sofreu com a diminuição do ritmo do mercado foi o de automóveis e comerciais leves, com baixa de 26,1% sobre outubro, com 166.279 unidades vendidas. O emplacamento de motocicletas apresentou queda menor, porém significativa, de 17,28%, para 124.176 unidades. Caminhões e ônibus, juntos, tiveram queda de 20,28% (11.627) e os implementos rodoviários de 21,72% (3.702 unidades).

Na comparação com novembro do ano passado, a procura por automóveis e comerciais leves sofreu queda de 26,34%, de 225.750 unidades para 166.279. Já a demanda por motocicletas caiu 22,85%, de 160.954 unidades para 124.176.
Participação — No segmento de automóveis, a Volkswagen mantém a liderança no mercado nacional com uma pequena diferença em relação à italiana Fiat.

A montadora alemã ficou com 25,06% do mercado nacional em novembro, seguida da Fiat com 24,91%, General Motors (17,7%), Ford (9,08%), Honda (7,05%), Renault (4,6%), Peugeot (3,77%), Citroën (3,27%) e Toyota (3,025).
Entretanto, ao considerar automóveis e comerciais leves, é a Fiat que lidera as vendas no Brasil, com 24,73% do mercado. Volkswagen fica em segundo lugar, com 21,91%, seguida de General Motors (20,88%), Ford (9,55%) e Renault (4,32%).


3 comentários

  1. bimbo
    terça-feira, 2 de dezembro de 2008 – 8:55 hs

    Ué, não ia ser só uma “marolinha”

  2. Clenilson
    terça-feira, 2 de dezembro de 2008 – 10:06 hs

    isso é a crise do capitalismo

  3. Zé do Coco
    terça-feira, 2 de dezembro de 2008 – 11:12 hs

    Clenilson, isso é crise NO capitalismo. Pelo menos o capitalismo traz em si mesmo a solução para as crises que dele surgem.
    Isso até Marx reconheceu.

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