Mil funcionários da Reunalt no olho da rua por cinco meses | Fábio Campana

Mil funcionários da Reunalt no olho da rua por cinco meses

Felipe Laufer na Gazeta do Povo:

Com um estoque de 3 mil automóveis e a produção parada desde 25 de novembro, a Renault vai suspender, por cinco meses, o contrato de mil trabalhadores da fábrica de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. O artifício da suspensão temporária foi a alternativa encontrada pela empresa e pelo Sindicato dos Metalúrgicos (SMC) para evitar a demissão dos funcionários, no que seria o maior corte de pessoal da história da indústria metalúrgica paranaense.

Ontem, segundo o sindicato, foi firmado um protocolo de intenções definindo os moldes do acordo, que deve ser assinado após 5 de janeiro, quando os funcionários retornarem das férias coletivas e aprovarem o mecanismo. A Renault está em recesso por ocasião das festas de fim de ano e ninguém foi encontrado para comentar o assunto.

A suspensão deve abranger todos os trabalhadores do segundo turno da produção da Renault (700 pessoas) e uma parte do primeiro turno (outras 300 pessoas). O presidente do SMC, Sérgio Butka, explicou que, durante estes cinco meses, os “suspensos” não terão perda salarial – uma parte da remuneração virá do seguro-desemprego do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o restante virá da empresa. Os demais benefícios, como férias, décimo-salário e FGTS, continuam sendo pagos pela montadora.

Segundo Butka, o protocolo de intenções firmado ontem também prevê que, em caso de demissão após os cinco meses de contrato suspenso, a empresa se compromete a pagar igual parcela à desembolsada pelo FAT para os demitidos. Isso porque a lei brasileira prevê que, após o pagamento do seguro-desemprego pelo FAT, o trabalhador só pode recebê-lo novamente após 16 meses de contribuição previdenciária. “Nós apostamos que nos próximos cinco meses vamos retomar a produção. Se não tiver jeito, nos 16 meses seguintes a empresa vai ter que desembolsar aquilo que o FAT já pagou para o trabalhador.”

Durante o período em que o contrato estiver suspenso, os trabalhadores receberão treinamento da empresa, conforme prevê a legislação trabalhista.

Sérgio Butka conta que a Renault tem 3 mil automóveis em estoque, o que correponde a uma produção para três meses de vendas. Com a suspensão dos contratos, a fábrica de São José dos Pinhais funcionará em apenas um turno, com a produção diária de 300 carros. O número de trabalhadores afetados pela medida representa 40% do “chão de fábrica” da Renault, de acordo com o SMC.

“Nós nunca vivemos uma situação dessa. Já estivemos em outras crises, mas não com um volume de demissões como o que a Renault estava querendo fazer. Claro que o parque industrial era menor, as maiores empresas antes tinham até 700 funcionarios”, disse Sérgio Butka, que está há cerca de 20 anos no sindicato.


2 comentários

  1. O Bobo do Corte
    quarta-feira, 24 de dezembro de 2008 – 8:03 hs

    Onde estão os áulicos de sempre, dia e noite dispostos a babar os ovos do Lerner e sua turma de pelintres fichados e procesados pela Justiça, mas sempre protegidos pelo MPE?

  2. SYLVIO SEBASTIANI
    quinta-feira, 25 de dezembro de 2008 – 15:05 hs

    ACHO QUE ESTÁ HAVENDO UM ENGANO SENHOR SERGIO BUTKA, O PRESIDENTE LULA, DO PT, DISSE QUE NÃO HAVERIA CRISE, QUE ERA APENAS UMA MAROLA E PARA O POVO COMPRAR, COMPRAR, COMPRAR, TUDO QUE QUIZER. SEM EMPREGO ESSES MIL FUNCIONARIOS COMO VÃO “PAGAR, PAGAR, PAGAR….!”

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