PMDB não fará aliança nacional em 2010 | Fábio Campana

PMDB não fará aliança nacional em 2010

Caciques do PMDB entendem e confessam que a legenda virou partido de ocasião dividido por interesses regionais. Por isso mesmo o PMDB não terá candidato próprio à presidência em 2010, assim como não fará aliança nacional com nenhum dos dois lados da disputa – nem com o PT nem com o PSDB.

Sem aliança formalizada em âmbito nacional, não poderá ambicionar sequer um candidato a vice em um dos lados. Quem garante tudo isso são os caciques do partido, que vão mais longe: daqui até 2010, ninguém conseguirá ter “o partido inteiro”; as seções regionais vão apoiar um ou outro candidato e a maioria só vai se decidir sobre qual deles na “curva de Hamilton”.

A referência à conquista do piloto inglês Lewis Hamilton, que ganhou o campeonato mundial de pilotos na última curva da última corrida, domingo passado, dá bem a medida de como os próprios caciques reconhecem que o PMDB, em sua maior parte, se tornou um partido de ocasião. Ainda existem seções “ideológicas” – como em Pernambuco e no Rio Grande do Sul –, mas na maior parte dos estados os líderes escolhem seu destino político mapeando a proximidade com o poder.

Com o fim da verticalização, o PMDB se adaptou a uma estratégia de sobrevivência que lhe permite, nas eleições nacionais, fazer acordos variados nos estados. Dois anos antes da eleição presidencial de 2010, algumas seções estaduais do partido já pendem para o PT (ou “o candidato de Lula”) ou PSDB (ou “o Serra”), mas a grande maioria vai aguardar para só revelar sua preferência na última curva. Até lá, a maioria vai usufruir de cargos e benefícios concedidos pelo governo federal.

São Paulo e Pernambuco estão desde já com a eventual candidatura do governador José Serra e não fazem segredo disso. “Há possibilidade de conquistar muitas adesões para o Serra”, diz o ex-governador Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista. O Rio Grande do Sul do prefeito José Fogaça e do senador Pedro Simon, e Santa Catarina do governador Luiz Henrique devem se encaminhar para Serra.

A Bahia do ministro Geddel Vieira Lima é dada como aliada certa do candidato do PT, assim como o Rio de Janeiro do governador Sérgio Cabral, o Rio Grande do Norte do deputado Henrique Eduardo Alves e o Amazonas do governador Eduardo Braga. Mas ninguém antecipa tendências no Maranhão do senador José Sarney, ou Alagoas do senador Renan Calheiros e Goiás do prefeito Iris Rezende – que acaba de se reeleger com o apoio do PT, mas é conservador.

Poucos falam abertamente sobre suas preferências. “O partido não vai decidir rápido”, admite o governador Paulo Hartung (ES). O senador Jarbas Vasconcelos (PE) vai mais longe: “O PMDB não tem homogeneidade”. Não tem mesmo. As seções estaduais não obedecem a um comando nacional e fazem política de acordo com seus interesses regionais, reconhecem os caciques do próprio partido. E é exatamente por isso que a legenda consegue eleger boas bancadas, observa um cacique estadual.


3 comentários

  1. ronaldo
    segunda-feira, 10 de novembro de 2008 – 11:14 hs

    Perguntar não ofende, o POVO ficou preocupado com essa descisão desse partido?

  2. Shirley
    segunda-feira, 10 de novembro de 2008 – 13:04 hs

    Todo mundo sabe que o candidato do partido é Requião.

  3. Luis Konig -Contenda
    segunda-feira, 10 de novembro de 2008 – 13:12 hs

    ESPELHA O PMDB QUE CONHECEMOS NO INTERIOR. CANDIDATOS DESTE PARTIDO PEDIRAM NAS ELEIÇÕES VOTOS PARA O OSMAR DIAS. PENA QUE EXISTEM PEMEDEBISTAS DE LUTA, A EX. DO PESSUTÃO, QUE PODEM SE DESGASTAR COM O TEMPO.

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