Na era Obama, solução brasileira é criação de delegacias para "crimes étnico-raciais" | Fábio Campana

Na era Obama, solução brasileira é criação de delegacias para “crimes étnico-raciais”

Do Josias de Souza:

“Eu tenho um sonho, no qual minhas quatro pequenas crianças viverão num país onde não serão julgadas pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter”.

São Palavras de Martin Luther King. Pronunciadas em 1963, num discurso para 200 mil pessoas, reunidas em Washington, diante da estátua de Lincoln.

Naquele tempo, nalguns Estados americanos, negros eram proibidos de votar. Noutros, onde se permitia o voto, não havia candidatos que falassem ao coração dos negros.

A renda de uma família negra equivalia, nos EUA de então, a algo como metade da remuneração das famílias brancas. Fenômeno encontradiço no Brasil de hoje.

Contra um flagelo hediondo, Mister King receitava solução cuja lógica estava na simplicidade:

“Uma sociedade que fez coisas especiais contra o negro durante centenas de anos agora precisa fazer alguma coisa especial por ele, equipando-o para competir numa base justa e igual”.

Decorridos 45 anos, Barack Obama freqüenta o noticiário do mundo como evidência de que “coisas especiais”, quando efetivas, de fato levam à competição em “base justa e igual”.

Beneficiário de políticas públicas que o conduziram de um lar mestiço do Havaí à Universidade de Harvard, Obama está a um passo da eleição que pode acomodá-lo na Casa Branca.

Em meio a esse cenário benfazejo, surge no Brasil uma idéia extravagante: a criação, em todos os Estados, de delegacias especializadas em “crimes étnico-raciais”.

Deve-se a novidade ao ministro da Igualdade Racial, Edson Santos (na foto). Ele promete até ajuda financeira aos Estados que aderirem à inovação. Coisa mixuruca: R$ 100 mil.

Ao tempo em que festeja o êxito de Obama –“Seria extraordinário ter um negro à frente da maior economia do mundo”—, Lula deveria chamar o seu ministro para uma conversa.

Escaparia do ridículo se conseguisse explicar ao doutor Santos que a saída para a eliminação das diferenças raciais está na escola, não na delegacia.

Lula não incorreria em pecado se soasse presunçoso. Poderia dizer ao auxiliar algo assim:

“Nunca antes na história desse país nenhum outro presidente ousara indicar um negro para o STF”.

Com um mínimo de sagacidade, o ministro Santos perceberia que, beneficiado com “alguma coisa especial”, o doutor Joaquim Barbosa, soube cavar o seu verbete na enciclopédia.

Não fosse por outros feitos, justificou nas páginas do voto do mensalão cada centavo que o contribuinte brasileiro –branco ou negro— investiu na sua formação.

O negro Edson Santos prestaria enorme serviço aos negros do país se evitasse a falsa solução para um problema que é real.

Delegacias há muitas no Brasil. Coisa rara é universidade com mais do que 5% de alunos negros acomodados em suas carteiras.


8 comentários

  1. UM SONHADOR
    sábado, 1 de novembro de 2008 – 22:44 hs

    No Brasil não existe racismo como afirma a maioria da população.
    Torço pela vitória do Obama, mas não espero muita mudança para os negros brasileiros.
    Pergunto: se você tiver que optar entre dar um emprego para uma pessoa branca e uma negra, com a mesma formação e graduação escolar a quem você escolherá? Não faça demagogia. Responda sinceramente.
    Quantos negros existem no Primeiro Escalão do Governo do Beto Richa>
    Quantos negros existem no Gabinete do Requião ou de ualuer secretário municipal ou estadual.
    Procurem e respondam depois.
    Quantos negros frequentaram a Universidade com você? Lembra os nomes?
    Em Curitiba não existe negro?

  2. Anônimo
    domingo, 2 de novembro de 2008 – 9:44 hs

    Ações afirmativas são produto de mediocridade e tibieza. Estamos criando o culto ao atraso. O importante não é a cor da pele, e sim, a vontade, o esforço, o trabalho, o estudo, para “subir” na vida. Preto ou branco, meritocracia neles!

  3. Carlos Augusto
    domingo, 2 de novembro de 2008 – 10:05 hs

    Meritocracia…Hipocrisia é isso sim. Aqui em Curtiba essa delegacia vai ficar cheia pois os avós das vinte e seis familias que mandam na cidade eram todos donos e algozes de milhares de escravos.Basta ir na Biblioteca Publica e recorrer a estudos realizados pela UFPR para saber que os “democratas” de hoje ainda tem sangue e suor de escravos manchando as fazendas,terrenos e prédios de apartamento que seus “papis” deixaram para eles…E pensam , no fundo, que ainda são importantes porque são netos de donos de escravos…

  4. domingo, 2 de novembro de 2008 – 10:32 hs

    O que importa se o candidato é azul, preto branco ou amarelo ? eu hein ! Mas nessas horas sempre tem um OPORTUNISTA de plantão para dar o golpe.

  5. Felipe Andre Klemba
    domingo, 2 de novembro de 2008 – 11:08 hs

    Obama é brasileiroo!!
    Obama da silva!!!!!

  6. UM SONHADOR
    domingo, 2 de novembro de 2008 – 14:25 hs

    SUZANA:
    Você não sabe nada da vida, quanto mais sobre negritude.
    Com quantos negros você convive e convida para sua casa e mesa?

  7. Centro
    domingo, 2 de novembro de 2008 – 16:26 hs

    dividir para conquistar….tipico do PT

  8. Pensador
    segunda-feira, 3 de novembro de 2008 – 11:38 hs

    Afinal, é para discriminar pela cor da pele ou não ? E mais: só vale discriminar “para o bem” os negros afro-descendentes ? E os indo- descendentes, os indígenas, os demais mestiços ? Coisa mais contraditória…

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