PMDB entra de sola na disputa dos comandos do Senado e da Câmara | Fábio Campana

PMDB entra de sola na disputa dos comandos do Senado e da Câmara

De Marcos Chagas na Agência Brasil

Autoridades do governo e os partidos da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apostam no tempo para tentar manter a equivalência de poderes entre o PMDB e o PT nas presidências do Senado e da Câmara dos Deputados. Os peemedebistas (foto) já lançaram a candidatura do deputado Michel Temer para a presidência da Câmara e agora se articulam também para continuar no comando do Senado.

Em entrevista à Agência Brasil, o ministro de Relações Institucionais da Presidência da República, José Múcio Monteiro, disse que o governo está atento para não permitir qualquer fracionamento na sua base de apoio no Congresso Nacional. Acrescentou que há tempo até as eleições das Mesas Diretoras, em fevereiro de 2009, para que se chegue a um acordo entre os aliados.

Amanhã (3), às 10h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne-se com o Conselho Político e o ministro acredita que esse é um dos assuntos que deverão ser tratados. “Num governo de coalizão tão grande como o do presidente Lula não podemos permitir fracionamentos na nossa base aliada. No entanto, tem muito tempo pela frente e não podemos nos precipitar”, afirmou o ministro.

No PMDB, já se fala numa eventual candidatura do senador José Sarney (AP), que presidiu a Casa por duas vezes. Já o PT tem no primeiro vice-presidente, Tião Vianna (AC), o nome para assumir o cargo no ano que vem. Para o ministro José Múcio Monteiro, no entanto, o momento agora “é de avaliações”.

Esse é o mesmo raciocínio da líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). A senadora lamenta que a disputa pela Presidência do Senado tenha começado “antes do tempo devido”. Acrescentou que agora cabe ao partido “trabalhar com muita calma” para tentar viabilizar o nome do senador Tião Vianna.

A líder petista considera que na semana passada houve avanços significativos em favor do petista. Como exemplo, a senadora comentou as resistências que teriam na bancada do PSDB a entregar as presidências da Câmara e do Senado aos peemedebistas.

Ela também questiona o argumento utilizado por parlamentares do PMDB de que, por ser o maior partido na Câmara e no Senado, a legenda tem o direito de comandar as duas Casas. “Se somarmos as bancadas de todos os partidos se vê que o PMDB não chega a um quinto da representação no Congresso. Portanto, eu acho que ter a presidência nas duas Casas não seria adequado por causa da concentração de poderes”, afirmou.

Essa, no entanto, não é a opinião do líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO). Ele não vê problemas em seu partido ter a presidência da Câmara e do Senado. “Se o PMDB tivesse a Presidência da República tudo bem, haveria uma concentração de poderes, o que não é o caso”, acrescentou.

Ele considera que se não houver qualquer objeção no Democratas e no PSDB dificilmente os peemedebistas deixarão de continuar na presidência do Senado. Quanto a entregar o cargo aos petistas, Raupp considera que Tião Vianna não seria um mal presidente. Entretanto, ressalva que “o problema é que o senador está num partido pequeno”.

Valdir Raupp, que foi sempre um crítico da antecipação do processo eleitoral para as presidências da Câmara e do Senado, acredita no entendimento dos partidos da base e da oposição em torno das candidaturas de Michel Temer para a Câmara e de um nome ainda a ser definido na bancada peemedebista para o Senado.

Já o líder do PSB, Renato Casagrande (ES), destaca que as sucessões no Congresso serão complexas, especialmente no que diz respeito ao Senado, e o governo terá que entrar nessas articulações se quiser manter a harmonia em sua base política. “O governo vai ter que entrar fundo nessa articulação”, disse ele, acrescentando ser um defensor do equilíbrio de forças no Parlamento.


7 comentários

  1. indignada
    domingo, 2 de novembro de 2008 – 21:23 hs

    Qual a verdadeira função do voto, se lá no planalto, já deixamos de ser lembrado.
    O senador Sarney no poder desde a época de jânio quadros…isso mais parece um reinado do que um partido político.
    Outra figura polêmica Renan Calheiros, são todos pesos voltados para o interesse de perpetuarem no poder.
    Os verdadeiros entraves da nação.

  2. jortega
    domingo, 2 de novembro de 2008 – 22:42 hs

    pmdb= partido da geléia nacional, bando de fdp… sempre lambendo o poder, seja quem for…..

  3. Berko
    domingo, 2 de novembro de 2008 – 23:00 hs

    E esse Sarney é a referência política do Requião.

  4. Sérvolo de Oliveira
    segunda-feira, 3 de novembro de 2008 – 0:34 hs

    Não acredito que os setores histótricos e progressistas do PMDB queiram pagar o preço de uma centralização injustificável no congresso nacional. O PT venceu com sobras nas cidades acima de 200.000 eleitores e foi o partido que mais cresceu nestas eleições.
    Além disso quebraria uma tradição republicana salutar e imemorável da alternância do poder, de qualquer forma ha se acreditar nas notícias … e o que podemos esperar. A quem isso interessa?

  5. Carlos Augusto
    segunda-feira, 3 de novembro de 2008 – 8:29 hs

    Infelizmente, o PMDB é o que já se sabe que é: uma federação de caciques que foram da oposição à ARENA por falta de espaço para eles na mesma. Aqui na provincia, “Como perder as eleições e ganhar mais poder” é a máxima teórica, adaptada de “O Príncipe” de Maquiavel,preferida do Mestre Requião. Ou alguém ainda acha que o Moreira, candidato do “Duce das Araucárias”, teria feito só 1,5% de votos sem que Requião soubesse que ia dar nisso mesmo e não quizesse que fosse esse mesmo o resultado? Numa tacada de Mestre, o nosso Principe acha que matou dois coelhos de uma cajadada.Primeiro, impediu que crescesse uma nova liderança do PMDB.Segundo deu a impressão que estava, “cristianizando” seu candidato e apoiando Gleisi, para tentar enganar a militância do PT e cumprindo um velho acordo nesse sentido em troca do apoio em 2004. Para pessoas que só visam o poder, fazer seu partido perder as eleições pode ser ótimo, sabiam? Às vezes essa é a única maneira de não deixar crescer cobras que venham a mordê-las. É a melhor maneira de fazer com que outro grupo, ou liderança, dentro do mesmo partido, não tenha a mínima chance de tomar-lhes o lugar. Ainda mais se o grupo dirigente sinalize a todos que, mesmo com o partido derrotado, será ele, esse grupo no poder, quem terá a primazia na hora de negociar e distribuir cargos secundários com o futuro “governo de coalizão”…Afinal, a distribuição de cargos sempre foi e continuará sendo um poderoso argumento do debate político…O PT perdeu as eleições no Paraná de forma estranha , vergonhosa e descabida frente aos demais resultados nacionais por que sua direção, ou a parte hoje mais poderosa dela, parece ter esposado a teoria de que, já que não poderia mesmo ganhar as eleições, pois passaram quatro anos sem fazer oposição ao Beto Richa, “O PT poderia e até deveria mesmo perder feio as eleições em Curitiba, para ganharmos mais poder no PT e cargos no próximo governo do Osmar”. Afinal, com derrotas arrasadoras em Ponta Grossa, Cascavel, Londrina e Curitiba, seria mais fácil convencer os “esquerdinhas” e à militância sincera, mas ingênua, de que, não há nada a fazer e que a única saída é aliar-se ao Barbudo Terrível, ( também conhecido como o Barão de Tocantins ) já no primeiro turno ou no segundo. Só assim esse pessoal que é PT até embaixo dágua, irá apoiar o Osmar, ou tolerá-lo, apesar da presença de Lerner, Cássio, Lupion e outras estrelas desse naipe na “coalizão do “Coração Vermelho”, ou melhor “do Coração Cor-de-Rosa”…
    Duvidam? Então aguardem e verão! Guardem bem esse comentário para comparar com a realidade no ano que vem…Gostam de cinema? Então sugiro pegarem na locadora o clássico “Coração Valente” de Mel Gibson, para entender como essa teoria funcionou bem quando os ingleses conseguiram anexar a Escócia…trocando terras na Inglaterra por terras na EScócia, com os nobres daquele país…deixando William Sem-Medo, sozinho em sua luta pela independência…

  6. Zé do Coco
    segunda-feira, 3 de novembro de 2008 – 10:15 hs

    Não é culpa deles não, gente. Eles estão muito bem na deles, que é locupletar.
    Culpados são os que votam nessa malta.

  7. Vigilante do Portão
    segunda-feira, 3 de novembro de 2008 – 11:40 hs

    Que foto heim? Somando dá uns 500 anos… de cadeia, é claro. KKK

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