Crise muda o cenário das eleições de 2010 | Fábio Campana

Crise muda o cenário das eleições de 2010

De Josias de Souza na Folha Online

Lula foi compelido a incluir no cenário da sucessão presidencial uma variável que não constava dos seus planos até meados de setembro. Projeções oficiais farejam um 2010 azedo. Técnicos do governo prevêem que os efeitos da crise serão sentidos de maneira mais dramática justamente no ano da eleição.

Na última terça-feira (28), como que rendido às avaliações que lhe chegam à mesa, Lula disse a um governador: “A eleição será mais dura do que a gente imaginava”. Iniciada do meio para o final de setembro, a ruína que envenenou a saúde financeira do planeta não chegará a comprometer o desempenho do Brasil em 2008. O governo continua estimando para o ano em curso um PIB ao redor de 5%.
Aposta-se que o bom desempenho do ano repercutirá sobre o começo de 2009. Os lucros amealhados pelas empresas na fase pré-crise continuarão pingando nas arcas da União no primeiro semestre do próximo ano. A partir daí, prevêem os técnicos, a desaceleração da economia brasileira começará a roer o IRJP (Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas).

E o governo vai a 2010 com uma arrecadação tributária declinante. Vale dizer: Lula chega ao ano da sucessão com menos bala na agulha. O presidente encomendou à equipe econômica uma reavaliação do Orçamento de 2009. Espera ter os dados em mãos antes do final de novembro. Lula já fixou as linhas gerais da estratégia que adotará para evitar que a “marolinha” financeira engolfe o plano de fazer de Dilma Rousseff uma presidenciável competitiva.

Eis alguns dos princípios definidos pelo presidente:

1. Definhando as receitas, o governo não hesitará em cortar os gastos;

2. A lâmina será seletiva. Ficam de fora obras de infra-estrutura e programas sociais. O PAC e o Bolsa Família são, no dizer de Lula, “intocáveis”;

3. Tampouco o aumento do salário mínimo (12%, em fevereiro de 2009) será alcançado pela faca;

4. Na contramão da retração das empresas, o governo pretende pisar no acelerador em 2009, ao preço de uma redução no superávit fiscal;

5. Em vez de poupar o equivalente a 4,3% do PIB, como previsto na versão inicial do Orçamento de 2009, a economia será de, no máximo, 3,8%.

6. Com isso, o governo passará a dispor de algo como R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões para investir. Numa fase em que o empresariado estará com o pé no freio;

7. A esse valor podem ser acrescidos, se necessário, os R$ 14 bilhões que a Fazenda destinou, em 2008, ao Fundo Soberano. Daí a pressa em aprovar o fundo no Congresso.

Lula age de olho no ânimo do brasileiro. Tenta salvar a boa avaliação que as pesquisas de opinião lhe atribuem.

Não pode evitar que a economia murche. Mas acha que pode impedir que ela definhe.


3 comentários

  1. eliete
    domingo, 2 de novembro de 2008 – 13:04 hs

    para que votar se qualquer um pode anular o nosso voto

  2. domingo, 2 de novembro de 2008 – 22:43 hs

    Sera que os candidatos não terão dinheiro para gastar?

  3. Sérvolo de Oliveira
    segunda-feira, 3 de novembro de 2008 – 0:59 hs

    Alguém aqui lembra como o governo Lula assumiu o Brasil, a taxa de juros, o dólar, as reservas cambiais, o desemprego, economia. Voces lembram Imaginem essa crise mundial na época daquele governo PSDB/DEMO.
    Acredito que a equipe econômica do Lula acerta de novo, mantendo os investimentos no PAC,nos programas sociais, no aumento do salário mínimo, por exemplo. Vão alguns anéis (se forem) mas os dedos ficaram intactos, sem nehum trocadilho.

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