Caingangues exigem indenização da Copel | Fábio Campana

Caingangues exigem indenização da Copel

De Fernanda Borges na Folha de Londrina

Índios caingangues da Reserva Indígena Barão de Antonina, próximo ao município de São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio) ameaçam incendiar uma torre de transmissão de energia da Copel. O grupo está acampado há cinco dias nas proximidades da torre e afirma que segunda-feira será o último prazo para que a companhia apresente uma proposta concreta de pagamento da indenização pelo uso da área.

Durante a tarde de ontem o cacique da aldeia, Alexandre Almeida, não estava conseguindo conter os índios. O grupo, que conta com cerca de 110 famílias (cerca de 400 pessoas) preparou uma fogueira e começou a jogar combustíveis sobre a lenha colocada embaixo da torre.


De acordo com o cacique, há cerca de três anos a Copel firmou um acordo com o grupo e já vem pagando um montante de R$ 25 mil anuais. Mas os índios não estão satisfeitos e exigem R$ 3,5 milhões pelo uso da área que, segundo eles, foi destruída para a instalação das torres. ”É nosso direito receber pelo que foi destruído aqui da nossa terra. Em todo esse trecho por onde passam as torres a gente não pode plantar mais nada”, reclamou o cacique.

Os índios estão dormindo e se alimentando no acampamento improvisado com a presença de dezenas de crianças. As mulheres torcem pelo fim do impasse e afirmam que as crianças estão sendo prejudicadas já que não comem nem dormem direito. ”Fiz um remédio natural hoje para várias crianças porque estão todas ficando cansadas. A gente quer voltar pra casa, continuar com nossos trabalhos, queremos que isso se resolva logo”, reclamou a caingang Francisca Vargas, 54 anos. Os índios cultivam diversas culturas na reserva que tem uma área de 3.750 hectares.

Durante reunião ontem com representantes da Copel, na sede do Ministério Público Federal em Londrina, a Copel apresentou contraproposta de R$ 1 milhão. ”A gente não consegue saber em que pé estão as negociações. Ninguém da Copel veio até aqui e se não for resolvido, na segunda-feira, a gente queima a torre”, afirmou o cacique.

A reportagem não conseguiu contato com o administrador da Funai em Londrina que está acompanhando o caso. A assessoria de imprensa da Copel explicou que o acordo, Ministério Público, só pode ser fechado após emissão de parecer da Procuradoria Geral da República. A empresa garantiu que não haveria prejuízo no fornecimento de energia – caso houvesse o incêndio – porque o sistema é interligado e em casos de danos é feito um remanejamento na rede.


2 comentários

  1. Zé do Coco
    domingo, 23 de novembro de 2008 – 9:54 hs

    Se eles fizerem isso, que sejam penalizados financeiramente, para indenizar os prejuízos ao restante da população.
    E que sejam cortados os fornecimentos de energia elétrica gratuita a eles enquanto as obras de restauração das torres danificadas e normalizado o fornecimento de energia às regiões afetadas.
    Que nós, que realmente pagamos impostos para sustentar esses imbecis, sejamos isentos de impostos pelo período em que o fornecimento não for regularizado.
    Por último, mas não menos importante, que os danos em nossas casas pela suspensão no fornecimento de energia sejam debitados a eles e nós sejamos indenizados pelas formas de costume.

  2. Rafael Filippin
    terça-feira, 25 de novembro de 2008 – 11:51 hs

    Os índios kaingang e guarani no Paraná têm sido tratados desumanamente pela COPEL, pela ELETROSUL, pela ITAIPU e outras empresas do setor elétrico há décadas. Só muito recentemente, após a mobilização das comunidades, o ajuizamento de ações pelo MPF e por entidades da sociedade civil organizada é que a situação começou a mudar. Infelizmente ainda há brasileiros, como o cidadão acima, que se utiliza covardemente do anonimato para disseminar o racismo e desprezo pelos povos indígenas, fato este que tem impedido um tratamento mais digno para questão indígena. A usina de Mauá, por exemplo, está sendo contruída em cima de terras indígenas não tituladas e é outro fato que logo, logo fará com que estes povos se mobilizem mais uma vez. Cabe ao Poder Judiciário resolver e logo essas questões, senão o pouco que restou desses povos certamente será dizimado.

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