Brasil teme que, sob Obama, protecionismo aumente | Fábio Campana

Brasil teme que, sob Obama, protecionismo aumente

De Josias de Souza, na Folha Online:

Lula vai passar a semana no exterior. De segunda (10) a quinta (13), estará em Roma. Na sexta (14), amanhecerá em Washington.

O presidente viaja munido de informações que o deixaram preocupado. São análises produzidas pelo Itamaraty.

Prevêem que, sob a administração de Barack Obama, os EUA tendem a manter e até aprofundar o protecionismo econômico.

Ontem, discursando na abertura do G20, em São Paulo, Lula ensaiou um palavrório que pretende repisar no exterior, sobretudo na capital americana:

“O Brasil acredita que os países devem evitar a tentação de utilizar o protecionismo financeiro e comercial como artifício para superar a crise”, disse.

Defendeu a retomada do diálogo de Doha, a rodada de negociações comerciais que emperrou na OMC (Organização Mundial do Comércio).

“A conclusão da Rodada Doha deixou de ser uma oportunidade para se tornar uma necessidade”.

A julgar pela avaliação do Itamaraty, a chance de a pregação de Lula sensibilizar os EUA aproxima-se de zero.

Ilustração: El Roto/El Pais

A chancelaria brasileira estima que, nos próximos anos, o governo americano deve conspirar contra o fechamento de um acordo na OMC.

Recorda-se que, durante a campanha eleitoral, Obama se revelou contrário à reabertura da mesa de negociações de Doha.

Prevê-se que a desaceleração da economia americana deve tonificar no Congresso dos EUA o discurso de timbre protecionista.

Um discurso que virá escorado no argumento de que a prioridade dos EUA deve ser a proteção do emprego de seus cidadãos, não o livre comércio.

Reza a legislação americana que a Casa Branca precisa da autorização do Legislativo para negociar acordos internacionais de comércio.

E a crise levará os congressistas a olharem para o umbigo do eleitor americano, inquieto com as ameaças que pairam sobre a estabilidade dos seus empregos.

Para o Itamaraty, o movimento rumo à restrição da abertura comercial viria mesmo se o eleito tivesse sido John McCain, do Partido Republicano, tradicionalmente mais liberal.

Com o democrata Obama, imagina a diplomacia brasileira, a coisa tende a ser pior. Principalmente porque as eleições da semana passsada tonificaram a maioria democrata no Congresso.

Em meio a esse ambiente adverso, Lula deve pregar no deserto. Pior: falará numa reunião do G20 convocada por George Bush, um beduíno em fim de linha.

A cúpula de países emergentes e ricos será no sábado (15). Na noite da véspera, Lula participa de um jantar na Casa Branca, oferecido por Bush aos chefes de Estado do G20.


4 comentários

  1. Zé do Coco
    domingo, 9 de novembro de 2008 – 19:10 hs

    Nos Estados Unidos, os republicanos diferem dos democratas por ser mais liberais. Podem esperar que os Estados Unidos vão MESMO fechar algumas torneirinhas.
    Antes o energúmeno se gabava, em reuniões com seus amiguinhos da América do Sul, de que telefonava ao Buxi para puxar-lhe as orelhas, chamando-o de “meu filho”…

  2. Ivo Pugnaloni
    domingo, 9 de novembro de 2008 – 22:03 hs

    Do blog do Alon de hoje:

    “Mais à direita do que à esquerda, mas em todo o espectro da política, ouvem-se as inevitáveis previsões de que um dos maiores problemas de Barack Obama será atender às demandas despertadas por ele na campanha eleitoral. Você certamente se lembra de ter ouvido pelo menos algo parecido aqui no Brasil, com Luiz Inácio Lula da Silva: “Quero ver ele conseguir cumprir tudo o que prometeu, quero ver ele resolver todos os problemas que apontou.” A imprensa está entupida desse tipo de bobagem no fim de semana. O que talvez as pessoas não percebam agora para os Estados Unidos (assim como não perceberam para o Brasil seis anos atrás) é que o eleitor comum não se inclinou por Obama em busca de um messias, ou de um resolverdor-geral imediato de encrencas. A maioria do eleitorado americano optou por ele para liderar o país numa época difícil, para mudar de rumo. Uma ótima reportagem do The New York Times feita em Levittown, na Pensilvânia, ajuda a compreender melhor. A área é esmagadoramente branca, operária e de classe média. Aliás, a reportagem mostra, mais uma vez, o quanto a questão racial ocupou lugar secundaríssimo este ano nos critérios de escolha do nome para morar na Casa Branca. Como já se afirmou aqui (Esquerda e direita e Barreira, e não motivo), o fato de Obama ser negro foi um obstáculo a ser superado pelo eleitor médio nos Estados Unidos, não foi motivo para que esse eleitor votasse nele. Mas, fazer o quê? The show must go on. A turma não está deleitada discutindo o cachorrinho que as Obamas vão levar para a Casa Branca? E tem outra, especificamente aqui no Brasil: se o pessoal não for discutir a cor de Barack Obama vai ter que debater coisinhas mais incômodas Que o país mais rico do mundo não consegue oferecer para quem não tem (muito) dinheiro saúde de qualidade pelo menos igual à brasileira. Que o sistema privado de previdência mostrou não oferecer a mínima segurança para quem vai se aposentar. Que o mercado deixado à própria sorte leva a economia à catástrofe. Que a intervenção do Estado é a única maneira de salvar a sociedade da cobiça ilimitada dos capitalistas. Dito isso, diga você mesmo qual destas duas opções é mais conveniente ficar martelando na cabeça das pessoas: 1) que os Estados Unidos são um país tão legal que elegeram um negro para a Presidência da República, ou 2) que a direita empurrou os Estados Unidos para um buraco tão fundo que a sociedade americana, reconhecidamente marcada pelo racismo, preferiu até escolher um negro em vez de arriscar eleger novamente alguém do Partido Republicano.”

    http://twitter.com/alonfe

  3. domingo, 9 de novembro de 2008 – 23:33 hs

    Os democratas são mais protecionistas que os republicanos, isso todos sabem.

    Se o protecionismo for predatório, os Governos podem e devem recorrer a OMC – indiferente da rodada de Doha as praticas desleais de comércio são proibidas pelas normas da institição multilateral.

    Se a turma do lula não sabe como fazer, chama o FHC e o Serra que eles sabem…

  4. segunda-feira, 10 de novembro de 2008 – 0:07 hs

    Valeu Zé do Coco !

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