"Todos perderam na eleição de outubro", diz Marcos Coimbra | Fábio Campana

“Todos perderam na eleição de outubro”, diz Marcos Coimbra

Na avaliação de Marcos Coimbra, diretor do Vox Populi, o pleito municipal fortaleceu os prefeitos, e não os líderes nacionais ou seus partidos.

Coimbra é um dos mais experientes analistas de eleições do Brasil. Para Coimbra, não é possível apontar um vencedor nas eleições municipais concluídas no domingo passado. “De uma maneira geral, todos os principais atores do jogo político nacional perderam nessa eleição”, diz ele.

Para Coimbra, nem o PMDB, que saiu com o maior número de prefeitos, pode ser apontado como um vencedor das eleições. “O PMDB cresceu em cento e poucas cidades pequenas, mas essas vitórias têm muito mais a ver com os governos estaduais do que qualquer fenômeno nacional”, diz Coimbra.

Ele diz que o governador de São Paulo, José Serra, fez uma armação eleitoral bem-sucedida ao atrair o PMDB para o apoio à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo, mas é preciso esperar para ver se ela terá eficácia política para a sucessão presidencial em 2010. Para ler os principais trechos da entrevista que Coimbra deu á revista Época, clique no

ÉPOCA – Qual é a principal conclusão que se pode extrair da leitura dos resultados finais das eleições municipais deste ano?
Marcos Coimbra – Uma lição mais geral é que os eleitores raramente fazem aquilo que você espera que eles façam. Nessas eleições, os eleitores tiveram um comportamento bem diferente do que se imaginava que eles teriam. Pense nos principais atores do jogo político nacional. De maneira geral, todos perderam nessa eleição. Não houve nenhum vencedor nítido. O presidente Lula, por exemplo, se envolveu pessoalmente em várias eleições e, na maioria delas, não foi bem-sucedido. Esse conglomerado de lideranças chamado PMDB teve um pequeno crescimento em cidades pequenas e, nas capitais, a rigor, teve uma vitória por 0,5 ponto percentual no Rio de Janeiro.

ÉPOCA – O PMDB tem sido apontado, no entanto, como um dos grandes vitoriosos dessas eleições. O senhor não concorda então com essa visão?
Coimbra – O PMDB cresceu em cento e poucas cidades pequenas, mas essas vitórias têm muito mais a ver com os governos estaduais do que qualquer fenômeno nacional. Em termos de capitais, o PMDB apenas manteve as prefeituras que tinha e acrescentou o Rio. Quem é que vai achar que o José Fogaça ganhou em Porto Alegre por causa do PMDB? Ou o João Henrique em Salvador? Eles ganharam pela administração que estavam fazendo, pelo medo de interrupção. Mas não por algo que remotamente fosse parecido com o PMDB de antigamente que, este sim, ganhava eleições. No caso específico do Rio, veja quanto foi preciso fazer para o Eduardo Paes conseguir a vitória magra que o elegeu. Precisou juntar o Lula, todas as igrejas, o PT, a máquina do governo do Estado. Não me parece uma vitória eloqüente, numa cidade onde o prefeito não disputava a reeleição. Politicamente, quem ganhou foi o Gabeira. Se há um vencedor nítido nessa eleição, foram os prefeitos, desde os do PCdoB aos do DEM. Os eleitores votaram nos prefeitos e não nos partidos. Quem ganhou bem dentro do PT foram os prefeitos. A Luizianne Lins, por exemplo, ganhou muito bem em Fortaleza muito mais pelos seus méritos do que pelo apoio do presidente.

ÉPOCA – O governador José Serra não pode ser qualificado como um dos grandes vencedores da eleição? Sua candidatura a presidente em 2010 não sai fortalecida?
Coimbra – Nós temos aí duas premissas. É preciso ver se ganhar contra o seu partido é uma vitória realmente importante. Para quem pretende disputar uma eleição presidencial, às vezes, é mais importante mostrar a capacidade de unir do que capacidade de derrotar internamente. Não sei se a vitória do estilo de fazer política do Serra é mesmo uma vitória importante para 2010.

ÉPOCA – Como o senhor analisa a vitória do prefeito Gilberto Kassab em São Paulo?
Coimbra – É outro caso de prefeito que fazia uma administração bem avaliada e teve a oportunidade de contar na campanha com um bom tempo de televisão. Como todos os prefeitos, ele cresceu muito durante a eleição. Nós vimos isso em quase todas as capitais. O João Henrique, em Salvador, é um exemplo disso. Começou a eleição com apenas 20% de ótimo e bom e era considerado carta fora do baralho. Usou a televisão para mostrar o trabalho feito na prefeitura e começou a crescer. A história do Kassab não é diferente dessa. E aí a coligação feita com o PMDB se mostrou útil porque deu ao Kassab 50% mais de tempo de televisão do que a Marta no primeiro turno e condições de defender sua administração. Os gestos que o Serra fez durante a campanha – de se aliar com Orestes Quércia, de derrotar Geraldo Alckmin – mostraram-se eficazes eleitoralmente, mas não são tão relevantes quanto um prefeito progressivamente ir mostrando à cidade que estava fazendo um bom trabalho na prefeitura e deveria continuar. Por isso, o grande vencedor em São Paulo foi o próprio Kassab. Não foi o DEM, nem o José Serra, apesar de o Kassab, elegantemente, ter atribuído sua vitória ao Serra.

ÉPOCA – Mas a vitória eleitoral de Kassab não é uma vitória política de Serra?
Coimbra – Serra foi eficaz eleitoralmente, mas a sua vitória política é algo discutível porque ela projeta para 2010 uma repetição do mesmo cenário político das últimas quatro eleições presidenciais: mais um tucano de São Paulo se defrontando contra um candidato do PT. Não sei se o país precisa da enésima repetição do conflito PSDB contra PT, centrado na política de São Paulo. O que o Serra propõe ao país é a mesma armação política do governo FHC: uma coligação do PSDB mais à direita, com o DEM, e ancorada num pedaço do PMDB. Isso está longe de ser capaz de fazer avançar questões fundamentais para o país, relativas às reformas do financiamento do setor público.

ÉPOCA – Mas em que a reprodução desse cenário é ruim para a canditatura do Serra?
Coimbra – Ela pode ser até boa para a candidatura Serra, mas ela não é boa para o país. E a decisão que as elites políticas brasileiras vão ter de tomar em 2010 é uma decisão mais relevante do que apenas saber o que elas querem fazer em outubro de 2010 para superar essa paralisia decisória e esses impasses em relação às reformas, que não se resolveram nos oito anos de Fernando Henrique, nem nos oito anos de Lula. E, se não houver uma clara ultrapassagem desse tipo de modelo, não estou nada esperançoso com relação a 2010.

Veremos a repetição do que aconteceu nos últimos 16 anos: maiorias construídas pelo governo a toque de caixa, em torno de coligações com pedaços do PMDB e mais aquela penca de pequenos partidos que vão para o lado que assoprar o vento para assegurar a chamada governabilidade.

ÉPOCA – Mas o teste da convergência entre PT e PSDB não foi bem-sucedido. Márcio Lacerda passou um sufoco para vencer no segundo turno em Belo Horizonte. Coimbra – Aconteceu em Belo Horizonte exatamente o que aconteceu com o Lula em 2006. Em 2006, o que é hoje considerado quase unanimemente o político mais bem-sucedido da história recente do Brasil teve que ir para o segundo turno contra Geraldo Alckmin, que se mostrou na eleição de São Paulo um político de capacidade limitada. Lula foi obrigado a disputar um segundo turno, mas depois obteve a vitória que teria no primeiro. Em Belo Horizonte, ficou nítido que o eleitor queria conhecer mais e melhor os candidatos, que eram pouco conhecidos. Durante a campanha do primeiro turno, a campanha do Márcio Lacerda se centrou nele menos do que deveria. Esse problema, retrospectivamente, ficou claro.

ÉPOCA – Mas o resultado de Belo Horizonte não coloca em xeque a tese da convergência levantada pelo governador Aécio Neves?
Coimbra – Eu acho que não. O resultado eleitoral nem sempre é a mesma do resultado político. Se o Márcio Lacerda tivesse sido derrotado, talvez se pudesse dizer que as pessoas não compraram essa tese em Belo Horizonte. Mas não foi isso que aconteceu. Ele acabou tendo uma vitória muito expressiva no segundo turno, com 60% dos votos. Não ganhar em primeiro turno não me parece tão relevante.

ÉPOCA – Como fica a possível candidatura presidencial de Aécio em 2010?
Coimbra – O PSDB tem dois caminhos para 2010. O caminho do Serra é perfeitamente conhecido. Ele botou na mesa: confronto com o PT e coligação com o DEM, apoiada por um pedaço do PMDB, representado simbolicamente pelo Quércia. Essa foi a carta que ele pôs na mesa. A carta que o Aécio colocou na mesa é completamente diferente: uma coligação mais à esquerda, com uma outra geografia e as características de atitude e comportamento do Aécio, que é mais da convergência e do entendimento, características da política mineira e da escola familiar do Aécio. As duas se mostraram capazes de vencer, as duas ganharam no segundo turno, as duas tiveram mais ou menos a mesma proporção de votos. Se o teste é a eficácia eleitoral, tiveram mais ou menos o mesmo resultado. O resultado de São Paulo, do ponto de vista formal, é muito parecido com o de Belo Horizonte: vitória em segundo turno, com 60% dos votos. Com a grande notável diferença de que o Kassab estava no segundo ano de uma administração bem avaliada e o Márcio Lacerda nunca havia pisado num palanque. É claro também que a Marta era uma adversária muito mais forte para o Kassab do que o Geraldo Quintão, do PMDB, era para o Márcio Lacerda.

ÉPOCA – Como fica a candidatura da ministra Dilma Rousseff, depois que o poder de transferência de votos do presidente Lula mostrou-se inferior ao que se imaginava?
Coimbra – As urnas mostraram que o presidente Lula não foi um eleitor tão decisivo, ao contrário do que gente próxima a ele acreditava. Uma das características dessa eleição foi ter deixado completamente fora da discussão a ação do governo federal, coisa que nem sempre faz sentido. As oposições tiveram receio da popularidade do Lula e passaram, na melhor das hipóteses, a fazer silêncio sobre ele, permitindo que ele atravessasse as eleições sem sofrer questionamentos como o Fernando Henrique enfrentou nas duas eleições municipais pelas quais passou. Mesmo assim, a transferência de votos pelo Lula revelou-se limitada. Mas acho que a decisão sobre quem vai ser o candidato do presidente em 2010 não tem nada a ver com as eleições municipais. A Dilma será, ou deixará de ser, candidata por razões que não tem nada a ver com os resultados das eleições de 2008. A situação dela seria a mesma, tivesse a Maria do Rosário (candidata do PT em Porto Alegre) ganho ou não, tivesse a Gleise Hoffman (candidata do PT em Curitiba) ganho ou não (as duas foram apoiadas por Dilma durante a campanha).

FONTE – REVISTA ÉPOCA


4 comentários

  1. Advogado
    sábado, 1 de novembro de 2008 – 17:40 hs

    O Vox Populi deveria ser proibido de fazer pesquisas. O Marcos Coimbra sempre pareceu PT de carteirinha. Sempre consegue enxergar os fatos mais coloridos para o PT, e menos para os demais partidos.

  2. NÊGO
    sábado, 1 de novembro de 2008 – 19:36 hs

    Marcos Coimbra do PT????
    Esse Advogado não deve ter carteira da OAB!!!
    Coimbra é Tucanalha!!!!!
    A unica coisa certa do comentário é a armarção do Serra!!! Abre o olho Aécio Neves! Armação é com eles mesmo! Aécio terá que mudar de partido!!!!

  3. Carlos Augusto
    sábado, 1 de novembro de 2008 – 21:50 hs

    Reflexiones del compañero Fidel: Encuentro con Lula

    No es la inyección de dinero en sí a los países en desarrollo lo que critico en mi reflexión de ayer, como interpretaron algunos cables.

    Al escribir La Peor Variante, me refería a la forma y los objetivos de la inyección. He venido exponiendo la idea de que la crisis financiera es consecuencia de los privilegios concedidos en 1944 en Bretton Woods al capitalismo desarrollado en Estados Unidos, que emergía con un enorme poder militar y económico, próximo a concluir la Segunda Guerra Mundial. El fenómeno se repite con una frecuencia cada vez mayor.

    En carta al presidente de Brasil, Lula da Silva, que le envié apenas llegó a Cuba, ya que un encuentro conmigo no estaba programado en su breve visita a nuestro país, le escribí textualmente sobre ese punto:

    ‘Quien sea el gobernante de Estados Unidos después de la actual crisis, necesita sentir una fuerte presión de los pueblos del Tercer Mundo demandando soluciones en las que participen todos y no un grupo de Estados. Las naciones más ricas necesitan desesperadamente que los pobres consuman, de lo contrario se paralizarían sus centros productores de bienes y servicios. Que utilicen sus computadoras para calcular cuántos millones de millones deben invertir para que las naciones pobres se desarrollen sin destruir la ecología y la vida en nuestro planeta.’
    Para cualquier lector es obvio que, cuando hablo de invertir, me refiero a un aporte monetario al Tercer Mundo, fundamentalmente como crédito blando, con intereses de casi cero, en aras de un desarrollo racional que no destruya la ecología.

    Pude reunirme con Lula, quien solicitó verme a pesar de su ajustado programa, y conversar durante casi dos horas con él. Le expliqué que divulgaría conceptos contenidos en mi carta; no tuvo objeción alguna. La conversación fue, como siempre, amable y respetuosa. Me explicó bastante detalladamente la obra que lleva a cabo en su país. Le di las gracias por el apoyo político y económico de Brasil a Cuba en su lucha, y le recalqué el papel decisivo desempeñado por Venezuela, una nación latinoamericana en desarrollo, y su Presidente, en los días más críticos del período especial y hoy, cuando el bloqueo imperialista se ha recrudecido y nuestro país ha sufrido el azote destructor de dos huracanes.

    A pesar de nuestro amplio intercambio, quedó libre hora y media antes de la prevista para la partida.

    Por lo que vi en varios cables esta tarde, adoptó una posición valiente con relación a las elecciones de Estados Unidos. Si triunfara McCain, no estaría contando de antemano con el mayor país latinoamericano, Brasil.

    El próximo 15 de noviembre tendrá lugar en Washington la reunión convocada por Bush del Grupo del G-20. Apenas se abre un televisor, aparece un jefe de Estado hablando en una reunión de alto nivel. ¿Qué tiempo les quedará a los jefes de Estado para informarse y meditar sobre los complejos problemas que agobian al mundo?

    El actual Presidente de Estados Unidos no tiene problema alguno: no los resuelve; los crea. La solución para él es tarea de otros.

    Fidel Castro Ruz

    Octubre 31 de 2008

  4. Carlos Augusto
    sábado, 1 de novembro de 2008 – 22:04 hs

    Fábio: Aqui um comentário do Pedro Pomar ao Jornal Página 13, da Articulação de Esquerda, uma tendencia do PT, sobre as eleições na região de Ribeirão Preto. Qualquer semelhança com o que aconteceu no Paraná e mais especificamente em Curitiba , não é mera coincidência.
    É a mesma linha política mesmo, dando certo ao afundar o PT para forçar coligações mais à direita, como essa que está sendo preparada para ocorrer com Osmar.
    Leia e deixe os outros lerem….
    O debate traz não só a luz, mas mais frequencia ao seu blog…

    Lá vai, então:
    Encerrado o primeiro turno das eleições
    municipais, já é possível enxergar
    com absoluta clareza as consequências
    ruinosas da prática política de decênios
    de alguns dos caciques regionais da ex-Articulação,
    ex-Unidade na Luta, hoje CNB. Falamos
    da eleição de prefeitos e vereadores em
    Ribeirão Preto e São José dos Campos, duas
    das 10 maiores cidades do Estado, com cerca
    de 600 mil habitantes cada uma.
    Em Ribeirão Preto, governada duas vezes
    (não consecutivas) pelo hoje deputado federal
    Antonio Palocci, não haverá segundo turno:
    a candidata Darcy Vera, do DEM, saiu-se vitoriosa
    com 52% dos votos, contra 33% do
    prefeito Gasparini (PSDB) e apenas 8% do
    candidato Feres Sabino, do PT. Em São José
    dos Campos, o prefeito Cury (PSDB) também
    levou no primeiro turno com 56% dos votos,
    derrotando o deputado estadual Carlinhos Almeida,
    do PT, que teve 40%.
    No caso de Ribeirão Preto, repete-se de
    certo modo a situação das eleições de 1996
    e 2004. Candidatos fracos, escolhidos a dedo
    por Palocci, e “contrabandeados” de outros
    partidos para o PT: em 1996, Sérgio Roxo,
    saído do PSB; em 2004, Gilberto Maggioni,
    oriundo do PMN; em 2008, Feres Sabino,
    “importado” do PSDB. Candidatos sob medida
    para perder a eleição e não fazer sombra
    a Palocci. Mas, desta vez, a dose foi cavalar:
    além da votação pífia do candidato à Prefeitura,
    o PT, que tinha uma bancada de três vereadores,
    foi reduzido a apenas um!
    A obra de Palocci consuma-se, assim, de
    modo exemplar: além de devolver a hegemonia
    política ao conservadorismo, reduz a quase
    nada a expressão parlamentar local do PT.
    Não bastava haver gerido a Prefeitura à moda
    neoliberal, privatizando estatais (Ceterp,
    Transerp) e fazendo suas famosas “parcerias”
    com o setor privado: era preciso controlar o
    partido com mão de ferro, rebaixar seu programa,
    cortar seus laços com os movimentos
    sociais.
    Em São José dos Campos o PT conseguiu
    manter certo vigor, em parte porque Angela
    Guadagnin, prefeita de 1993 a 1996, nunca
    teve controle integral do partido, tendo de fazer
    algumas concessões ao grupo de Carlinhos
    Almeida. Em 1996 Angela conseguiu impor
    seu candidato, talhado para perder a eleição.
    Desde então o PSDB vem-se perpetuando na
    Prefeitura de São José dos Campos, primeiro
    com Emmanuel Fernandes (dois mandatos
    consecutivos) e agora com Cury (idem).
    Angela foi quem mais decisivamente contribuiu
    para a consolidação dos tucanos no
    mais importante município do Vale do Paraíba,
    um dos poucos onde a candidatura de
    Lula foi vitoriosa nos dois turnos na eleição
    presidencial de 1989. O episódio da “dança
    da pizza” reduziu o eleitorado da ex-prefeita e
    em 2006 ela não conseguiu reeleger-se deputada
    federal. Continua em declínio: desta vez
    candidata a vereadora, elegeu-se, mas com
    apenas 3 mil votos!
    Carlinhos Almeida tinha amplas chances
    de vitória contra Cury, mas o discurso rebaixado
    e ultramoderado sucumbiu pela segunda
    vez. Ele manteve o mesmo perfil da campanha
    de 2004, quando se aliou ao então PFL
    para disputar a Prefeitura. Angela e Carlinhos
    aparecem, desse modo, como faces complementares
    da política local de “centro-esquerda”
    ancorada em projetos pessoais, cujos
    resultados mais gerais têm sido desastrosos
    para o PT.
    A “obra partidária” de Palocci e Angela
    coincide no absoluto empobrecimento da
    discussão política no PT, no aniquilamento da
    democracia interna e na prevalência de interesses
    pessoais sobre os interesses coletivos.
    Uma terceira cidade onde a passagem do
    PT pela Prefeitura parece relegada ao esquecimento
    é Piracicaba, onde o atual prefeito
    Barjas Negri (PSDB) reelegeu-se com nada
    menos do que 88% dos votos! Piracicaba foi
    governada duas vezes por José Machado, um
    dos ícones da ala de gestores petistas marcadamente
    neoliberais. Palocci e Machado notabilizaram-
    se por alianças com os usineiros,
    sendo Ribeirão Preto e Piracicaba pólos canavieiros.
    Em sua primeira gestão como prefeito,
    Palocci, que é médico sanitarista, chegou a
    vetar projeto de lei que proibia as queimadas
    da cana de açúcar.
    * Pedro Pomar é jornalista e militante do PT

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