Sanepar confirma: Usina de Mauá prejudicará Londrina, Cambé, Tibagi e Telêmaco Borba | Fábio Campana

Sanepar confirma: Usina de Mauá prejudicará Londrina, Cambé, Tibagi e Telêmaco Borba

O site Londrix noticiou hoje que a Sanepar confirmou, pela primeira vez, que caso a construção da Usina de Mauá no rio Tibagi aconteça de fato, o abastecimento de água nas cidades de Londrina, Cambé, Tibagi e Telêmaco Borba será prejudicado.

Nessas cidades, 1 milhão de pessoas recebem água e diluem esgotos semi-tratados no Rio Tibagi, terceiro maior do Paraná. Quase 60% da água de Londrina e Cambé atualmente saem exclusivamente do rio. Protestos acontecem em Londrina e Ponta Grossa desde que a construção da usina foi anunciada.

A Sanepar queria aumentar a captação no rio Tbagi de 99,3 milhões de litros diários para 141,2 milhões. Porém, a construção da Usina (foto) ameaça os planos da empresa. Sérgio Bahls, gerente metropolitano da Sanepar, confirmou em carta o risco da floração de algas tóxicas do tipo cianobactérias no reservatório da Usina. Em 2006, um episódio que em que as algas entupiram os filtros de captação causou alarde no Estado.

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O gerente da empresa faz referência, no documento, sem aprofundar, a um episódio em setembro de 2006, quando “em condições de estiagem severa, ocorreu uma grande proliferação de algas no manancial”.

Na época, a Sanepar interrompeu por diversas vezes a captação Tibagi porque as algas entupiam os filtros – que precisavam ser retirados e lavados com mais freqüência. Naquele ano o Paraná inteiro viveu uma longa estiagem. Com o Tibagi muito seco, nem mesmo as corredeiras de pedras, espécies de filtros depuradores e oxigenadores naturais necessários à diluição dos esgotos lançados pelas cidades ao longo da bacia, conseguiram diluir a alta carga de nutrientes acumulados.

“A Sanepar compartilha com o Consemma a preocupação com os possíveis impactos sobre a qualidade da água distribuída para a população de Londrina e roga para que o empreendedor responsável pela implantação da UHE Mauá possa tomar pública a forma de atendimento às exigências dispostas na Licença Prévia, uma vez que a Licença de Instalação já foi emitida”, diz trecho do documento.

A Sanepar teme, conforme alertavam ambientalistas, que com o rio barrado por um muro de 85 m, a mudança do ambiente corrente para um gigantesco reservatório de água parada – a capacidade de depuração ficará totalmente comprometida. Sem as corredeiras, os nutrientes orgânicos se acumulam, permitindo ambientes propícios às algas. As cianobactérias impedem a entrada de luz e oxigenação necessárias à vida aquática – e a água torna-se imprópria para captação e consumo. O processo de morte biológica da água chama-se eutrofização. As algas tornam-se perigosas porque alguns tipos, quando precisarem de ser eliminadas, se rompidas, podem liberar toxinas com potencial cancerígeno.

Minas de Carvão

Na área de alagamento prevista para o reservatório, há 26 entradas de mineração de carvão abandonadas pela Klabin desde 1992. Os rejeitos esquecidos nessas cavernas hoje escorrem para o rio em pequenas quantidades, na forma de uma espécie de drenagem ácida. Se tais áreas forem inundadas, a água se tornará uma solução de metais pesados imprópria para qualquer uso. Os problemas podem ser agravados, também, com a aplicação de venenos em áreas agrícolas próximas às margens, que seriam carreados com as chuvas para dentro do reservatório.

Veja o que diz a Sanepar:

“Em caso de floração de cianobactérias no reservatório da UHE Mauá, dependendo do tipo de organismo, da intensidade de floração, das condições do clima, da hidrodinâmica do reservatório e corpos hídricos a montante (até a barragem do reservatório) e a jusante (após o reservatório), as captações de água para abastecimento público da Sanepar em Tibagi, Telêmaco Borba e Londrina, que são influenciadas diretamente por este ecossistema, poderão ser afetadas quanto à presença de biomassa algal. Cita-se o exemplo do fato ocorrido em 2006, em Londrina onde, em condições de estiagem severa, ocorreu uma grande proliferação de algas no manancial. Ressalta-se que a bacia hidrográfica do rio Tibagi apresenta um potencial de aporte difuso de nutrientes bastante significativo, em função do desenvolvimento de atividades agropecuárias intensas”.


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