Dois Paranás | Fábio Campana

Dois Paranás

Dirigir um Estado da Federação é tarefa que certamente não se pode comparar à de dirigir um automóvel. Se, no entanto, o DETRAN aplicasse seu psicotécnico a alguns governantes desta área do planeta, é provável que alguns acabassem reprovados.

A idéia, com certeza, além de abstrusa é antidemocrática, pois não se pode admitir que candidatos a cargos eletivos tenham o seu caminho barrado senão pelos próprios eleitores ou pela Justiça, isto é, o Tribunal Eleitoral.

Curioso Estado o nosso. Ainda agora a crise bate à nossa porta, há riscos de recessão, de desemprego, discutem-se as medidas de contenção em setores industriais importantes.

Caiu a procura, diminuíram as encomendas e a oferta deve cair também, informa a FIEP. Isso significa que poderemos ter desemprego e o governo Lula faz esforços para amenizar o choque. A ordem do dia é economia.

Aqui, no entanto, o governo Requião inverte a ordem natural das coisas como sempre. Propõe uma mini reforma tributária que só serve ao seu próprio interesse de aumentar a arrecadação. Vai onerar a produção e contribuir para que os efeitos da crise se abatam de forma mais grave sobre os paranaenses.

Mas isso não preocupa o governador e seu time de secretários, diretores de estatais, dirigentes, comissionados e toda a população que vive uma realidade bastante diferente da nossa.

Pois a verdade é que o Paraná são dois. A ilha da tranqüilidade estatal no meio e o mar brabo dos salve-se-quem-puder econômico em torno. Tanto é assim que o governador e sua entourage de chambre desloca-se em viagem de prospecção aos Emirados Árabes e ao Japão. Por nossa conta, é claro.

Para justificar a excursão, o discurso gasto de abrir portas enquanto aqui elas se fecham onde o fardo tributário se tornou insuportável e mais será depois dos acréscimos que o governo quer impor.


7 comentários

  1. Zé do Coco
    sábado, 18 de outubro de 2008 – 13:48 hs

    Pois é, Sr. Campana, se se realizassem eleições hoje para governador, ainda há gente que votaria no sujeito de novo.

  2. Mano da Vila
    sábado, 18 de outubro de 2008 – 14:04 hs

    Impeachment de Requião Collor já!

  3. jango
    sábado, 18 de outubro de 2008 – 15:09 hs

    Ocorre – Fabio – que as ditas autoridades de controle público, no Olimpo de seus cargos e com os régios salários assegurados mes a mes contra todas as intempéries pelo saque sem perdão ao bolso do povo, permitem que esses turistas acidentais do governo, com o Inquilino do Canguiri à frente, esbanjem despudoradamente o dinheiro público. Se os recebessem – a comitiva “se Dubai não vem a nós, vamos nós a Dubai” – na volta com belos processos por improbidade administrativa algo começaria a mudar. Mas não, às ditas autoridades de controle público, deixar o compradrio torrar o dinheiro público “non olet”.

  4. Juliano Zimmer
    sábado, 18 de outubro de 2008 – 19:50 hs

    Bom para quem está acostumado a um governo estadual que prega a ditadura antiquada e sem priorizar o povo e seus aliados isso não é nada. Pois depois de um peemidebista achar melhor enterrar o PMDB não há duvidas de que o governo estadual vai de mal a pior, popularidade caindo, problemas internos no partido, vexame nas eleições municipais. Isso tudo acaba com a dignidade de um governate, agora aumentar a carga tributária é irt contra os empreendedores paranaenses e contra a população é assumir a impopularidade.

  5. Vigilante do Portão
    domingo, 19 de outubro de 2008 – 11:55 hs

    Acabo de ler na Gazetona sobre dois casos em que a “zelosa” Polícia Civil do paraná foi para lá de incompetente:
    No primeiro caso não foram degravadas as fitas que dariam suporte à prisão de traficantes, culminando com a soltura dos marginais;
    No segundo caso, o computador do Rasera, conhecido grampedor de telefones e FUNCIONÁRIO do gabinete do Requião, passados quase dois anos da apreensão, pasmem, ainda não foi periciado.
    Comparo a desídia com o caso da acusação sobre os gafanhotos do Beto Richa (às vésperas da eleição), em menos de 18 H(dezoito) horas a denúncia foi apurada, testemunhas ouvidas e o processo encaminhado´.
    Até o Jiíz estranhou a eficiência.

  6. Jose Carlos
    domingo, 19 de outubro de 2008 – 17:01 hs

    Não se trata nem de dois Paranás… Trata-se da involução, da ré engatada, do atraso… Retornamos ao tempo da Quinta Comarca de São Paulo, da sub-colônia… Temos os menores índices de crescimento da região sul… somos o Piauí do sul… um tempo de roça, de cangaço, de obscurantismo, de fundamentalismo jeca em todos os setores… basta, fora…

  7. Jonas Campos
    domingo, 19 de outubro de 2008 – 20:38 hs

    Hoje existe um concenso entre os funcionários públicos de carreira do Estado do Paraná, de que o governo atual acabou com a estrutura e a capacidade de planejar que ainda existia. Resta agora a palavra da reconstrução do Estado para colocar o Paraná nos trilhos para o futuro. Do jeito que está hoje não vai ser tarefa fácil, mais um desafio para o novo governo que virá em 2010. Quem sobreviver verá.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*