John McCain e Barack Obama cara a cara sobre o futuro do mundo | Fábio Campana

John McCain e Barack Obama cara a cara sobre o futuro do mundo

por Rubens Campana

Acabou o primeiro debate entre os candidatos à Casa Branca. Barack Obama foi melhor na primeira metade. A atual crise o ajudou a tirar de letra a economia e jogou nas costas de John McCain o peso de tantos anos de George W. Bush, do qual o mundo inteiro está farto.

Na segunda metade McCain se defendeu melhor e ainda marcou ponto: sobre política internacional ele tem ao seu lado o argumento da experiência, de vida e de guerra, e ainda fez questão de dizer que é amigo de Kissinger. Apesar dos erros catastróficos de Bush, a política externa é um terreno onde os republicanos são historicamente mais pragmáticos e eficientes.

Incrível mesmo para nós brasileiros é a lição de política, mídia, legislação e jornalismo: o debate dos norte-americanos é franco. Os candidatos se dirigem um ao outro abertamente e por vários e vários minutos o telespectador vê apenas o embate entre os dois candidatos. O jornalista mediador só aparece às vezes; a gente até esquece que ele esta alí. Uma maravilha.

Claro que o sistema de dois partidos ajuda nessa hora: não tem candidato laranja levantando bola para o outro, sendo ventríloquo ou dando branco. Outra tradição norte-americana é o fact checking. Cada informação citada pelos dois será checada por hordas de jornalistas sem partido, prontos para confrontar a retórica dos políticos com a realidade.


6 comentários

  1. Zé do Coco
    sábado, 27 de setembro de 2008 – 7:18 hs

    O que não é justo é um cidadão como McCain ter de ficar com o ônus da era Bush. Ele não tem qualquer culpa nos eventuais erros do atual presidente.
    Realmente os republicanos são historicamente mais pragmáticos e eficientes, Campana. E, por isso, têm mais jogo de cintura diante de crises internacionais. Exemplo disso foi Reagan que pôde contar com um ótimo embaixador de seu país em Londres, ajudando a costurar alianças impossíveis e livrando o mundo, à época, de um desastre nuclear.
    Com tudo o que pode ter de herança negativa por causa da presença de Bush, McCain pode ainda ser um bom governante. Principalmente se cuidar da saúde abalada, porque sua candidata a vice é uma cavalgadura sob vários aspectos. Uma verdadeira anta do ponto de vista da política internacional e do equilíbrio de poderes que mantém o mundo até hoje de pé.

  2. Bruxo
    sábado, 27 de setembro de 2008 – 9:15 hs

    O culpado em parte pela atual crise é o Partido Republicano e a administração Bush, que não interveio na economia quando ainda era possível contornar a crise. Eles preferem intervir militarmente em outros países a intervir na economia. Para os EUA, vejo que no momento atual continuar com um governo republicano seria um retrocesso.

    Mas realmente, o debate foi uma aula de democracia.

  3. O SANTO
    sábado, 27 de setembro de 2008 – 10:06 hs

    O americanos jogam bombas no mundo, porém em se tratando de campanha política dão um espetáculo para o mundo. Existe um longo percurso a ser percorrido para ser indicado candidato por um dos grandes partidos. Tudo é permitido. Aqui nesta terrinha nda é permitido – não se pode dar nada a ninguém. De forma camuflada pode. Não pode existir linguiçada – jantar por adesão???? pode ( o candidato paga todos os convites e depois destribui para seus apoiadores, camuflando a tapeação à lei ).
    Temos tantas outras aberrações na legislação. Quem legisla? O povão ou os detentores do poder político e econômico.
    Vamos continuar votando nos donos dos chicotes. Não adianta depois reclamar, pois ninguém ouvirá.
    Viva esta terra de analfabetos políticos.

  4. Tô de olho
    sábado, 27 de setembro de 2008 – 22:33 hs

    Só um pequeno comentário. Quem viu o filme 9/11 do Michel Moore? Viram quando foi cochichado no ouvido do Bush em uma escola de ensino fundamental que os EEUU estavam sendo atacados(Torres Gêmeas)? Viram a cara de besta que o cara fez? Se não assistam o filme e vejam porque os EEUUU estão nessa merda financeira.

  5. domingo, 28 de setembro de 2008 – 2:29 hs

    See you later!

  6. Francisco Alpendre
    domingo, 28 de setembro de 2008 – 12:37 hs

    Confesso que, além da civilidade do debate, chamou-me atenção exatamente o ponto destacado por você, Rubens, no que diz respeito à liberdade de debate. Parece-me que exatamente neste ponto reside a diferença maior entre o desenvolvimento de lá e o sub de cá. Não existe Justiça Eleitoral, um mero mediador de vez em quando fazendo perguntas e deixando o bicho pegar. A dinâmica natural de comunicação é deixada ao bel-prazer de ambos. Horário eleitoral é pra quem pode pagar televisão, não pra qualquer zé-ninguém que pensa que pode ser candidato. Debate da mesma forma. No Brasil pensa-se que as regras normatizam o jogo. Pelo contrário: regras em excesso denotam burrice e atraso, fazendo com que desiguais, que não possuem a menor chance nem respaldo popular possam atrapalhar quem realmente tem algo a dizer. Belo texto, um abraço e bom domingo.

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