O perfil dos prefeitos | Fábio Campana

O perfil dos prefeitos

A Confederação Nacional de Municípios, que vem fazendo uma série de análises sobre eleições municipais, traçou o perfil dos prefeitos eleitos em 2000 e 2004 em 5.359 municípios do país.

Na primeira etapa, a CNM analisa as variáveis: quantidade de candidatos no pleito; se no município houve troca do partido eleito na gestão anterior; turno em que a eleição terminou; se o eleito utilizou coligação; se o eleito é do mesmo partido do governo do estado; se o eleito é do mesmo partido do governo federal; porte do município e os dados de qualificação dos eleitos — sexo, grau de instrução e idade.

Para ler sobre os dados compilados pela CNM, clique em “Leia Mais”.

Em 2000, 63,8% dos prefeitos se candidataram à reeleição. Já em 2004 esse número caiu para 40,2%. Isso se explica porque a quantidade de possíveis candidatos em 2004 foi menor em decorrência de vários prefeitos já estarem no segundo mandato.

Do total de municípios brasileiros, houve mudança de partido no governo em 63,9% em 2000, razão que subiu para 71,3% em 2004. Em 2000, do total de prefeitos eleitos, 37,1% estavam entrando no segundo mandato, e 62,9% deles estavam no poder pela primeira vez. Já em 2004 o total de reeleitos foi de 23,6%. O que estes números indicam é que nas duas últimas eleições municipais houve uma grande renovação no comando das prefeituras.

A CNM encontrou índices acima de 60% de gestores públicos em primeiro mandato, o que dá a entender que a população brasileira busca novas alternativas a cada eleição.

O estudo aponta que dos candidatos eleitos, a grande maioria utilizou coligação com outros partidos. Em 2000, a proporção dos que utilizaram coligação para se eleger foi de 84,4%, enquanto que em 2004, foi de 93,7%. Esses dados demonstram, segundo a CNM, que os arranjos políticos para disputar eleições são fundamentais para se obter a eleição.

Analisando a influência do partido do governo do Estado nas eleições municipais, o resultado mostra que o total de partidos eleitos nos municípios, 26%, eram iguais aos partidos dos respectivos estados, resultado encontrado em ambos os pleitos analisados. Esse dado indica que a influência do governo do Estado nas eleições locais permanece constante no período.

A força do partido do presidente da República nas eleições locais parece ser bem menor que nos Estados. Enquanto que em 2000, 17,9% dos eleitos eram do partido do presidente, em 2004 este porcentual caiu para 7,3%.

Uma possível explicação para a brusca queda no porcentual é que em 2000 o presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, estava no seu segundo mandato, e em 2004, o presidente Lula estava no seu primeiro mandato. A projeção para esta eleição de 2008 é que o partido do presidente possa ter um maior número de candidatos eleitos.

A disputa

A concorrência pelas prefeituras municipais se dá quase sempre entre dois ou três candidatos. Nas eleições de 2000, 51,71% das disputas eram entre dois candidatos, e 29,54% entre três. Já na eleição de 2004 a disputa entre dois foi de 46,66% e entre três foi de 31,01%, o que indica uma polarização da disputa: há uma tendência de embate entre dois ou três candidatos ao cargo de prefeito.
As candidaturas únicas nas duas últimas eleições ocorreram em um pouco mais de 2% dos municípios, algo em torno de 100 localidades onde não houve disputa.

Perfil dos eleitos

Na análise da CNM, a participação feminina em 2000 foi de 5,9%, e em 2004 subiu para 8,1% – ainda uma participação muito pequena em relação ao total de prefeitos homens.

O grau de instrução predominante dos prefeitos é o superior. Em 2000, 46,9% dos eleitos tinham nível superior e em 2004 este porcentual subiu para 52,6%. O que indica uma melhora, no período, da instrução dos gestores municipais eleitos.

O grupo de idade predominante dos eleitos em 2000 é o de 41 a 60 anos.

Em 2004 83% dos eleitos tinham mais de 40 anos, o que indica que os eleitores procuram eleger pessoas mais experientes. Os jovens até 30 anos têm uma participação muito pequena e os mais velhos, a partir dos 60 anos, ficam em média com 13% das localidades.

Resumo das características dos prefeitos eleitos em 2000 e 2004, feitas pela CNM:

  • A maioria não era do mesmo partido do presidente (85%)
  • A maioria não era do mesmo partido do governador (73%)
  • Na maioria dos municípios houve mudança de partido no governo (65%)
  • A maioria dos prefeitos estava no primeiro mandato (65%)
  • A maioria se elegeu com coligação (85%)
  • A maioria concorreu com 1 ou 2 candidatos (em torno de 80%)
  • A maioria é do sexo masculino (90%)
  • A maioria tem ensino superior completo (52%)
  • A maioria tem entre 41 e 60 anos (70%)

2 comentários

  1. PESSOA
    terça-feira, 2 de setembro de 2008 – 9:39 hs

    Se o perfil encontrado foi de Boy, Riquinho, classe alta e que gosta de fantasmas, é o de Curitiba!

  2. terça-feira, 2 de setembro de 2008 – 15:55 hs

    Boa tarde,
    gostaria de sugerir que sejam incluídos certos links de pesquisas e sites de referência para matérias que tragam informações de outras páginas. Outro dia li sobre declaração de patrimônio dos candidatos (aludindo à comparações dos candidatos de Curitiba com de outras capitais) e não consegui checar os valores de outras cidades a partir deste site. Hoje, lendo essa interessante matéria, não consigo achar os dados agregados no site da CNM.
    Para os blogueiros em geral, tais vínculos e caminhos de informaçoes são importantes ferramentas de consulta e de qualificar certas informações.
    Obrigado,

    http://gac-nusp-conjuntura.blogspot.com/

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