Aperte os cintos, o acordo do superpacote 'micou' | Fábio Campana

Aperte os cintos, o acordo do superpacote ‘micou’

De Josias de Souza na Folha Online:

Depois de anunciar um pré-acordo que parecia acomodar uma luz no fim do túnel em que se enfiou a economia mundial, os líderes do Congresso dos EUA deram meia-volta.

George Bush enfiou-se sob os lençóis, nesta quinta-feira (25), com uma atmosfera de pesadelo à sua volta.

Reunião que se estendeu pela noite, no Congresso, deixou no ar a incômoda sensação de que as negociações do dia não produziram nem mesmo o túnel. Que dirá luz!

Pendurados na expectiva de aprovação do superpacote concebido para dar cabo da crise, os mercados do mundo acordam sobressaltados nesta sexta (26).

Para desassossego da Casa Branca e surpresa generalizada, atribui-se o desacerto a uma resistência do Partido Republicano, a legenda de Bush.

No final da manhã desta quinta, tudo parecia se encaminhar para o entendimento. Reuniram-se no Congresso lideranças republicanas e democratas.

Ao final de um econtro de cerca de duas horas, anunciou-se um pré-acordo. Adicionaram-se mudanças à proposta do governo. A coisa dependia apenas do desfecho de uma outra reunião, na Casa Branca.

Encontro histórico. Além de congressistas, sentaram-se à volta da mesa: Bush, o presidente prestes a sair, e os dois candidatos à cadeira dele: McCain e Obama. Disseminou-se uma onda de otimismo que contagiou o Brasil.

Súbito, sobreveio o impasse. O que cheirava a acordo virou, depois do encontro presidencial, uma fedentina que alçou o superpacote no alto do telhado.

De volta à arena do Congresso, os líderes fizeram nova reunião, noturna. Um encontro que tranformou os diálogos de Bush com seu travesseiro em conversa de doido.

O presidente foi dormir sob o barulho das barricadas que seu próprio partido ergueu no Legislativo. Se conseguiu dormir, há de ter acordado com a cabeça inchada.

No final da manhã desta sexta –11h30 pelo horário de Washington; 12h30 pelo relógio de Brasília—os grão-duques do Congresso dos EUA realizam nova reunião. Mais uma.

Tenta-se superar o impasse, viabilizando aprovação do socorro a Wall Street antes da abertura dos mercados na segunda-feira.

Um dia marcado no calendário com o número que evoca o ano do grande crash: 29. Como se fosse pouco, há um complicador adicional.

Nesta sexta, o Congresso americano deveria entrar em recesso. Só retornaria depois de 5 de novembro, dia da eleição presidencial.

Para votar o mega-pacote nas duas casas do Legislatvo, deputados e senadores talvez tenham de arregaçar as mangas no final de semana.

Enquanto isso, o sistema bancário dos EUA derrete. Foi à breca o Washington Mutual. É a segunda maior casa bancária dos EUA na sua categoria.

O estrondo só não foi maior porque um outro banco americano, o JP Morgan, comprou o Washington Mutual. Negócio banhado na bacia das almas. A instituição falida saiu pela bagatela de US$ 1,9 bilhão.

Cabe agora uma pergunta: Quem consegue dormir com um barulho desses? Não há pré-sal-de-frutas que atenue as reviravoltas do estômago.


10 comentários

  1. Anônimo
    sexta-feira, 26 de setembro de 2008 – 9:52 hs

    É engraçado ver na colônia brasileira a torcida para que tudo dê sempre errado na metrópole do tio sam… alguns pensam, como nosso delirante presidente, que ficaremos imunes a uma catástrofe nos EUA… a tsunâmi que se seguiria a um terremoto na metrópole, varreria o Brasil e nos de volta levaria à idade da pedra lascada, de onde acabamos de sair…. nosso precioso petróleo serviria somente para fazer fogo para espantar animais famintos… a colônia continua a mesma, aos gritos de iankees go home…

  2. O Povo
    sexta-feira, 26 de setembro de 2008 – 10:24 hs

    Na economia Globalizada de hoje, um espiro nos EUA ou na Europa reflete em gripe em muitos casos até com febre nos países emergente, hoje já estamos um pouco menos vulneráveis a esses “virus” do que no passado, mas mesmo assim todos os cuidados são necessários para que ocorra uma contaminação generalizada que derrube a todos nós pobres em desenvolvimento!

  3. bimbo
    sexta-feira, 26 de setembro de 2008 – 10:43 hs

    Pelo menos ficariamos livre da arrogância do Lula querendo nos dizer que está tudo bem por causa do “ótimo” govêrno do P.T.

  4. Bruxo
    sexta-feira, 26 de setembro de 2008 – 11:22 hs

    Muita gente ainda vai falir, mas quem sober investir ainda vai ganhar muito dinheiro.

  5. Zé do Coco
    sexta-feira, 26 de setembro de 2008 – 12:17 hs

    O grande nó é que, filosoficamente, os republicanos são avessos a salvar do buraco algumas instituições financeiras, porque isso para eles tem cheiro de comunismo.
    São congressistas isolados que colocaram a ideologia acima da segurança institucional. Não são maioria no Congresso, é aquela popular meia dúzia que não mediram consequência. Vão amadurecer a ideia e perceber que é isso ou é a falência total do sistema financeiro americano e o último que sair apague a luz.
    Além do que, essa popular meia dúzia não parou para pensar que aquelas instituições financeiras foram responsáveis pela arrecadação de impostos em grande volume que permite aos Estados Unidos manter uma economia estável e segura a despeito das intempéries.
    Os babacas esquerdopatas estão eufóricos, claro, porque na visão tosca deles “o capitalismo está agonizante”. Nem se dão conta de que, se isso fosse possível acontecer, nem eles sobreviveriam. Países inteiros que arrotam esquerdismo requentado e que só subsistem porque são alimentados a dólar.
    Até mesmo a União Européia alicerça a sua economia no dólar. E quem tem mais dólar tem mais poder de barganha.
    O mundo inteiro faria bem em torcer pela volta por cima, que os Estados Unidos, com seu poder de compra de commodities é quem sustenta o mundo de pé.
    Gostem ou não os esquerdopatas, o fim do comunismo está próximo. Basta os Estados Unidos afundarem.

  6. rock
    sexta-feira, 26 de setembro de 2008 – 12:36 hs

    Ueeee. ninguém vai por a culpa em Requião por isso, sera que as crias do Betinho e do Jeime estão dormindo em serviço.

  7. Jose Carlos
    sexta-feira, 26 de setembro de 2008 – 14:06 hs

    Ninguém falou de Mello e Silva neste assunto, porque ele tem tanta importância para a economia nacional ou mundial quanto o Carequinha tinha no seu tempo… Em seis anos de mandonismo provincial, Mello e Silva engatou a marcha-a-ré da economia do Paraná: sumiram os investidores, desapareceram os empreendedores.. seu incentivo foi para estimular a volta do arado de muares, do adubo à base de titica de galinha, do carro de boi e da roca de fiar… é um tempo de roça, de cangaço e jaguncismo, digno do nordeste da década de 30…

  8. O GUARDIÃO -
    sexta-feira, 26 de setembro de 2008 – 14:57 hs

    E EU COM ISSO ??|?

  9. Alice K.
    sexta-feira, 26 de setembro de 2008 – 16:14 hs

    Bôa Guardião. Sempre contribuindo para o debate. Quando tiver mais alguma idéia genial assim não nos deixe por fora, comente.

  10. Nego Veio
    sexta-feira, 26 de setembro de 2008 – 21:15 hs

    Os vacinados são eles ,ou quase vacinados, a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929 está se repetindo…Os americanos vão ter que importar dólares no mercado externo, agora quero saber como ficou o risco país-E.U.A, será que eles já estão em patamares iguais aos nossos ou piores.Será que o FMI vai se meter na economia dos gringos????Chegou a hora de ver o outro lado do espelho sr. poderosos, seu Banco Central vai emitir muito mais dinheiro,e, quem tiver US$ vai levar chumbo , como os gringos que vão migrar para cá. Quanto ao Duce este já está garantido no Paraguay, pra onde ele vai ter que fugir em 2010,tem gente garantindo que ele não chega até lá no governo, sempre duvido e repito,duvido,porque não tem justiça e muito menos macho neste país que casse o agente do nepotismo…

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