A cada quinze segundos, uma pedra de crack é apreendida em Curitiba | Fábio Campana

A cada quinze segundos, uma pedra de crack é apreendida em Curitiba

A apreensão desta droga bateu seu próprio recorde na cidade e ultrapassou a barreira de um milhão e trezentas mil pedras.

Quando agosto fechou, a apreensão de crack em Curitiba batia seu próprio recorde: a cada quinze segundos uma pedra da droga era retirada de circulação na cidade. Ao todo, durante os oito meses do ano, foram apreendidas mais de um milhão e trezentas mil pedras de crack. Dois anos antes, em 2006, a polícia havia apreendido a metade desta quantidade – pouco mais de 685 mil pedras de crack.

Se isso tudo é o que foi apreendido, quantas são as pedras que foram vendidas e queimadas nas mãos dos viciados? Quantos assaltos e assassinatos essas pedras motivaram? Qual o lucro gerado para o crime organizado?

De acordo com o diretor de políticas de Segurança Pública da instituição inglesa Senlis Council, George Howell, que esteve em Curitiba no começo deste ano, a estimativa é de que aproximadamente 10% do movimento econômico do tráfico de drogas mundial acontece no Brasil. “Isso significa uma média de 40 bilhões de dólares por ano. Valor maior do que o gerado pela indústria do turismo que gira em torno de 32 bilhões de dólares por ano e gera emprego para uma média de 6 milhões de pessoas”, exemplificou.

Em meados de 2008, depois de um aumento no número de assassinatos diários registrados em Curitiba, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná revelou uma pesquisa interna feita pela Delegacia de Homicídios. Segundo os dados, cerca de 80% dos assassinatos estavam ligados diretamente ao tráfico de drogas e ao crime organizado, principalmente na disputa e vingança entre quadrilhas da cidade. Para a Secretaria, outros crimes de “varejo” como furtos e roubos também estariam ligados diretamente ao tráfico fosse para sustentar o vício, fosse para sustentar ações dos bandidos.

Números do programa de combate ao tráfico de drogas do Governo do Paraná – o 181 Narcodenúncia – mostram que de junho de 2003 a agosto de 2008 quase 3,5 mil pessoas (entre homens e mulheres) haviam sido presos por tráfico de drogas em Curitiba.

“O número de adolescentes e crianças apreendidas é assustador. Foram quase 400 meninos e meninas cooptados pelo tráfico e apreendidos pela polícia em Curitiba. Uma cidade que quer ser modelo social deveria olhar para estes números já com um programa consistente pronto e em atuação. Criar uma secretaria em ano eleitoral não muda a realidade da cidade”, disse a candidata à Prefeitura de Curitiba Gleisi Hoffmann, pela Coligação Curitiba Para Todos.

O que Gleisi propõe é que um conjunto de ações intensas, em diferentes áreas, ajude a coibir a violência na cidade e o envolvimento dos jovens com o tráfico e a criminalidade de maneira geral. Para Gleisi, abrir as escolas durante o dia todo oferecendo cursos de música, línguas, dança, esportes e outros profissionalizantes seria um grande trunfo para não deixar a criançada ser cooptada pela bandidagem. Além do contraturno escolar, a candidata afirma que vai garantir vaga nas creches para todo mundo, incentivar a produção cultural da periferia e formar redes com ONGs, Associações, Igrejas para transformar a cidade num grande centro de formação e atendimento da população jovem carente.

“Eu quero transformar Curitiba na capital brasileira da inclusão social. Mudando nossa realidade de atendimento à população mais carente, vamos, com certeza, melhorar a segurança da cidade. Todos, sem dúvida, serão beneficiados com isso”, disse a candidata.

Rede de assistência – Paralelo ao “tratamento de choque” social que Gleisi quer aplicar para prevenir a criminalidade, a candidata quer também atacar de frente o problema de quem já está doente, refém do mundo das drogas e do crime. “É preciso centros de tratamento que acompanhem a total desintoxição e que siga acompanhando os pacientes. Hoje, os Centros de Referência de Assistência Social não são em número suficiente e têm um procedimento muito limitado”, disse Gleisi.

Segundo ela, sob sua gestão a Prefeitura implantará finalmente o Centro Municipal de Desintoxicação e Saúde para garantir o número de leitos suficientes para atender a demanda em casos de internamento. Além disso, o atendimento será multidisciplinar com assistentes sociais, enfermagem, técnicos de enfermagem, psiquiatras, terapeutas (especializados em dependência química), terapeutas ocupacionais que atuarão em conjunto com as equipes de Saúde da Família nas comunidades.

Os serviços ambulatoriais englobarão a desintoxicação e o atendimento a pacientes em crise e a pessoas em situação de uso freqüente de qualquer tipo de droga, inclusive as lícitas. “Os familiares e as pessoas próximas ao paciente serão incluídos no tratamento para que ele possa ser mais eficiente. Além da desintoxicação, também faremos atendimentos de prevenção de recaída e trataremos com programas motivacionais para evitar a recaída e aliviar o desconforto da abstinência. Estaremos focados na real recuperação do paciente e de sua família. A pessoa é nossa prioridade”, disse Gleisi.


3 comentários

  1. jango
    quarta-feira, 24 de setembro de 2008 – 16:35 hs

    Mas o governo Lula, da Gleise, do PT, não está aí há seis anos ? E as drogas e as armas não estão como estavam, senão piores ? Temos hoje parcelas de cidades importantes sitiadas pelo tráfico. Temos PCC transando milhões com CV e vice versa. Cadeias de segurança máxima de onde partem ordens de matança. Temos quadrilhas de São Paulo vindo assaltar aqui e retornando à noite para lá. Na fronteira, chacina por dívida e/ou controle por drogas. Quem financia tudo isto e não é pego nas malhas do sistema bancário e/ou monetário ? Os bancos que escondem estatísticas de assaltos e estão tendo os maiores lucros do mundo neste país ? E o desarmamento, que efeito teve ? Tudo isto é governo Lula, é governo PT, é incompetência. Chega de demagogia – este barato está custando muito caro.

  2. Aluno da Ufpr
    quarta-feira, 24 de setembro de 2008 – 16:46 hs

    Como a Noiva do Chuck é completamente despreparada e desinformada, é uma pena que no Brasil tenhamos candidatos oportunistas como ela. O combate ao narcotráfico não depende apenas de ações municipais, mas principalmente de ações conjuntas com o Estado e o Governo Federal, o Governo Lula está a 6 anos no poder e o que ele fez contra o narcotráfico, al´guém sabe me responder?
    Então Barbie vai procurar o caminhão de onde vc caiu e suma de Curitiba

  3. Cadeia para pobre!
    quarta-feira, 24 de setembro de 2008 – 17:29 hs

    Só pegam favelados!

    Quando é que o comando do tráfico irá cair?

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