Paraguai quer submeter Itaipu a auditoria | Fábio Campana

Paraguai quer submeter Itaipu a auditoria

Tuca Vieira/Folha

Sem alarde, Paraguai e Brasil começaram a discutir a relação que os une em de Itaipu. O ciclo de conversas foi aberto na última sexta (1), na cidade de Assunção, a capital do vizinho. Foram dois encontros. Um com a presença do assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia.

Outro, com o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek. Em nome do Paraguai, nas duas reuniões, falou Carlos Balmelli. Balmelli é um ex-congressista do PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico). Sob Lugo, será o diretor-geral paraguaio de Itaipu.

De saída, Balmelli levou à mesa uma exigência própria de quem deseja saber em que solo está pisando. Deseja submeter as contas de Itaipu a uma auditoria. É uma das reivindicações repassadas pelo preposto de Lugo ao assessor de Lula.

Mais tarde, informado acerca da idéia do pente-fino, Jorge Samek, o representante do Brasil na direção-geral da usina, reagiu com estudada naturalidade: “A Itaipu nada tem a opor quanto a uma auditoria pelo novo governo paraguaio. Quanto mais transparência no trato com o patrimônio público, melhor.”

Acomodadas numa pasta, as pretensões do Paraguai não foram divulgadas. Sabe-se, porém, que incluem a revisão dos valores previstos no Tratado de Itaipu.

Coisa explicitada durante toda a campanha presidencial paraguaia. Fernando Lugo foi aos palanques enrolado na bandeira da “soberania energética.”

É nesse ponto que a conversa torce o rabo. Lula exibe enorme disposição de estender a mão a Lugo. Dispõe-se a costurar um pacote de socorro ao novo presidente. Algo ambicioso, que incluiria até reforço financeiro a um programa de industrialização do Paraguai. Nada, porém, que preveja mexer no Tratado de Itaipu. Para o governo brasileiro, o tratado, de 1973, é uma peça equilibrada.

Estabelece que cada um dos parceiros tem direito a 50% da energia produzida por Itaipu. Anota que, caso uma das partes não use toda a cota a que faz jus, vende o excedente ao parceiro. A preços de custo. O Brasil usa o seu quinhão de energia. E paga ao excedente paraguaio US$ 45,31 por megawatt-hora. É esse valor que Lugo considera “injusto.”

Difícil, porém, dar razão ao novo presidente paraguaio. Sobretudo quando se recorda um detalhe da fase de construção de Itaipu. O Paraguai não entrou senão com a sua metade das águas do rio. O Brasil compareceu com US$ 12 bilhões. A maior parte tomada emprestada no exterior.

Ao Paraguai, coube a cifra de US$ 50 milhões. Dinheiro emprestado pelo Banco do Brasil. Assunção para o empréstimo com energia. Dos US$ 45,31 a que teria direito pelo excedente vendido ao Brasil, recebe US$ 2,81 por megawatt-hora.

Somando-se esse valor aos royalties, o Paraguai embolsa anualmente cerca de US$ 375 milhões. Sem mencionar o fato de que, hoje, é sócio meeiro de um patrimônio estimado em mais de US$ 60 bilhões. Nada mal para quem só investiu água.

De Assunção, Marco Aurélio voou para Buenos Aires. Integra a comitiva de Lula na visita à Argentina. De volta a Brasília, ainda nesta segunda (4), vai desembrulhar o conteúdo da pasta que recebeu do paraguaio Carlos Balmelli.

A negociação será retomada depois da posse de Fernando Lugo. Vai longe.


4 comentários

  1. Carlos Chyla Neto
    segunda-feira, 4 de agosto de 2008 – 10:02 hs

    Para construir Itaipu o Paraguai entrou somente com os barrancos, pois não possuia sequer um rio tributário para alimentar o lago da barragem. O Brasil fez tudo !
    Durante e após a construção o país vizinho recebeu (e ainda recebe) muitas benesses do governo brasileiro. Não há nenhuma questão legal que obrigue o Brasil a conceder mais benefícios. O tratado é claro.

  2. mario falarz
    segunda-feira, 4 de agosto de 2008 – 10:59 hs

    ÓTIMO – BASTA ANALISAR A PASSAGEM
    DA GLEISI PELA DIRETORIA – VIAGENS A RODO, AÇÕES ‘ESTRANHAS’ À ITAIPU,
    MORDOMIAS PARA A TURMA,………………..

  3. Iron
    segunda-feira, 4 de agosto de 2008 – 11:39 hs

    É bom para sabermos se a experiência de Gleisi Hoffmann, na Itaipu, foi parecida com a que teve como Secretária de Finanças do Governo do ZECA DO PT no Mato Grosso, que ficou conhecido como o governo mais corrupto de todos os Estados Brasileiros.

  4. Jandirinha Louri
    segunda-feira, 4 de agosto de 2008 – 12:44 hs

    Como vamos pagar as contas dos jornais de Curitiba nos bairros.
    Afe, que coisa mais chata.
    Para que prestar contas?
    Vai lá e gasta minha gente, depois tomamos champanhe no cabeleireiro.

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