O que o sabujismo é capaz de produzir? | Fábio Campana

O que o sabujismo é capaz de produzir?

O escriba da Agência Estadual de Notícias se esmerou na bajulação e escreveu uma defesa do nepotismo de Requião que nem Stanislaw Ponte Preta, em sua melhor fase de deboche dos costumes políticos, faria. A moçada palaciana faz esforço incomum para tornar o nepotismo nativo motivo de chacota nacional.

O autor da peça usa de estranha lógica para contrapor dados da propaganda oficial sobre o governo e o combate ao nepotismo. Ao fim e ao cabo, como diria o Duce, fica a impressão de que Requião e sua tropilha acreditam mesmo que o importante é o nepotismo. Tudo o mais é acessório.

Para ler o libelo em favor do nepotismo da família Requião, clique no


O que é importante? – 21/08/2008 19:04:11

É importante que o Paraná tenha conquistado os melhores índices nacionais na redução da mortalidade infantil, entre todos os estados brasileiros, passando de 16,71 óbitos a cada mil nascidos vivos em 2002 para 9,5 mortes a cada 100 mil nascimentos em 2006?

Não, não é importante. O importante é falar de nepotismo.

É importante que a educação básica pública paranaense tenha melhorado significativamente em todos as medições do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), ficando em primeiro lugar nas séries iniciais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio e em segundo lugar nas séries finais do Ensino Fundamental e ultrapassando metas estabelecidas pelo MEC para 2009?

Não, não é importante. O importante é bradar que parentes do governador trabalham no Estado, ainda que em funções voluntárias e não-remuneradas, como no Provopar.

É importante que o ensino superior público do Paraná tenha classificado sete de seus cursos entre os 25 melhores do Brasil no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e obtido o segundo lugar no ranking nacional, reflexo do aumento dos investimentos do Governo em suas universidades e faculdades?

Não. Importante é tratar de nepotismo.

É importante que o Paraná seja o estado brasileiro que, em proporção, mais gera empregos com carteira assinada no País, obtendo em julho o melhor saldo para o mês em toda série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com 13.635 trabalhadores contratados?

Claro que não. É, ao que parece, irrelevante. Fundamental é falar de nepotismo.

São importantes os mais de 588 mil postos de trabalho criados desde 2003, que tornaram o Paraná, em proporção ao número de habitantes, o Estado que mais gera empregos diretos no País, acumulando, sozinho, perto de 50 por cento dos empregos com carteira assinada da região Sul?

Não, não são importantes. Importante é tratar de nepotismo.

É importante mostrar que, das cerca de 215 mil empresas cadastradas na Receita Estadual, 165 mil beneficiam-se da isenção ou redução do ICMS implementada pelo governador em 2003? Lembrar que, graças a esse incentivo que recebem do Estado, as nossas empresas estão mais saudáveis, tanto que o Paraná apresenta o menor índice nacional de mortalidade de micro e pequenos empreendimentos, com uma taxa em torno de 2,1%?

De modo algum. Falar, incansavelmente, de nepotismo, é que é importante.

E o Programa Bom Emprego, que oferece dilação do pagamento de até 90% do ICMS em 48 meses, com prioridade para municípios de menor IDH, e já atendeu 90 empresas em 42 cidades, concedendo R$ 3,2 bilhões de incentivos e R$ 2,5 bilhões em investimentos e gerando mais de 14,5 mil empregos diretos e outros 41 mil empregos indiretos. Ele é importante?

Não, o Bom Emprego também não é importante. Importante é falar de nepotismo.

É importante lembrar que o governador propôs lei que aumentou de 25% para 30% o percentual do Orçamento do Estado destinado à educação? E o recém-aprovado aumento de 10% para os salários dos 110,5 mil professores da educação básica, que vai representar acréscimo de 18,36% na folha de pagamento, e que também foi proposto pelo governador? Isso é importante?

Nem um pouco. Importante, sempre, é o nepotismo.

Será importante o maior piso salarial regional do Brasil, que estabelece seis faixas salariais que variam de 527 a 548 reais e significa aumento de 15% em relação ao anterior?

Não, o piso regional, embora beneficie milhares de trabalhadores de categorias que não têm piso salarial definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo, não tem a mínima importância. Importante mesmo é falar de nepotismo.

Tem importância recordar que a Copel, no início de 2003, estava virtualmente quebrada, vinda do maior prejuízo de sua história, de R$ 320 milhões em 2002, asfixiada por contratos lesivos, operando um sistema elétrico em frangalhos e com quadro de pessoal esvaziado? E que essa mesma Copel, hoje, é pública, tem programas de inclusão social e é extremamente lucrativa, registrando lucro líquido de R$ 613 milhões ao final do primeiro semestre, resultado 17% superior aos R$ 524,6 milhões apurados no mesmo período de 2007?

Ora, claro que não. Que relevância pode ter o resgate, a recuperação de um patrimônio inestimável dos paranaenses, ante o nepotismo?

E a Sanepar, antes alvo de uma privatização branca, que delegou o comando da empresa a acionistas privados, entre eles, Daniel Dantas, e que desde 2003 já recebeu perto de 2 bilhões de reais em investimentos na expansão do sistema estadual de saneamento? Isso deve ser importante, não?

Não, não é importante. Importante, sempre, é falar de nepotismo.

É importante que a receita cambial do Porto de Paranaguá tenha mais que dobrado, saltando de pouco mais de US$ 4 bilhões, em 2002, para US$ 11,8 bilhões em 2007? E que nossos portos tenham servido de inspiração para o governo federal suspender a privatização do sistema portuário brasileiro?

Não, não é importante. Importante é falar sobre nepotismo.

É importante que o Museu Oscar Niemeyer seja atualmente o museu brasileiro que mais exibe exposições simultâneas, com oito, dez mostras de alta qualidade? Que o MON tenha se consolidado como referência internacional de qualidade, conhecido e procurado no mundo todo, e que graças a ele o Paraná desequilibrou o eixo Rio-São Paulo nas artes plásticas, colocando Curitiba na rota das grandes exposições internacionais?

Não, isso também não é importante. Importante é o nepotismo.

E o belo trabalho de incentivo à geração de renda do Provopar, que incentiva a inclusão de renda e o artesanato paranaense, é importante?

Não, nem isso é importante. Importante é falar sobre nepotismo.


7 comentários

  1. Ronaldo Andrade
    sexta-feira, 22 de agosto de 2008 – 9:43 hs

    Pobre Requião! Acabou cercado de puxa-sacos da pior espécie. Este Benedito é aquele que nos 80 dentro do PCdoB perseguia quem apoiava Requião pois dizia ser um desvio burgues e contra-revolucionário? É uma obra do transformismo militante a ser estudado por psicologos e psiquiatras. Da uma tese ou internamento?

  2. Teodoro
    sexta-feira, 22 de agosto de 2008 – 9:50 hs

    A falta de escrúpulo é tão grande por parte do Requião, que para ele o Nepotismo é perseguição ao seu Governo, se faz de idiota, mas na verdade ele é o próprio, causador de toda confusão neste Estado, não tem vergonha na cara, é um déspota que já sucumbio com toda sua prepotência e arrogância, agora o povo despresa e tem nojo dessa forma de Governar truculentamente!
    Está mais que na hora de arrumar suas malas, devolver as chaves do Canguiri e demais pertences do estado do Paraná, e ir para seu asilo “político” no Paraguai,porque muitos processos vem em cima desse tralha!

  3. sexta-feira, 22 de agosto de 2008 – 10:37 hs

    Pelo amor de Deus, e tanta besteira, que só consegui ler o primeiro tópico…..

  4. Herança do Império!
    sexta-feira, 22 de agosto de 2008 – 13:00 hs

    O Benedito sempre teve os seus chiliques aristocráticos ao “reelembrar” de um suposto passado de sua família, que teria sido fundadora da cidade de Ribeirão dos Pires ainda no peíodo imperial, sendo que seu irmão, um membro da TFP, é um monarquista confesso.

    Para o aristocrático Benedito é normal “ter o direito de empregar os familiares, pois a sua sobrinha também recebe um jabaculé oficial.

    Os Pires de ontem não diferem dos Pires de hoje, pois sempre estão com um pires na mão a implorar alguma benesse do novo imperador de plantão.

  5. João Carlos Gouveia
    sexta-feira, 22 de agosto de 2008 – 13:29 hs

    O Benedito só conseguiu superar essa pérola com a propaganda da campanha de 2006, na qual colocava o Requião pra falar do Razera. Parece desconhecer princípios básicos de comunicação, que jamais permite que temas considerados desagradáveis e espinhosos sejam contrapostos, lado a lado, com outros supostamente bons. Aulinhas de propaganda estão disponíveis em qualquer universidade, Benê. Passa lá na Spei.

  6. jango
    sexta-feira, 22 de agosto de 2008 – 16:57 hs

    O governador de ocasião, ao assumir o cargo, jura cumprir a Constituição e como primeiro ato de governo nomeia nepotes. Por que não esperar tal subujisse de seus comissionados se o próprio Al Capone se julgava acima da lei. Leiam trechos da antológica entrevista ao lendário jornalista Cornelius Vandelbilt Jr:

    “Hoje em dia as pessoas não respeitam mais nada. Antes colocávamos num pedestal à virtude, a honra, a verdade e a lei. Tivemos quase doze anos para aprumar-nos e olha em que caos virou a vida! Hoje tem mais gente bebendo álcool nos bares clandestinos que todas as pessoas que bebiam antes de 1917. É isso que opinam sobre o respeito à lei. Ainda assim não podemos chamar à maioria das pessoas de criminosos, embora tecnicamente o sejam. Entre o povo aumenta a sensação de que a proibição é responsável pela maioria dos nossos males, mas também cresce o número de pessoas que atua contra a lei. (…) Faz dezesseis anos que eu cheguei a Chicago com quarenta dólares no bolso. Três anos depois já era casado. Meu filho já está com doze anos, continuo casado e amo minha mulher. Nós tinhamos que viver, eu era mais novo e achava que precisava mais coisas. Não achava justo proibir ninguém que tentasse obter o que desejava. Achava, e continuo achando, a Lei Seca uma lei injusta. De alguma maneira fui encostando naturalmente na ilegalidade. E suponho que vou continuar até que a lei seja abolida.”

  7. sábado, 23 de agosto de 2008 – 12:53 hs

    uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, ou algo assim!

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