O povo anda arisco | Fábio Campana

O povo anda arisco

Os políticos da oposição ao Beto Richa investigam o paradeiro do povo curitibano. Ele anda desaparecido. Curiosamente, só mesmo eles se deram conta disso.

Ora, pois, antigamente um comício do PMDB arregimentava milhares de pessoas. Enchia estádios. Hoje, em dia, nem os jogos de futebol enchem os estádios de futebol. Pudera, o futebol por aqui anda tão medíocre quanto o PMDB.

A inauguração de comitês de candidatos a vereador da oposição reúne meia-dúzia de gatos pingados. As pessoas bocejam de tédio ao vê-los. Acordam cedo para o trabalho, mergulham nos coletivos, voltam para casa e ligam a tevê. Não convidem para nenhuma atividade do candidato Carlos Moreira mais do que uma dezena de pessoas normais.

O que o PMDB conseguiu mobilizar as desilusões dos anos de Requião desmobilizaram. O povo percebe agora que foi convocado a fazer figuração no drama político. Entendeu que participa de uma farsa.

Um exemplo. A campanha de Requião pela moralidade pública deu, entre outras, nesse nepotismo desbragado coroado pela imposição do irmão caçula como conselheiro do Tribunal de Contas.

Assim, Requião inovou definitivamente: a democracia que, na definição clássica, é o governo do povo, pelo povo, para o povo, converteu-se, no Paraná, no governo sem povo. Mais uma contribuição de Requião para o avanço da ciência política. Pouca gente percebe a triste realidade e essa é outra característica da inovação.

Essa situação explica porque o povo em Curitiba se afasta de Requião, de seu candidato e de todas as correntes políticas que com ele tem alguma identificação. Nesse imbróglio nem o PT escapa. Paga muito caro pela adesão ao governo estadual em troca de alguns cargos e da acomodação de alguns militantes em cargos em comissão. E essa é a outra criação soberba de Requião, a esquerda funcionária. Trocando em miúdos, o fim da esquerda nativa que levará muito tempo para se recompor.


4 comentários

  1. Mano da Vila
    segunda-feira, 18 de agosto de 2008 – 0:04 hs

    Quando Requião Chaves vai autorizar editais para concursos públicos para Secretárias de Estado e demias órgãos públicos?
    A assim acabar com os altos custos em terceirizações, contratações indevidas, adidos e nepotismo em geral. Mais um assunto do qual o governador da província nada fez e nada faz. E ainda querem que acreditemos no PMDB véio de guerra, de guerra às boas práticas de governança.

  2. Jose Carlos
    segunda-feira, 18 de agosto de 2008 – 9:29 hs

    Nunca houve um velho MDB de guerra. Isso sempre foi empulhação. Leiam Jarbas Passarinho e suas histórias. O grande comandante do MDB era Jader Barbalho, o grande negociador. Os meedebistas fizeram acordos com os militares, submeteram-se com o rabinho entre as pernas. Muitos abanavam o rabo contentes, como os governadores emedebistas como Chagas Freitas, o chagalhão da Guanabara… Tancredo, Ulysses, etc, sempre tiveram o nariz marrom… Aliás, Tancredo teria tido o apoio do próprio Figueiredo… O PMDB teve um único presidente da República: Sarney, o grande arenista…. fala sério…..

  3. Toninho Cerezo
    segunda-feira, 18 de agosto de 2008 – 10:32 hs

    Fábio, o comentário sobre os times daqui não encherem os estádios é incorreto. Coritiba e Atlético colocam mais de 15 mil pessoas, faça chuva ou faça sol, em qualquer jogo. Já o PMDB, não coloca nem 15 pessoas.

  4. ronaldo
    segunda-feira, 18 de agosto de 2008 – 15:31 hs

    O povo de Curitiba não anda desaparecido, e sim, caiu a ficha do curitibano com relação ao Requião e aos que gravitam em torno dêle.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*