Eleição de Fortaleza vira divertido passivo judicial | Fábio Campana

Eleição de Fortaleza vira divertido passivo judicial

De Josias de Souza, na Folha Online

A política brasileira, como se sabe, é um universo em eterna mutação. O eleitor até já se habituou. Pudera! Já testemunhou coisas do arco da velha. Já viu a social-democracia tucana converter-se ao neoliberalismo em pleno vôo. Já viu o socialismo moreno do petismo ficar branco de medo diante do Capital.

Sabe que, na política, a convicção de ontem é a burrice de hoje. E vice-versa. Calejado, o eleitor não há de estranhar uma das graças do momento. Que graça? A formação dos palanques eletrônicos dos candidatos a prefeito. Veja-se o caso de Fortaleza. Virou um divertido passivo judicial.

Luizianne Lins (PT) foi à Justiça contra Patrícia Saboya (PDT). A petista obteve uma liminar que impõe à rival um lote de proibições curiosas. Obrigou-se Patrícia a retirar da TV uma foto em que aparece ao lado de Lula. Mais: forçou-se a candidata a passar na faca até um pedaço da própria biografia. Já não pode levar ao ar nem as fotos que estampam a cara do ex-marido Ciro Gomes.

Sob Ciro, Patrícia fora primeira-dama do Ceará. Sob Lula, foi vice-líder do governo. Lula proibira o PT de monopolizar a imagem dele. Mas quem disse que o PT dá ouvidos a Lula? Um abespinhado Ciro Gomes foi levado ao YouTube pelo filho mais velho, Ciro Saboya Ferreira Gomes.

Cirinho, que trabalha no comitê de campanha da mãe, filmou o pai sentado numa escada. Cirão, no velho estilo língua solta, classificou a gestão de Luizianne de “fuleiragem”. Mais: chamou a prefeita de “coronel de saias”.

O curioso é que o PSB de Ciro está coligado ao PT da “coronel fuleira.” Num ambiente assim, tão movediço, é reconfortante saber que algumas coisas permanecem fieis a alguns princípios.

Por exemplo: a paciência do brasileiro. Há anos a paciência nacional causa incredulidade e até uma ponta de revolta. Ela é sempre igual. Imutável.


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