Desemprego de jovens aumenta a criminalidade | Fábio Campana

Desemprego de jovens aumenta a criminalidade

O desemprego é um problema cada vez mais grave para os jovens entre 15 anos e 29 anos, que já respondem por 46% do total de indivíduos nesta situação no país – a propósito, a razão desemprego juvenil/adulto aumentou para 3,5 nos últimos anos.

É o que constata Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), professor licenciado do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas, neste artigo, escrito conjuntamente com Jorge Abrahão de Castro, diretor da Diretoria de Estudos Sociais do IPEA, publicado no jornal Valor em 15 de maio de 2008.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou recentemente um texto para discussão intitulado “Juventude e Políticas Sociais no Brasil”, em que desvenda uma série de aspectos do relacionamento entre a população juvenil e o conjunto da sociedade brasileira.

Há atualmente 51 milhões de jovens, com idade entre 15 anos e 29 anos, que enfrentam múltiplos riscos e problemas em seu cotidiano. Há uma elevada incidência de mortes por homicídios e acidentes de trânsito. Os homicídios correspondem a 38% das mortes juvenis, ao passo que 27% das vítimas fatais de acidentes são jovens.

Apenas 48% das pessoas entre 15 anos e 17 anos cursam o ensino médio e somente 13% daquelas entre 18 anos e 24 anos estão no ensino superior – revelando o significativo descompasso existente entre a idade e a escolarização dos jovens.

Ademais, chega a 18% a porcentagem de indivíduos entre 15 anos e 17 anos que estão fora da escola, percentual que atinge 66% entre aqueles que tem de 18 anos a 24 anos – acrescente-se que a principal causa de abandono da escola entre os homens é o trabalho e, entre as mulheres, a gravidez.

O desemprego é um problema cada vez mais grave para os jovens entre 15 anos e 29 anos, que já respondem por 46% do total de indivíduos nesta situação no país – a propósito, a razão desemprego juvenil/adulto aumentou para 3,5 nos últimos anos. A qualidade da ocupação é outro problema sério – 50% dos ocupados entre 18 anos e 24 anos são assalariados sem carteira, porcentagem que se mantém em 30% entre os que têm de 25 anos a 29 anos de idade.

Por fim, a insuficiência de rendimentos é um risco para boa parcela da juventude – 31% dos indivíduos entre 15 anos e 29 anos podem ser considerados pobres, pois têm renda domiciliar per capita inferior a meio salário mínimo. O risco da pobreza é mais agudo para as mulheres e, também, para os negros – nada menos que 70% dos jovens pobres são negros.

Esse cenário enfrentado pela juventude desperta preocupações na sociedade civil e também no Estado brasileiro. Desde – pelo menos – o final dos anos 1990, há uma extensa rede de organizações da sociedade civil que têm, entre seus focos de atuação, a temática juvenil.

A mobilização social e política alavancada por esses organismos tem favorecido uma mudança de registro na discussão da condição juvenil.

Mais do que uma etapa crítica na trajetória de vida dos indivíduos e, paralelamente, mais do que uma fase preparatória para a vida adulta, a condição juvenil possui “valor” por si mesma. Ademais, exige uma série de políticas públicas gerais, e também específicas, que se mostrem aptas a minimizar os riscos e os problemas já citados, bem como maximizar as oportunidades de inserção econômica, social, política e cultural dos jovens.

Nos anos recentes, essas políticas ganharam importância destacada no corpo estatal, até porque os compromissos assumidos pelo Brasil em âmbito internacional o exigiam – compromissos assumidos, por exemplo, por ocasião da discussão do Programa Mundial de Ação para a Juventude (1995) e do Plano de Ação de Braga (1998), sob coordenação da ONU.

No sentido de possibilitar a estruturação de uma Política Nacional de Juventude no país, o governo federal criou em 2005 a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), que atuaria com o apoio do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) na implementação do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem).

Este programa, originalmente direcionado para a população juvenil entre 18 anos e 24 anos que estava fora da escola e do mercado de trabalho, passou recentemente por um processo de ampliação, alcançando, então, outros grupos juvenis – como aquele constituído por pessoas entre 18 anos e 29 anos, que não concluíram o ensino fundamental, não estão no mercado laboral e estão em domicílios considerados pobres. O Projovem passou também por um processo de integração com programas coordenados por outras instituições, com o intuito de oferecer uma maior proteção contra os riscos, bem como um maior leque de oportunidades de desenvolvimento para os jovens.

Acerca disso, há relativo consenso entre os participantes do debate de que a condição juvenil demanda a articulação de políticas gerais com políticas específicas, além da integração de políticas coordenadas por diversas instituições, de distintos setores do Estado brasileiro. Aliás, um indicador da importância de se promover a articulação de políticas para a juventude pode ser medida pela atual multiplicidade de conceitos de “juventude” entre os programas estatais. A operacionalização de cada um desses programas conta com diferentes faixas etárias, cada qual focando em uma parcela da população juvenil.

Além disso, há diferentes noções informando os conceitos de “juventude” – alguns programas partem de noções mais atuais e emancipadoras, que identificam e tratam os jovens como sujeitos de direitos; já outros programas partem de noções mais tradicionais, em que predominam perspectivas tutoriais e subordinadoras de tratamento. Em seu relacionamento cotidiano com o Estado, os jovens defrontam-se com essa multiplicidade de conceitos de “juventude”, o que não é saudável e só reforça a necessidade de maior integração das políticas.

Enfim, os milhões de jovens enfrentam riscos e problemas que só serão superados com a mobilização social e política das organizações da sociedade civil, bem como com a estruturação de políticas públicas gerais e específicas, de diversas origens e naturezas, que devem se articular e integrar para a abertura de oportunidades de inserção dos jovens na sociedade brasileira.


6 comentários

  1. sábado, 2 de agosto de 2008 – 10:45 hs

    MODELO DE AGENCIA DE EMPREGO, JÁ FALIDO E É FEDERAL O MESMO !
    Se voces nao tem curso Superior faltam mao de obra especializada e o governo Federal e Estadual na uniao adotou Salarios de 500,00 a 700,00 reais nas empresas publicas este e o modelo NEOLIMINISMO e Nao fechem os olhos assistam a Tv Camara e Senado e vejam realmente OS PARLAMENTARES quem tem amor no coração.Fiquem de olho nao deixe de ficar por dentro dos atos de partido de esquerda e direita ,os de esquerda viraram neo-liberal e os de direita estao loucos para que direita aprove leis que prejudica a nacao para dizer os culpados foi os de esquerda!Começam a votar em jovens indiferentes de partido, nao sao jovens de bem que montam melicias e nem jovens cristãos(Que realmente praticam a Blibia e se purifica de Sabedoria do Pai!).

  2. João
    sábado, 2 de agosto de 2008 – 12:27 hs

    Já disse isso e repito: “Neoliberal” é o apelido dado pelo esquerdista a quem insiste em não concordar com ele.

    Se o Estado ajudar a diminuir o custo trabalhista e previdenciário das contratações, criam-se empregos.

  3. Deco
    sábado, 2 de agosto de 2008 – 14:44 hs

    A saída para muitos jovens, seria a de terem a possibilidade de frequentarem cursos profissionalizantes, que seriam facilmente absorvidos pelo mercado que é excasso com pessoal formado e com conhecimento específico em diversas áreas!

  4. larissa
    terça-feira, 28 de outubro de 2008 – 14:05 hs

    eu acho que vc deveria falar + sobre o assunto que vc espoe que é desemprego entre os jovens aumento de criminalidade

  5. quarta-feira, 24 de junho de 2009 – 16:06 hs

    não entendi nada

  6. André
    segunda-feira, 3 de agosto de 2009 – 16:01 hs

    O problema nao é falta de pessoas qualificadas, já é provado que quanto mais se estuda maior a chance de ficar desempregado, eu mesmo estagiei durante os 5 anos de faculdade e passei de priemira na tal prova da OAB sem fazer cursinho, prova essa que dizem servir para o recém-formaod provar que está apto (qualificado) e mesmo assim mal consigo entrevistas de emprego, quando consigo meus 5 anos de estágio não bastam, querem contratar o super-homem, conheço várias pessoas nesta situação, e não me venha falar em empreendendorismo tendo em vista que no Brasil abrir um negócio é extremamente caro além da burocracia, fora que desempregado nem empréstimo consegue.

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