Delfim Netto: juro alto é "peru com farofa para especuladores" | Fábio Campana

Delfim Netto: juro alto é “peru com farofa para especuladores”

De Josias de Souza, da Folha Online:

O ex-czar da economia Delfim Netto classificou de infantil a tática do governo de responder à alta da inflação por meio da elevação das taxas de juros. Para Delfim, a estratégia monetarista do Banco Central transforma o Brasil no último “peru com farofa na mesa dos especuladores internacionais, fora o do Dia de Ação de Graças”.

A inflação, no dizer de Delfim, vem do exterior. E o ciclo de elevação dos juros, em vez de ajudar, prejudica: “O efeito principal dessa medida é a valorização do câmbio. A inflação vem de fora, não tem nada a ver com as taxas de juros brasileiras”.

Delfim acha que o governo combateria a carestia de modo mais eficaz se realizasse um efetivo esforço fiscal, podando as suas próprias despesas. O reforço do superávit fiscal, a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida pública, é algo que, admitiu o ministro Guido Mantega (Fazenda), pode vir a ocorrer. Para júbilo de Henrique Meirelles, o presidente do BC.

As considerações de Delfim foram feitas num evento realizado nesta segunda (4), em São Paulo: Diálogos Capitais. Está em sua sexta edição. É promovido pela revista Carta Capital.

Também presente, Guido Mantega discorreu sobre os efeitos da política de combate à inflação nas taxas de crescimento da economia. Previu evolução menor do que a registrada em 2007, quando o PIB cresceu 5,3%. Nada dramático, contudo, na opinião do ministro.

Em 2008, segundo Mantega, o PIB crescerá entre 4,8% e 5%. Para 2009, previu que o crescimento não será inferior a 4%. Ex-ministro da Fazenda na gestão de José Sarney, Luiz Carlos Bresser Pereira disse que a política monetária do BC como que anula os pendores desenvolvimentistas do governo.

Bresser enxerga no governo “uma disputa em que não há vencedor, apenas um perdedor, o Brasil”. Disse que a política econômica oficial tornou-se um “jogo de soma zero.”


Um comentário

  1. Vigilante do Portão
    terça-feira, 5 de agosto de 2008 – 20:43 hs

    É ruim hein Delfin, cortar gastos do governo em ano eleitoral? Parece que vc não foi Deputado. KKK
    Daria para usar outros mecanismos para reduzir um pouco a demanda e assim controlar melhor a inflação, exemplo:
    Limitar crédito, não permitindo esses financiamentos em 80 meses;
    Aumentar o depósito compulsório dos bancos, enxugando a liquidez do mercado.
    Isso reduziria a pressão sobre a demanda, fazendo com que diminua a inflação. O efeito colateral, claro, é uma redução no crescimento econômico.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*