População nunca se sentiu tão insegura | Fábio Campana

População nunca se sentiu tão insegura

Na prática, o discurso é outro. Enquanto o governador Requião afirma que a segurança pública do Paraná é a melhor do país, a população responde que nunca se sentiu tão insegura. A própria Secretaria contou 323 homicídios em Curitiba só no segundo trimestre (abril, maio e junho). Média de 3,5 assassinatos por dia. No final de semana a média é de 25 assassinatos em Curitiba e Região metropolitana.

A capital tem áreas degradadas e não só apenas na periferia, onde o poder de polícia é submetido ao poder do crime organizado em lugares como Terra Santa, Jardim da Ordem e em todas as favelas da região sul e leste.

Mas também o centro de Curitiba se tornou perigoso e evitado. De pouco adianta o esforço da Prefeitura para revitalizar a área com obras e iluminação. Uma pesquisa da Associação Comercial do Paraná revela o que todos sabiam. A população foge do centro de Curitiba porque sente falta de segurança.

A pesquisa mostra que 40% dos empresários e 28% dos consumidores indicam a insegurança para não evitar a região.  Entre os comerciantes, 42% nem mais registram queixa quando sofrem assaltos. A maior parte, 67%, tem procurado alternativas de segurança. Para saber mais, clique no


O medo aumenta no fim da tarde, quando o comércio fecha – 95% dos entrevistados consideram as ruas do Centro inseguras depois das 18 horas. A amostragem da pesquisa é de 153 estabelecimentos comerciais, 200 consumidores e 104 edifícios.

Os dados, que começaram a ser colhidos em 2006 e foram atualizados nos primeiros meses deste ano, foram revelados por uma pesquisa feita pela Associação Comercial do Paraná (ACP). O levantamento será apresentado na segunda edição do Seminário Habitacional, que ocorre amanhã, na sede da associação, a partir das 19 horas. O Seminário Habitacional é mais uma tentativa de buscar soluções para revitalizar o Centro da cidade, por meio da iniciativa da ACP, chamada Centro Vivo.
A idéia é simples: para revitalizar o Centro da cidade é necessário ter gente circulando o tempo todo. A maneira mais fácil de trazer vida à região seria aumentando o número de moradores. E para trazer moradores, é necessário melhorar a região, de forma que ela se torne mais atrativa. Aí é que mora o problema.
Entre os consumidores entrevistados, 56% nâo têm qualquer intenção de morar no Centro. Entre os comerciantes, 56% também não têm interesse de ficar com o estabelecimento aberto até mais tarde caso haja necessidade. Sem moradores e sem comércio aberto até mais tarde, a região torna-se uma espécie de “cidade fantasma” à noite. Quem se arrisca a passear nas ruas da região central neste período sofre ainda com a falta de policiamento, dizem os freqüentadores.
De acordo com a pesquisa, estima-se que entre 25 a 30 policiais militares cubram a região central da cidade. Segundo cálculos feitos pela ACP com base em recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU), seriam necessários pelo menos 144 policiais para atender a região. A Polícia Militar rebate. “Nenhum estado tem a quantidade preconizada pela ONU. Nós estamos otimizando o número de policiais que temos, tanto que há diminuição de ocorrências e aumento das prisões no Centro”, afirma o capitão Bruno Soares da Silva, comandante da 1ª Cia, que atende a região central. Segundo ele, por uma questão de segurança, não é possível divulgar o número de policiais que cobrem o Centro. Contudo, diz ele, a quantidade é maior do que a estimada pela ACP.
Soluções
A reclamação em relação à falta de segurança não é um problema novo, como mostra a última pesquisa lançada pela ACP em 2006. De lá para cá, entretanto, de acordo com o Centro Vivo, a instalação de câmaras na região central ajudou. Há, porém, um longo caminho a ser percorrido ainda. “Houve conquistas na área de segurança, mas ainda estão aquém das necessidades”, afirma o coordenador operacional do Centro Vivo, César Luiz Gonçalves. Com isso, a tendência é que os proprietários e consumidores assumam a responsabilidade pela sua segurança. “É o povo pelo povo. Não dá para jogar a responsabilidade só para o município ou para o estado”, diz Gonçalves.
Não se trata de se armar, segundo o coordenador do Centro Vivo. Na verdade, a idéia é que os empresários invistam cada vez mais em planos de segurança, com sistemas de monitoramento e orientação aos funcionários. É essencial, porém, que eles não deixem de registrar os boletins de ocorrência. “Isso ajuda a fazer um diagnóstico, um mapa do crime e orientar o policiamento”, explica Gonçalves. A questão é que, com o problema vindo de longa data, já se vislumbra uma resistência natural dos comerciantes a não mais recorrer à polícia. “A polícia prende e solta”, diz o proprietário de uma distribuidora de doces, Almeida Cheang, 43 anos.
De acordo com o gerente geral de segurança da loja de roupas Sul Center Fashion, Paulo César Ticz, 36 anos, a saída é investir em prevenção. Segundo ele, há dois anos era comum que o estabelecimento sofresse com furtos todas as semanas. No fim do ano, o problema tornava-se diário. A orientação dada aos funcionários era de que apenas observassem atitudes suspeitas, mas só abordassem depois do crime consumado. Agora, não. A nova orientação é atender de pronto “os suspeitos” e não deixá-los a vontade para cometer o furto. Além disso, a loja investiu em monitoramento com câmaras e alarmes. “Mudou 100%. As ocorrências tornaram-se mensais”, diz.


7 comentários

  1. jango
    quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 9:02 hs

    A grande verdade neste Paraná é que passou a existir a segurança das estatisticas e as estatisticas da segurança – ambas demonstram o avanço do crime e o aumento da insegurança pública. O resto é incompetência. E a população no meio.

  2. Betolandia
    quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 9:21 hs

    Isso é mentira – Temos o melhor prefeito do mundo, a melhor segurança do mundo – Beto Richa tem o melhor plano de segurança publica do mundo…..afinal na betolândia não há nada que não seja melhor do mundo…..

  3. Vigilante do Portão
    quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 9:56 hs

    Calúnia, invensão da imprensa canalha, a cidade está mais segura do que nunca. Não viram ontem, prenderam um “perigoso” facínora do jogo do bicho; Até as perigosas motocas foram apreendidas.
    Agora, em época de elição, contamos com policiais, com seus coletes fosforecentes, nas esquinas mais movimentadas da cidade – propositalmente – para que, principalmente a classe média, veja que há policiamento nas ruas.
    Na eleição de 2006 foi igualzinho, passado 05/10, caso não haja 2º turno, os soldados voltarão aos quartéis.
    É assim desde o tempo do Lerner. Quem não lembra dos “tótens” erguidos a toque de caixa, justamente às vésperas de uma campanha eleitoral?

  4. Deco
    quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 10:06 hs

    A Segurança Pública é de Competência e Responsabilidade do Estado, caso ele não assegure a População este direito, o governante tem que ser cobrado e acionado, respondendo criminalmente por seus atos e omissão!
    Mais processos contra o Sr. Requião, pois além de não fazer nada e só se preocupar com a “parentada”, deixa de atuar e dar tranquilidade para que a população trabalhe e tenha uma vida mais segura!

  5. Ruy Cezargai
    quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 11:32 hs

    Com este desemprego da juventude que voce Fabio noticiou na matéria acima só pode dar nisso. Crime.

  6. Vigilante do Portão
    quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 11:58 hs

    Vocês notaram que o “Roberto Carlos” vulgo secretário de segurança, desapareceu do noticiário? Antes o homem tava na TV e no Jornal todo dia, agora nem a Educativa tem apresentado o ilustre secretário. Será que o chefe não gostou do funcionário aparecer mais que ele?

  7. roberto
    quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 15:44 hs

    Não tem mais porque a população ficar insegura, agora o Paraná tem o Mapa do Crime. ahhhhh!!!!!

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