O que mais separa ricos e pobres é a diferença de educação formal | Fábio Campana

O que mais separa ricos e pobres é a diferença de educação formal

O que mais separa os brasileiros ricos dos pobres é a diferença de educação formal. Renda e produtividade são conseqüência da desigualdade, escreve Raul Pilati, editor de economia do Correio Braziliense.

Ele lembra que Educação, tema vendido como prioridade em todas as eleições, é uma barreira nunca superada nesta área do planeta.

Apenas a educação faz com que a renda per capita do brasileiro seja 35% menor que a dos Estados Unidos, 66% pior que a do Japão, 76% que a da Coréia e 77% que a de Taiwan. Para não parecer que o fosso é só em relação a países desenvolvidos ou exoticamente distantes, basta dizer que a renda per capita do Chile, nosso vizinho da América do Sul, é 89% maior somente por conta da educação média mais elevada que a nossa.

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O que mais separa os brasileiros ricos dos pobres é a diferença de educação formal. Renda e produtividade são conseqüência da desigualdade

Por Raul Pilati

No momento em que a inflação é a maior ameaça no curto prazo à economia, peço licença aos leitores para tratar de um assunto de longo prazo. Normalmente os problema imediatos, prementes, empurram para a frente o que pode ser adiado. E, assim, os bondes do desenvolvimento vão passando e o país, patinando. Com o crescimento vigoroso dos últimos anos, acima de 4% ao ano, pode parecer que nossas fragilidades foram superadas. Mas não é assim. Quando o quadro piora, nossas mazelas reaparecem.

Educação, tema vendido como prioridade por todo o governante que entra, é uma barreira nunca adequadamente superada pelo Brasil. Apenas a educação faz com que a renda per capita do brasileiro seja 35% menor que a dos Estados Unidos, 66% pior que a do Japão, 76% que a da Coréia e 77% que a de Taiwan. Para não parecer que o fosso é só em relação a países desenvolvidos ou exoticamente distantes, basta dizer que a renda per capita do Chile, nosso vizinho da América do Sul, é 89% maior somente por conta da educação média mais elevada que a nossa.

Lento aprendizado
Ao lembrarmos que quase 70% dos 60 milhões de trabalhadores brasileiros ganham até dois salários mínimos (R$ 860), percebe-se como a falta de educação tem um efeito dramático na sociedade brasileira. Sua carência é um fator de desigualdade brutal, destaca o presidente do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, Luiz Guilherme Schymura. Na próxima Carta do Ibre, análise conjuntural mensal que produz, Schymura manifesta a crença em uma nova oportunidade de sairmos da armadilha em que nos metemos com as equivocadas decisões estratégicas do passado.

Na fase em que o Brasil viveu sua explosão demográfica, nas décadas de 40, 50 e 60, educação e saúde não receberam os investimentos necessários. Como resultado, relata o economista, o tempo médio de estudo do trabalhador brasileiro aumentou apenas dois anos entre 1960 e 2000. No mesmo período, Espanha, Portugal, Grécia e Turquia a elevaram em quatro anos; os tigres asiáticos, em quatro anos e meio; e a Coréia do Sul, em seis. Aí está a raiz da desigualdade.

“Não se percebia o fato de que a condenação de uma geração à ignorância também condena a sua prole”, observa Schymura. Era desconhecida a importância do ambiente doméstico para estimular o aprendizado. “Tampouco se antevia o papel vital da qualificação nos postos de trabalho associados à revolução tecnológica dos anos 60 e 70, que se intensificou com a chegada da era da informática e, pouco depois, da internet.”

Aposta na desigualdade
Como conseqüência, hoje no Brasil “há uma minoria que teve acesso à educação e à cultura e, portanto, representa o contingente de trabalhadores com elevada produtividade”, comenta. A saída para a desigualdade encontrada pelo Brasil — transferência de renda para os mais pobres — ameaça criar uma segunda armadilha, destaca o economista. Desta vez, política. “Este é o tipo de contrato social que, evidentemente, não pode estar no topo das preferência de nenhum ator político de boa-fé, pois significa uma aposta numa sociedade crescentemente desigual”, afirma o texto.

Criada no período FHC, a rede de segurança social, depois sintetizada no programa Bolsa Família por Lula, nunca concentrou seus esforços em criar as condições para as famílias que atendem saírem do pé da pirâmide da renda. Basta dizer que, depois de seis anos em funcionamento, agora é que será oferecida formação profissional aos dependentes das doações do governo, como revelou em primeira mão o repórter Marcelo Tokarski no Correio na semana passada. Até aqui, Educar não é a prioridade. A prioridade é transferir renda. É um processo que não resolve a desigualdade, apenas prorroga sua permanência.

Alívio castrador
Schymura tem uma visão mais suave. “Parte significativa da população recebe modesto alívio pecuniário, que substitui os investimentos que lhe abririam as portas para a realização de seu potencial produtivo e criativo”, contemporiza. Mas nem tudo está perdido, opina. E parte da saída pode estar enterrada no oceano.

As reservas de petróleo encontradas pela Petrobras em frente ao litoral da Região Sudeste, que devem ser gigantescas, podem ser o passaporte para a cidadania dos brasileiros. Contanto que o governo não caia na tentação fácil de aumentar ainda mais a fórmula da transferência. “A maldição do petróleo não precisa ser uma maldição”, comenta Schymura. Ele refere-se à triste história de países que enriquecem com a produção de petróleo, ou outro bem natural, mas cuja população permanece pobre. Ou passa a depender do Estado.

O presidente do Ibre acha que os royalties resultantes da exploração devem ser atrelados a obrigações educacionais. “Em suma, diante do fato de que um choque educacional é a única maneira de tornar a sociedade brasileira mais homogênea, os recursos naturais podem representar uma grande solução para nosso maior problema”, escreve Schymura. “Ou, inversamente, o risco de nos afundarmos definitivamente na heterogeneidade.”

Desafio
Será que Lula ou seus sucessores escapam da tentação de distribuir o dinheiro relativamente fácil do petróleo? Ele já foi sábio ao evitar repetir Hugo Chávez, ao rejeitar o terceiro mandato. Talvez não venha a criar novos fundos de doação de comida com os petrodólares. Melhor do que distribuir riqueza, é gerá-la. O que só vem com educação e conhecimento.

Raul Pilati é editor economia


3 comentários

  1. Voz do Povo
    terça-feira, 8 de julho de 2008 – 14:02 hs

    Nossa Educação foi conduzida no sentido de formar mão-de-obra barata para atender aos grandes oligopólios internacionais. Alguem se lembra do acordo MEC-Usaid? E também para atender aos interesses da oligarquia brasileira. Um povo ignorante é mais fácil de dominar!

  2. ANDERSON DANIEL
    domingo, 24 de maio de 2009 – 15:40 hs

    Realmente é preciso o povo brasileiro ter consciência de seu estado e enfrentar a pobreza….não a carencia sobre valores e sim educacional….a educação começa dentro de casa…e se não tem, está aberta a todos atraves dos livros disponiveis e internet….poxa, fico chateado de ver os jovens de escolas públicas desinteressados pensando só em farra e tendo filhos….

  3. ariadna neves
    segunda-feira, 29 de agosto de 2011 – 16:23 hs

    eu acho isso uma palhaçada!!!!
    diferença entre rico e pobre a gente e tudo igual mesmo !!!

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