O país da piada pronta | Fábio Campana

O país da piada pronta


Da coluna do Luis Nassif

A nota mais hilária, não fosse trágica, de todo esse imbróglio de Daniel Dantas foi a afirmação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele negou que o Banco Central tenha falhado na investigação do Opportunity. E afirmou que: é preciso separar as ações da instituição financeira daquilo que os seus donos fazem “nas horas vagas”.

É inacreditável! Há anos se sabia da prática disseminada de operações “offshore” proibidas no Brasil. Bancos brasileiros – como o próprio Opportunity e o Pactual – faziam captação no Brasil, de investimentos de brasileiros residentes no país e aplicavam em fundos “offshore”, sediados em paraísos fiscais. Depois esse dinheiro retornava como se fosse capital externo.

Há anos esses procedimentos pouco ortodoxos não só eram conhecidos, como denunciados. Eu mesmo escrevi uma dúzia de colunas sobre as operações do Pactual. As operações irregulares do Opportunity são conhecidas há quase uma década, inclusive com denúncias formais.

O próprio Pactual tinha sido autuado pelo Banco Central mas foi perdoado pelo Conselhinho (que julga os recursos) no período em que Antonio Pallocci era Ministro da Fazenda e Meirelles presidente do Banco Central.

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No caso da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a vergonha foi maior ainda. Houve denúncias públicas de que o CVC Opportunity era constituído por investidores brasileiros, o que contrariava frontalmente as leis brasileiras. No meio do caminho, descobriu-se que a montagem jurídica tinha sido feita por Francisco Cantidiano, presidente da própria CVM. O jornalista que denunciou essa promiscuidade, Rubens Glasberg, acabou condenado a indenizar Cantidiano em R$ 100 mil.

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O episódio reforça a idéia da “captura” das agências reguladoras, ou por forças do mercado ou por politização. No decorrer da operação Satiagraha apareceram inúmeras evidências dessa “captura”. Como o jovem advogado acusado de ter enterrado um processo de investigação e que depois foi trabalhar no escritório de um dos advogados de Dantas.

Esse mesmo procedimento tornou-se corriqueiro no Banco Central. Aliás, o ex-linha-dura do BC, Afonso Bevilacqua, foi trabalhar no Opportunity.

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Logo que assumiu a presidência do BC, Meirelles se irritou com algumas críticas que fiz ao currículo espalhado na imprensa. Na época, “Veja” soltou uma matéria ridícula dizendo que o cargo que Meirelles conquistara no Bank Boston (vice-presidente de um banco pouco expressivo nos Estados Unidos) era tão relevante que necessitara da aprovação da OCDE (o grupo dos países mais industrializados do planeta).

Pouco tempo depois, Meirelles convenceu a diretoria do BC a escrever um abaixo assinado, protestando contra o fato de eu ter escrito que o banco se tornara um trampolim para seus diretores, que o utilizavam como alavanca para fazer carreira no mercado.

Praticamente todos os signatários do manifesto estão empregados no mercado.


5 comentários

  1. "A Coisa Nossa"
    quarta-feira, 16 de julho de 2008 – 14:42 hs

    Não dá para esquecer que o Daniel, o “senhor República”, tem uma das maiores fortunas individuais do país e do ponto de vista da ação do capital financeiro internacional, que é quem manda aqui, ele é apenas mais um testa de ferro.
    O seu patrimônio foi conquistado durante o desmonte da máquina pública realizado pelo FHC, mas também contou com a participação intensa de pessoas totalmente ligadas ao PT e a comando da campanha do Lula para presidente, sendo que entre eles podemos destacar o Gushiken, que na época e até hoje comanda os fundos de pensão.

    Resumindo, o presidente Lula, que “nunca sabe de nada” é presidente do Brasil, menos do Banco Central, pois o mesmo é um enclave extraterriotrial internacional comandado por outro testa de ferro, o Meirelles, que foi deputado eleito pelo PSDB e é um dos principais agentes do Banco de Boston (Bank of America), sendo que este banco é um dos maiores credores da dívida externa brasileira.

    Estes são os “patrões” do Daniel Dantas e do Meirelles:

    Rothschild Bank of London,
    Warburg Bank of Hamburg,
    Rothschild Bank of Berlin,
    Lehman Brothers of New York,
    Lazard Brothers of Paris,
    Kuhn Loeb Bank of New York,
    Israel Moses Seif Bank of Italy,
    Goldman Sachs of New York,
    Warburg Bank of Amsterdam,
    Bank of America,
    Chase Manhattan Bank of New York, etc..

    A promiscuidade nas relações entre o PT (Fundos de Pensão), o PSDB (Governo) e o Daniel Dantas começou nos processos de privatizações.

    Quanto ao Gilmar, ele foi indicado para o Supremo pelo FHC e tenta proteger os seus e não é a primeira vez que age assim.
    O Gilmar respondeu a uma Ação de Improbidade Administrativa, movida pela Procuradoria da República por ter deixado, como advogado geral da União, nomeado também por FHC, de enviar ao Ministério Público Federal um relatório da CGU, que confirmava irregularidades em 41 processos de acordos e de pagamentos extrajudiciais do antigo DNER, na época órgão subordinado a seu conterrâneo Eliseu Padilha, então Ministro do Transportes de FHC.

  2. quarta-feira, 16 de julho de 2008 – 16:20 hs

    Pois é ,pois é minha gente muito se fala destes canalhas a começar por aquele cara de fuinha, um tal juiz Gilmar,pau mandado de muitos, imaginem a grana que rolou, pra chegarem a afastar um delegado da PF e o seu Diretor Geral,vamos um pouco mais além desta maracutaia, como o povo brasileiro não tem memória vamos lembrar de algumas figurinhas a mais e coisinhas a mais.
    Primeiro: aquele sr.doutô advogado que na escuta telefônica chama o delegado da PF de descontrolado,nada mais é do que o sr.doutô advogado que soltou o sr.LULA lelé da cadeia a única vez que aquele sr. foi preso como sindicalista pela ditadura militar que resultou em uma demanda jurídica contra a própria União e saiu ganhando dos cofres públicos uma bába de indenização,vamos além, a revista VEJA já havia feito matéria exclusiva a respeito deste sr.doutô advogado a tempos atrás(ex-deputado Gringhald????) , e denunciou que somente em suas representações (quase que exclusivas)contra a União,pois, é o único que ganha as ações(até o dia da matéria da Veja ele já havia ganho mais de R$2 bilhões nas causas contra a União defendendo os injustiçados pela ditadura) e pagam a ele com tanta agilidade de dar inveja aos aposentados do INSS. Isto foi apenas pra lembrar que este mesmo sr.doutô advogado do LULA conhecidentemente é o advogado do sr.Dantas,engraçado não, e o povo trouxa fica vendo os poderosos avacalhar via TV GLOBO-JN com o dinheiro do nosso país.
    Fábio, uma pergunta : por um acaso não foi um destes bancos que o sr. Diretor Financeiro da Paraná Previdência aplicou o dinheiro dos servidores públicos?????????????Enfim mais mistérios,tem farofa debaixo deste tapete….época de campanha,fundos de campanha,etc…

  3. João Paulo Gouveia
    quarta-feira, 16 de julho de 2008 – 16:46 hs

    Não foi no Pactual que o Sr. Mario Lobo Filho andou aplicando o rico dinheirinho da Paraná Previdência? A quantas anda a investigação da Polícia Civil?

  4. jango
    quarta-feira, 16 de julho de 2008 – 16:52 hs

    VEJA – O que há de inevitavelmente ruim na forma republicana de governo?

    Rui Barbosa – “O mal grandíssimo e irremediável das instituições republicanas consiste em deixar exposto à ilimitada concorrência das ambições menos dignas o primeiro lugar do Estado e, desta sorte, o condenar a ser ocupado, em regra, pela mediocridade. (…) Eu queria republicanizar a monarquia, para conservá-Ia. Isto é, requeria que ela entrasse nos seus moldes constitucionais, deixando com sinceridade o governo ao povo e ao Parlamento. Não há monarquia compatível com a liberdade se não for essencialmente republicana. Nem é senão se fazendo cada vez mais republicano que o império britânico, a mais sólida construção humana de toda a História, tem assentado sua duração e grandeza.”

    (A República – edição especial VEJA)

  5. Jose Carlos
    quarta-feira, 16 de julho de 2008 – 17:16 hs

    A promiscuidade das relações entre os interesses privados e o Estado é alimentado pelas instituições do Estado, desde a República Velha. Há uma representação política anômala que, no geral, não passa de despachante de interesses privados, à soldo dos mesmos. Há um Estado carcomido, cambaleante, no qual estão penduradas instituições corporativistas, que se digladiam pela hegemonia estatal, garantidas pela estabilidade ou vitaliciedade, que se julgam acima da lei e militam em causa própria ou por causas contaminadas por ideologias pautadas pela luta de classes e por ideais piegas há muito superados em todo o mundo, agarrando-se às suas prerrogativas, carteirinhas com brasões dourados e vencimentos desproporcionais ao resultado que alcançam. Financiando tudo isso está o povo, esta entidade fictícia, mera espectadora, atônita, impassível… O impávido colosso continua dormindo em berço esplêndido… Salve a República da Roça Brasileira….

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