Estudo confirma rombo na Paraná Previdência | Fábio Campana

Estudo confirma rombo na Paraná Previdência

O repórter Abraão Benício, do Jornal do Estado, publica matéria hoje que reacende um incêndio que o governo pensou que tinha apagado. Um estudo do representante dos servidores na Paraná Previdência, o vice reitor da UEL, Cesar Caggiano, a situação é crítica, o rombo é grande e é necessário um novo modelo para evitar a falência do sistema de aposentadorias do Estado.

Caggiano confirma as denúncias feitas pelo ex-diretor jurídico da Paraná Previdência, Francisco Alpendre, que garante que só no governo Requião o Estado deixou de repassar R$ 3,3 bilhões previstos em contrato. Para ler matéria do Abraão Benício, clique no

O Conselho de Administração da Paraná Previdência analisa, em reunião na próxima segunda-feira, proposta de alteração do modelo de gestão do fundo de aposentadorias e pensões dos servidores públicos do Estado. A medida emergencial serviria para evitar a falência do atual sistema que, desde a sua implantação em maio de 1999, vem sendo castigado pela falta de repasses obrigatórios por parte do governo.

De acordo com o ex-diretor jurídico do órgão, Francisco Alpendre, somente a gestão Roberto Requião (PMDB) já teria deixado de repassar cerca de R$ 3,3 bilhões previstos em contrato. Alpendre foi demitido pelo governador depois de denunciar um esquema de corrupção que beneficiaria membros do governo e diretores da instituição, entre eles o atual diretor financeiro, Mário Lobo Filho.

Segundo o criador da proposta, o vice-reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e representante dos servidores no Conselho de Administração, César Antônio Caggiano Santos, o novo modelo permitiria a solvência do atual sistema, que em 35 anos se tornaria auto-sustentável.

O projeto de alteração do sistema – elaborado a partir de um estudo financeiro e atuarial – foi apresentado ao diretor-presidente da Paraná Previdência, Munir Karam, no último dia 25. “Os técnicos do órgão estão analisando meu estudo para apresentarem um parecer”.

Uma vez aprovado pelo Conselho, o modelo terá que ser submetido ao aval do Ministério da Previdência que, segundo informações extra-oficiais, já teria inclusive aberto um procedimento para investigar as denúncias de corrupção no órgão paranaense.

Créditos — Para o professor Caggiano, a mudança no sistema de gestão é a única forma de garantir a viabilidade financeira do fundo previdenciário do Estado. A principal alteração seria justamente nos aportes do Estado, que garantiriam somente através de ativos não financeiros aproximadamente R$ 200 milhões ano para a instituição. “Não adianta nada a Paraná Previdência ter estes valores bilionários a receber em créditos se o governo não terá condições de pagá-los. Há mais de seis meses estou trabalhando neste estudo. Precisamos viabilizar o sistema previdenciário com base na situação financeira do Estado”, explica.

Caggiano, porém, discorda de Alpendre em relação ao valor dos créditos não repassados pelo Executivo. Segundo ele, dos R$ 3,3 bilhões deve ser descontado R$ 1,3 bilhão, que teriam o pagamento assegurado, uma vez que o valor é relativo à royaltties da Usina de Itaipu repassados pelo governo federal ao Estado. “Nem o Alpendre está certo ao afirmar que o sistema está falido e nem o governador ao alegar que tudo está às mil maravilhas”.


2 comentários

  1. De Guaratuba
    quinta-feira, 3 de julho de 2008 – 10:46 hs

    Como os mentores são os mesmos, o Moreira podería lançar como lema de campanha: “TUDO PELO SOCIAL” em favor dos aposentados sem proteção. E para o TC do futuro também uma pérola.
    Teríamos então o prato feito e completo: a criação de um “Curitiba Previdência” e de um “TC Previdência” . Para os mesmos.

  2. Cidadão de olho
    quinta-feira, 3 de julho de 2008 – 21:32 hs

    Alerta Geral !

    olha aí: esse debate “oculto” e “atravessado” só poderá resultar na proposta de elevação da alíquota de contribuição dos servidores estaduais do Paraná ?!

    Servidores do Paraná: estado de alerta !

    Volto a repetir: Por que essas “novidades” só surgiram após a malfadada denúncia do Sr. Dr. Francisco Alpendre.

    Por que o Sr. Cesar Caggiano, representante dos servidores estaduais na PR PREVI (conselho de administração), por indicação dos sindicatos de servidores estaduais, só agora aparece com essa “novidade” !

    Se é assim, porque não propôs a mais tempo esse debate, entre seus pares dos sindicatos de servidores públicos estaduais ?

    Quer dizer que de um dia para o outro, tudo ficou ruim na seara da PRPREVI ?

    Se o valor dos créditos não repassados pelo Executivo são de R$ 2,0 bilhões (R$ 3,3 bilhões – R$ 1,3 bilhão), correspodem a que ?

    Seriam decorrentes de(o): isenção dos aposentados ?; adesão do Ministério Público e Poder Judiciário, sem a necessária contrapartida ?; redução da alíquota de contribuição de 12 e 14%, estipuladas na lei PR 12.398/98, para 10% ?; dos aumentos salariais acima da previsão do estudo atuarial iniciais ?; …

    Com a palavra: o governo do PR, a direção da PRPREVI, os quatro (2 no Conselho de Adminsitração e 2 no Conselho Fiscal) representantes dos servidores estaduais (indicados pelos sindicatos) e demais conselheiros !

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*