Durval Amaral diz que não legitimará processo viciado na escolha de conselheiro do TC | Fábio Campana

Durval Amaral diz que não legitimará processo viciado na escolha de conselheiro do TC

Em discurso emocionado, o deputado estadual Durval Amaral (DEM) anunciou hoje que não vai concorrer à vaga de conselheiro do Tribunal de Contas nos moldes como a disputa está sendo conduzida.

“Não posso legitimar um processo que na minha convicção está viciado. Não tenho condições de igualdade. Meu concorrente é o governador Roberto Requião. Não é uma disputa entre eu e meus pares”, justificou.

“É difícil ouvir de um deputado que se o voto fosse secreto votaria em mim, mas sendo aberto ficará difícil. A votação aberta para escolha de um membro do Tribunal de Contas é inconstitucional e antidemocrática, pois o parlamentar vota na condição de eleitor e o cidadão deve votar sem que haja qualquer pressão. Nesse caso, o resultado é previsível: o eleitor não vai escolher o que é melhor para o Estado, para o Parlamento, e sim o que é bom para o governador”, completou.

Amaral lamentou o fato de a Assembléia abrir mão de uma prerrogativa, que é a de indicar o conselheiro do TC.

“Um deputado me disse que se essa vaga for para o irmão do governador, quando vir um novo governo virá um novo irmão e assim a Assembléia nunca mais vai se fazer valer. Vou continuar sonhando. Eu sonho que um dia a Assembléia possa dizer não. O que é prerrogativa da Assembléia nós não abrimos mão”, disse.

O deputado acenou para a possibilidade de disputar, no futuro, a indicação para uma nova vaga de conselheiro, mas advertiu que a postura dos parlamentares terá que mudar. “Não é uma crítica ao governo nem ao Maurício Requião, mas uma posição de preservar a Assembléia e não constranger meus amigos. Quem sabe um dia, quem sabe até nesse processo ainda, possa ser o indicado. Estarei à disposição”.

“A candidatura do deputado Durval Amaral não é um instrumento da Oposição. Ou eu sou um candidato do conjunto da Assembléia Legislativa para representar a Assembléia e a sociedade como conselheiro, ou então não valerá a pena”, concluiu.

Ação

Os advogados da Liderança da Oposição na Assembléia decidiram entrar com uma ação popular para anular o edital de convocação de candidatos à vaga de conselheiro do Tribunal de Contas. Alegam que o edital está incompleto e não é transparente. A Oposição pretende, com a ação, que o edital seja republicado e com isso adiar a escolha do novo conselheiro do TC. “É o caso de impetrar uma ação popular porque é o interesse público que está sendo lesado, e não o interesse subjetivo do parlamentar”, informou o advogado Luis Fernando Pereira.


6 comentários

  1. zthox
    quarta-feira, 2 de julho de 2008 – 20:16 hs

    AL apêndice do Requião?

  2. jango
    quarta-feira, 2 de julho de 2008 – 20:18 hs

    Este depoimento do deputado Durval Amaral demonstra a autenticidade de seu perfil parlamentar e a escabrosa realidade deste pleito. Não é possível que os deputados em vez de atender o interesse público e a dignidade do mandato popular lambam as botas do governador e submetam-se ao seu interesse personalíssimo. Se houver decência no Estado é preciso reagir e apoiar as iniciativas contra este procedimento farsesco e imoral, atentado vil aos valores do trabalho e do mérito buscados pela sociedade. Ainda há tempo.

  3. Minerva
    quarta-feira, 2 de julho de 2008 – 20:49 hs

    Jango, você tem toda a razão. O Durval, sempre foi um exemplo de postura ética na Assembléia Legislativa, inclusive na época do Jaime Lerner quando defendia com unhas e dentes esta postura de independência dos poderes. Este seu discurso revela que voces são farinhas do mesmo saco, ou melhor são o mesmo saco.

  4. jango
    quarta-feira, 2 de julho de 2008 – 21:43 hs

    Minerva:

    A minha farinha eu pago com o meu trabalho não com cargo vitalício no TC. Se você quer pagar a conta desta farsa nada posso fazer.

  5. Indignada
    quarta-feira, 2 de julho de 2008 – 21:47 hs

    Rui Barbosa, cada vez mais atual:
    De tanto ver triunfar as nulidades,
    de tanto ver prosperar a desonra,
    de tanto ver crescer a injustiça,
    de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
    o homem chega a desanimar da virtude,
    a rir-se da honra,
    a ter vergonha de ser honesto “.

  6. Marqueteiro oficial
    quinta-feira, 3 de julho de 2008 – 0:18 hs

    É um mané, na Assembléia todo mundo torceu contra ele, não passa de um bossal.

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