Comentário de Stephanes azeda humor de Amorim | Fábio Campana

Comentário de Stephanes azeda humor de Amorim

Deu no Josias de Souza, da Folha de S.Paulo:

Como que decidido a subverter o provérbio, o chanceler Celso Amorim enviou um recado ao colega de Esplanada Reinhold Stephanes. Quando um quer, dois brigam, eis o que deu a entender um Amorim nada diplomático.

Não bastasse a queda-de-braço que trava na OMC, o chanceler foi abalroado por um comentário do ministro da Agricultura.

Stephanes dissera que a negociação para descongestionar o comércio global “não servirá para nada.”

Mais: afirmara que a abertura comercial virá “por razões de mercado”, não por intervenções da diplomacia.

O sangue de Amorim fervilhou: “Se ele realmente pensa isso, então deve achar que estou me divertindo aqui.”


O governo é mesmo um barco sui generis. Uns olham prum lado. Outros remam pro outro. Falta timoneiro.
Escrito por Josias de Souza às 04h56
Deu no O Estado de São Paulo
Assunto: Economia
Título: 1b ”Stephanes acha que eu estou aqui me divertindo?”
Data: 25/07/2008
Crédito: Jamil Chade
Jamil Chade
Celso Amorim reage à declaração do ministro da Agricultura, de que Doha ?não serve para nada?
O Itamaraty pediu que outras pastas não enviassem ministros a Genebra para a reunião decisiva da Rodada Doha nesta semana. A confirmação foi dada ao Estado por uma fonte do governo, que pediu anonimato. Ontem, na Organização Mundial do Comércio (OMC), tanto a Argentina como a Índia defenderam as afirmações do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, de a Rodada Doha “não servia para nada”. Sem graça diante da declaração, o chanceler Celso Amorim apenas ironizou. “Se Doha não vale nada, será que Stephanes acha que eu estou aqui me divertindo?” Amorim disse que não leu a entrevista de Stephanes, dada ao Estado um dia antes.
O setor privado brasileiro, com destaque para a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e o Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), defendeu o acordo e criticou as declarações de Stephanes. Estimativas do Banco Mundial e da própria OMC apontam que o setor agrícola brasileiro seria um dos principais beneficiados com a Rodada. Mas a expansão das exportações seria inferior à que hoje é resultado da alta dos preços internacionais.
A declaração de Stephanes provocou certo impacto na OMC. “Concordo com ele (Stephanes)”, disse o polêmico ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, sobre Stephanes. Para Nestor Stancanelli, negociador-chefe da Argentina, a proposta que estava sobre a mesa não traz nenhum benefício aos países emergentes. “O que disse Stephanes foi lindo”, disse Alberto Dumond, embaixador da Argentina na OMC. Uruguaios e paraguaios também sorriam, satisfeitos com os comentários.
Índia e Argentina estão entre os mais radicais contra a abertura de mercados e alertam que a entidade estaria defendendo uma agenda dos países ricos. Até mesmo funcionários do Ministério da Agricultura saíram em defesa de um acordo, alegando que os limites aos subsídios seriam importantes no futuro.
Nos últimos dias, o Estado revelou que os representantes do Ministério da Agricultura e do setor privado ficaram de fora de todas as reuniões bilaterais com outros governos. Em encontros entre a UE e o Brasil, Bruxelas enviou o comissário de Comércio, Peter Mandelson, e a comissária agrícola, Mariann Fischer Boel. Japoneses e chineses também levaram a Genebra seus ministros de Agricultura. O Itamaraty reagiu, alegando que todos ministros foram convidados. E disse que foi Stephanes quem não aceitou.
Fontes revelaram ao Estado que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, pediu para ir a Genebra. Sua pasta sugere que nove produtos agrícolas mantenham certas proteções, entre eles trigo, leite, tomate, arroz e feijão. O Itamaraty achou que não seria boa idéia, já que as salas de reunião comportariam apenas um ministro. “Ele foi desconvidado”, disse uma fonte.
Deu no O Estado de São Paulo
Assunto: Economia
Título: 1c Para Stephanes, críticas e apoios
Data: 25/07/2008
Crédito: Fabíola Salvador, Eduardo Magossi, Tomas Okuda e Venilson Ferreira
Fabíola Salvador, Eduardo Magossi, Tomas Okuda e Venilson Ferreira

No setor agropecuário, maioria discordou do ministro
“Ruim com ela, pior sem ela. Esta é a opinião do secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, João Sampaio, em relação à Rodada Doha. Sampaio discordou das declarações do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, de que a Rodada “não servirá para nada”. Mas ponderou que, “em certa medida” o ministro tem razão. “Os países ricos exigem redução das nossas tarifas, mas não oferecem uma contrapartida na mesma proporção.”
Para o presidente da Associação Brasileira Produtores e Exportadores de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, Stephanes está equivocado. “A rodada pode abrir mercados para o Brasil. E ,se os resultados até o momento são pequenos, foi porque a estratégia brasileira não priorizou a agricultura. E, se a estratégia não priorizou a agricultura, é um sinal de que o Ministério da Agricultura não teve uma atuação significativa no governo Lula.”
O assessor técnico da Comissão Nacional de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Matheus Zanella,acredita que as declarações “atrapalham e enfraquecem o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim nas negociações”. Para Zanella, os demais negociadores poderão questionar Amorim sobre a importância que o Brasil dá à negociação. “Vão perguntar: para que insistir na redução de subsídios se o próprio ministro da Agricultura do Brasil pensa diferente?”
Já o presidente da Associação dos Cafeicultores do Paraná e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Luiz Suplicy Hafers, elogiou as declarações. Na opinião de Hafers, a entrevista do ministro “reflete o desconforto da classe ruralista, que se sente usada como moeda de troca nas negociações do governo brasileiro na OMC”.


6 comentários

  1. Iran Batistela
    sexta-feira, 25 de julho de 2008 – 11:24 hs

    O ministro Stephanes é um boçal, fala pelos cotovelos. O filho dele é a mesma bosta, se acham. Tá mais do que na hora do Lula se livrar dele.

  2. Vigilante do Portão
    sexta-feira, 25 de julho de 2008 – 11:29 hs

    Ele não poderia ser tão franco. O Amorim e sua equipe estão tentando mudar as coisas, é difícil, mas deve ser tentado.

  3. Clone
    sexta-feira, 25 de julho de 2008 – 12:20 hs

    Concordo com o Stephanes. esse negócio de “Rodada Doha” não é feita no interesse dos países produtores de commodities, mas sim serve pra abrir a economia destes para os bens industrializados dos países do norte.
    Os EUA e a UE não vão cortar os subsídios agrícolas deles, mas sim vão diminuir um pouquinho, enquanto esperam que os países do Sul diminuam muito mais, comparativamente, os impostos de importação. E isso sem contar as barreiras sanitárias (sem critério) e as cotas de importação que os EUA e a UE impõem.

    Vamos esquecer Doha, e vamo vender comida pra China e pra Rússia… quando os americanos e europeus ficarem com fome, eles vão comprar da gente também…

    P.S. Quem dera fosse simples assim

  4. Deco
    sexta-feira, 25 de julho de 2008 – 12:34 hs

    Tem muito petista com os nervos a flor da pele, porque será? Calma gente! Beto vem aí, passa a poeira levanta e depois de muito tempo aparece a Barbi! Ô coitada tá tão depremida que precisa uma sessão de beleza no seu Salão preferido do Batel!

  5. Jose Carlos
    sexta-feira, 25 de julho de 2008 – 14:33 hs

    Ele está certo. Amorim coleciona uma lista enorme de fracassos, tendo servido a seus chefes com igual subserviência. De modo geral a diplomacia brasileira gasta muito e consegue pouco em negócios. São burocratas, não são negociantes, como os americanos. Os americanos apóiam sua doutrina de segurança nacional em três pontos fundamentais, que são o tripé de sutentação de sua política econômica desde o fim da II Guerra: alimentação, energia e aço (minérios). Nestes assuntos eles não transigem e não transigirão, pois jamais ficariam dependentes de outros países nestes itens, vulnerando sua segurança como potência mundial, temida, amada e odiada. Somente a evolução do mercado ditará mudanças mais significativas, como bem disse Stephanes (que é antipático e arrogante, mas é competente). O resto é conversa mole pra boi dormir. Coisas da roça brasileira, com seus jecas diplomatas divertindo-se à custa do Erário…

  6. Jose Carlos
    sexta-feira, 25 de julho de 2008 – 14:45 hs

    Em tempo: achar que os EUA foram razoáveis em diminuir o teto de subsídios para 13 bi é coisa de burro. A lei de política agrícola dos EUA permite ao governo conceder até US$40 BILHÕES em diversos tipos de estímulos. Em 2007, graças ao bom desempenho dos produtos agrícolas, eles concederão menos de US$ 5 BILHÕES em subsídios e agora estão dispostos a limitar em US$13 BILHÕES. Só os mentes de galinha dos representando a jecaria mundial não acham razoável….

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