Dos jovens brasileiros, 47% gostariam de deixar o país | Fábio Campana

Dos jovens brasileiros, 47% gostariam de deixar o país

Do total de jovens brasileiros, 42% já perderam ao menos um ano na escola. Quase metade, 47%, gostaria de viver fora do país. Isso significa que os jovens não vão bem na escola e que a metade não está satisfeita com o país onde vive. Quer entender as razões desse desalento? Dos 14,7 milhões de empregos gerados entre 1986 e 2006 no país, os jovens entre 15 e 24 anos ocuparam apenas 7,8% do total. Foi o que apontou uma pesquisa inédita da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – agência da ONU – que será divulgada em outubro. Para saber mais, clique no Com o apoio do projeto de Promoção do Emprego de Jovens na América Latina (Prejal), o estudo traça, com base em microdados da Pesquisa Nacional de Domicílio (PNAD) de 2006, o perfil do jovem de 15 a 24 anos. O relatório apontará, ainda, caminhos a serem seguido por governos e empresas na busca de soluções para o desemprego juvenil. O estudo foi baseado, também, em dados do Ministério do Trabalho. Entre as conclusões do documento, está que a precariedade do sistema educacional brasileiro e a pouca escolaridade leva, na maioria das vezes, os jovens a entrarem no mercado de trabalho de maneira precária. Por isso, apresentam taxas de desocupação e informalidade acima das demais faixas etárias, baixos níveis de rendimento e de proteção social. A desvantagem dos jovens no mercado de trabalho é maior, apesar de passarem mais tempo na escola que os adultos. Enquanto 41% desses têm de zero a quatro anos de estudo, 11,9% dos jovens de 15 a 24 anos possuem essa mesma escolaridade. Já para a faixa de escolaridade de nove a 11 anos de estudo, o percentual de adultos é de 24% e 44% para jovens. A juventude brasileira está concentrada, predominantemente, em áreas urbanas. Em 2006, do total de 34,7 milhões de jovens entre 15 e 24 anos, 28,9 milhões (83,3%) moravam em áreas urbanas e 5,8 milhões (16,7%) encontravam-se no campo. A desigualdade educacional também persiste entre esses jovens: apenas 1,4% dos jovens rurais tinha 12 anos de estudo ou mais. Esse percentual atingia 9,8 dos jovens das cidades. As desigualdades regionais também pesam. A taxa de analfabetismo entre os jovens era, em 2006, de 0,9% na região Sul e 5,3% no Nordeste. Outro dado da OIT mostra que persiste uma elevada desigualdade em termos de acesso à educação entre pessoas com a cor da pele diferente. Enquanto 39,7% dos jovens negros tinham de cinco a oito anos de estudo, o número cai para 29,5% quando se trata de brancos com mesmo período de escolaridade. Mais de 13% dos brancos tinham 12 anos ou mais de estudo. Esse número cai para 3,7% entre os negros. O estudo considerou como população negra o total de pessoas pardas e pretas. O desemprego de jovens tem maior incidência para o sexo feminino, para a etnia negra a população urbana. A taxa de desemprego entre 15 a 24 anos era de 17,8% e dos adultos, 5,6%. O desemprego entre os homens jovens era de 13,8% e 23% entre as mulheres da mesma faixa etária. Na área rural, o desemprego atingia 7,1% dos jovens trabalhadores. Nas áreas urbanas não-metropolitanas o desemprego crescia para 17,5% e 24,8% nas áreas metropolitanas. Em 2006, 31,4% dos jovens ocupados eram empregados sem carteiras, contra 14,1% de adultos na mesma situação. Do total das jovens ocupadas entre 15 e 24 anos, 14,8% eram trabalhadoras domésticas sem carteira assinada. E 11,6% das mulheres adultas trabalhavam na mesma situação. Os jovens são, no Brasil, as principais vítimas da precariedade do mercado de trabalho informal. A taxa de informalidade entre eles afeta 60,5% dos jovens trabalhadores ocupados. Embora as mulheres apresentem informalidade superior a dos homens, a maior desigualdade prevalece em termos de cor, raça e etnia e local de moradia. De acordo com o relatório, a probabilidade de um jovem com até quatro anos de estudo estar no setor informal é o dobro daquela prevalecente para uma pessoa de 15 a 24 anos com 12 anos ou mais de estudo. Apesar dos números, a coordenadora nacional do Prejal, Karina Andrade, diz que o Brasil tem demonstrado esforço em promover empregos aos jovens, mas ainda há muito a ser feito. Segundo ela, a criação de conselhos estaduais da juventude seria um passo positivo na busca de políticas públicas voltadas para os jovens e aponta que a profissionalização de qualidade é um dos caminhos. “Não dá para falar em trabalho sem falar em educação”, afirma. Escrito por Osvaldo Bertolino às 22h39


4 comentários

  1. jango
    quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 9:53 hs

    E a gande promessa das campanhas para geração de empregos para os jovens ? Tudo discurso fajuta.
    Gasta-se milhões ou bilhões em propaganda “oficial” nos governos de todos os níveis, quando segundo a proposta da Cristóvão Buarque, com 7 bilhões se implantaria uma revolução educacional permanente no país, dando condições de qualificar a geração de empregos.
    Como se gasta muito e mal no Brasil graças à conivência das ditas autoridades de controle público.

  2. Luiz Maussi
    quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 10:51 hs

    75 mil mulheres brasileiras vivem na prostituição na Europa segundo a ONU. 90% dos empregos gerados são abaixo de 2 salários minimos. É a politica economica neoliberal de FHC que continua até hoje com juros altos e dolar baixo matando a industria e os empregos com salários melhores. Adios Brasil.

  3. roberto
    quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 15:46 hs

    Do jeito que a coisa vai, o último apague a luz!

  4. João
    quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 17:10 hs

    Calma lá!

    Sem querer jogar uma pá de pólvora nessa discussão, “Neoliberal” significa, no dicionário esquerdista-português, “o sujeito que insiste em não concordar comigo”.

    Sabem o que iria criar empregos formais aos montes? Simplificação e redução de custo trabalhista e previdenciário.

    No meu escritório empregos deixam de ser criados por conta do custo e burocracia trabalhista e previdenciária.

    Os doutores em economia que arranjem uma solução pra isso.

Um Trackback

  1. Por: Blog do Edson Lima » Jovens querem ir embora do Brasil, quarta-feira, 30 de julho de 2008 – 9:37 hs

    […] Quer entender as razões desse desalento? Dos 14,7 milhões de empregos gerados entre 1986 e 2006 no país, os jovens entre 15 e 24 anos ocuparam apenas 7,8% do total. Foi o que apontou uma pesquisa inédita da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – agência da ONU – que será divulgada em outubro. Aqui. […]

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