Uma carta de Malu Rocha sobre o Colégio Estadual | Fábio Campana

Uma carta de Malu Rocha sobre o Colégio Estadual

A professora Malu Rocha escreveu esta carta para os comentários. É tão significativa que merece ser publicada também aqui, como matéria acolhida pelo blog. Leiam, reflitam, o que acontece no Colégio Estadual é a expressão do caráter fascistóide do próprio governo que nomeou e mantém a diretora e seus métodos no poder.

A quem se identifica como não é bem assim:

Acredito estar havendo um equívoco grave na sua interpretação dos fatos. Tenho o MAIOR RESPEITO por estes “companheiros idosos que tanto contribuíram na luta de resistência pela e para a democratização do país, como pela reorganização do movimento social, incluindo neste rol a própria APP-Sindicato, pois muitos são professores aposentados que participaram das greves de 79, 80 e 81, sendo espancados, presos e fichados na defesa da categoria”. E foi exatamente por este respeito e pela confiança que tenho na luta deles é que resolvi participar. Em meu texto, em momento algum, citei que os estudantes não foram bem recebidos no dia 27/06/08, até porque já não estava mais lá. O que abordei foi o fato de algumas pessoas responsáveis por tantas atitudes autoritárias e repressoras no Colégio Estadual do Paraná, neste momento histórico, terem tanto espaço num evento de TAMANHA SERIEDADE E IMPORTÂNCIA.

Quando decidi participar, além de me solidarizar com a luta de vocês, fui conhecer um pouco mais da história que ali seria relatada, buscar um pouco de conforto. Não fui lá para falar, fui também pedir ajuda, discretamente, sem precisar fazer uso da palavra. Só decidi pedir um espaço (03 minutos), depois da fala da professora Madselva. Jamais faria uso da palavra, agressivamente, pois não estava ali para promover nenhum tumulto. Infelizmente, há muitas pessoas no Colégio Estadual do Paraná sofrendo com a situação que ali se instalou. Jamais imaginei que falar sobre o que lá se passa, de fato, para as pessoas que ali estavam, que já sofreram na pele e na alma os danos da repressão e da perseguição política, iria parecer oportunismo. Acreditava que um dos objetivos do evento era refletir sobre os erros do passado, como uma maneira de garantir que eles não se repitam.

Talvez o equívoco seja meu, de tentar pedir atenção para um grupo bem significativo de professores, funcionários e alunos vítimas de uma repressão desvelada e perversa, mas talvez não tão perversa assim para os que desconhecem (e /ou fazem questão de ignorar) o que está ocorrendo no
Colégio Estadual do Paraná. Se, de fato, o equívoco for meu, só me resta pedir desculpas à maioria das pessoas que ali estavam e pelas quais tenho uma profunda admiração e respeito.

Maria Luíza Moreira da Rocha Diniz Lacerda


11 comentários

  1. João
    sábado, 28 de junho de 2008 – 15:21 hs

    Tudo que ocorreu no tempo da ditadura, teve o principio do ideal politico, a direita contra esquerda, visão de mundo, necessidade de mudança. O trabalho para evoluir a sociedade é o principal motivo para que todos tenham todos os direitos respeitados. Os acontecimentos no Colégio Estadual, ocorreram pela quebra de previlégios de poucos, sentindo-se ameaçados pelas mudanças propostas. A ditadura e tortura sendo elas psicologicas ou fisicas tem que ser totalmente execradas da sociedade. O cuidado com manipulação da opinião teve ser o principal alvo que a nossa sociedade deve. Isto vem ocorrendo no CEP, a divulgaçao de situaçoes que professores estão sendo pressões por parte da Direção, são no minimo fantasiosas, temos que descobrir a verdade real, não o que algumas pessoas nos tentão expor a sociedade, como fatos verdadeiros.
    Lutar pela liberdade de expressão e contrar qualquer tipo de repressão, deve ser tão importante quanto lutar que fatos não verdadeiro parem na midia e transformem pessoas de bem em bandidos. Como a nossa imprensa ja fez no passado, e não reparou o erro.

  2. Professora do CEP
    sábado, 28 de junho de 2008 – 15:36 hs

    Valeu a tentativa Malu!

    Quem sabe em 2010 tenhamos um pouco mais de voz!

    Valeu Fábio, obrigada pela atenção dada ao colégio!!!

  3. Profª do Estadual
    sábado, 28 de junho de 2008 – 17:37 hs

    Parabéns Malu!
    Vivência democrática sugere solidariedade, respeito às diferenças, pluralismo de idéias e sobretudo esperança, para que seja possível visualizar, num futuro não longínquo, uma escola pública responsável pelas mudanças necessárias em nossa sociedade.
    Como, apropriadamente, disse Paulo Freire: “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.” Projetos coletivos fundamentam-se em práticas democráticas e é disso que sentimos falta no Colégio Estadual do Paraná.

  4. Thianny Carvalho
    sábado, 28 de junho de 2008 – 19:27 hs

    PARABÉNS!! Prof Malu pela sua coragem, persitência e mesmo processada e fastada do CEP consegue ter tanta dignidade . A sua carta revela o quanto os discursos sobre democracia se distânciam da prática. Lamentavelmente O governo Requião ainda mantém na maior escola do estado um regime de excessão.

  5. Professora
    sábado, 28 de junho de 2008 – 21:03 hs

    Obrigada Fábio pela atenção que este blog deu ao colégio, ao contrário do que ocorre com os meios de comunicação do sindicato de nossa categoria, a APP-SINDICATO.

    Sempre que os questionamos, ouvimos que eles estão fazendo tudo o que podem e que não é somente o estadual que tem problemas, ora, com certeza não é somente o estadual que tem problemas, APESAR DE TERMOS O MELHOR SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO MUNDO, as escolas passam por muitos problemas, mas acredito que informar a comunidade, ou pelo menos a categoria, sobre a verdade do que realmente ocorre dentro daqueles muros, não é pedir demais.

    Por isso agradeço novamente a este blog.
    Obrigada Fábio.

  6. Desculpas aceitas!
    sábado, 28 de junho de 2008 – 23:01 hs

    Com certeza não discordamos de nenhuma proposta que leva a democratização nas escolhas de dirigentes, pois o que sempre defendemos como marxistas que somos é a radicalização democrática.

    Embora venhamos também a questionar o espírito corporativista que algumas categorias mantêm ao priorizarem as discussões economicistas pelas melhores condições de vida de si próprios em vez de questionar a estrutura burguesa de poder.

    Em nossa convicção o processo de escolha de um dirigente deve ser paritário, assim respeitando a participação a todos os envolvidos no processo, professores, funcionários, alunos, pais, etc., pois em nossa opinião a escola tem de ser dirigida pela comunidade.

    A sua direção deve ser subordinada a fiscalização de um conselho popular, já que somente a eleição de forma burguesa só serve para na maioria das vezes esconder os interesses escusos de uma minoria.
    E o que falo não tem nada de novo, já que vemos acontecer em tantas escolas aonde a aplicação dos recursos pelas direções ocorre de forma criminosa ou no mínimo duvidosa, pois as comunidades não participam nas decisões sobre a aplicação do erário.

    A tal da participação das comunidades via as APMs na maioria das vezes podem ser consideradas fraudulentas ao serem manipuladas pelas máquinas eleitorais que são as diretorias, que em grande parte das vezes é quem formata as chapas vencedoras.

    As Escolas públicas ainda são corpos estranhos as comunidades, pois dentro delas a participação e poder de decisão somente existem nas mãos de minorias “democraticamente eleitas”, sendo que a “participação popular” se restringe ao ato de votar sem que haja o debate, o confronto das idéias, de forma permanente!

    Mero engodo democrático burguês!

  7. Indignada
    sábado, 28 de junho de 2008 – 23:01 hs

    (Cópia do e-mail encaminhado à Ouvidoria da SEED)
    Prezados Ouvidores

    Sou professora do Colégio Estadual do Paraná e, por receio de sofrer retaliações como infelizmente aconteceu com muitos colegas professores e funcionários, não divulgarei meu nome.
    Escrevo em nome de muitos professores e funcionários, os quais apelam para que a SEED intervenha no Colégio Estadual do Paraná, pois a atual direção está levando os 161 anos de história desta renomada instituição para o abismo. São muitos processos injustos, perseguições e ameaças com muitos professores (aliás, a comunidade escolar não entende o porquê, pois são excelentes profissionais) simplesmente porque discordam da atual gestão. Não bastasse isso, ela continua punindo e sacrificando pessoas que trabalham e fazem a diferença na educação. Humilhar professores e funcionários é uma prática constante da Diretora Maria Madselva e o que nos deixa mais entristecidos e indignados é saber que essa “pedagoga” jamais poderia ser diretora geral do nosso amado e querido CEP, pois ela não possui laços de afeto, carinho, respeito, amor, visão administrativa e uma história com essa instituição.

    Menciono, a seguir, algumas considerações relevantes:

    # A participação nos concursos realizados dentro do estabelecimento era feita por meio de inscrições dos professores e funcionários e posteriormente eram sorteadas as pessoas que neles iriam trabalhar; – Hoje: A funcionária Silvana é a pessoa responsável por escolher quem ela quer que trabalhe, favorecendo sempre um mesmo grupo restrito de pessoas.

    # As coordenações de área foram uma importantíssima conquista das antigas direções e corpo docente do Colégio, junto à SEED, devido à complexidade causada pelo número de professores de cada disciplina. Os maiores objetivos da coordenação eram buscar uma unidade, construir uma prática pedagógica significativa, ser suporte para que os professores aprimorassem cada vez mais seu trabalho. Hoje: as coordenações de área foram extintas, sendo que os materiais das áreas não estão sendo utilizados, materiais de custo elevado estão espalhados pelo colégio, pois os professores perderam o direito de preparar suas aulas, atender seus alunos e pesquisar em suas salas de coordenações.

    # Na hora-atividade, os professores não conseguem um lugar adequado para trabalhar, pois a maior parte das salas de coordenações foi extinta. As que sobraram são compartilhadas por professores de mais de uma área, a maior parte do tempo não comportando todos nas salas, o que não oportuniza encontros e discussões dos grupos, bem como as interações sociais.

    # Os professores não possuem sala com computadores e impressora para digitar suas provas, atividades e projetos. Isso é gravíssimo, provando mais uma vez que o que funcionava na escola, hoje está sucateado.

    # Em algumas áreas os professores não têm acesso às informações de cursos promovidos pela SEED ou por Universidades, etc., pois outra tarefa dos coordenadores era repassar essas informações para os professores da área e, hoje, as pedagogas que deveriam desempenhar esse papel, não estão dando conta das inúmeras tarefas a elas atribuídas, pois além de atender pais e alunos, não conseguem discutir os assuntos pertinentes à área, devido à formação acadêmica que tiveram.

    # A Diretora Geral simplesmente não tem contato algum com os professores, não vai à nossa sala nos momentos dos intervalos, pois não tem afinidade com a maioria do corpo docente. Aliás, essa é a única escola em que a direção não cumprimenta nem conversa com os professores, não propiciando um ambiente de acolhida, respeito, dignidade e profissionalismo.

    # Professores e funcionários estão com a auto-estima baixa, depressivos, tristes. Nunca houve um ano com tantos atestados médicos, licenças, faltas de professores. Não vemos as pessoas felizes, rindo, contando piadas, satisfeitas e estimuladas com o ambiente de trabalho, como era na época anterior à chegada da atual diretora.

    # A sala dos professores virou depósito, já que os professores não possuem mais as salas de coordenação. Como não há outro espaço, guarda-se ali o que é possível guardar. A inspetora que ficava permanentemente nessa sala, auxiliando professores e alunos, além de cuidar da limpeza e atender ao telefone, não fica mais lá, perdendo-se assim mais um ambiente agradável.

    # As mudanças de calendários e datas são constantes, o que ocasiona a falta de organização da maioria dos setores.

    # Montar e desmontar a equipe é uma prática constante, são tantos rostos novos naquela escola, que não sabemos quem é quem, quais funções exercem, etc.

    # As datas comemorativas simplesmente passam em branco, reforçando a incompetência da diretora, como os 161 anos do CEP, Dia da Mulher, Dia das Mães, Dia Mundial do Meio Ambiente, etc.

    # O Setor de Recursos Humanos não possui relações humanas, pois a chefia nunca repassa as informações pertinentes aos professores e funcionários, nunca sabe responder os questionamentos e jamais se dirige pessoalmente para um cafezinho ou bate-papo na hora do intervalo.

    # Não sabemos quem é a atual Chefe da Divisão Educacional do Colégio, pois a Pedagoga Sandra Bizusko deixou o cargo.

    # Os portões ficam fechados até 10 minutos antes de iniciar a primeira aula. Enquanto isso, os alunos aguardam na rua, debaixo de chuva, de sol, e próximos de um fluxo intenso de automóveis e pedestres naquele local.

    # As salas de aula constantemente estão sujas, cortinas totalmente rasgadas (aliás esta nunca foi a aparência das salas de aula) e Tvs laranjas que não funcionam ou não foram instaladas.

    # O Dia do Desafio foi uma vergonha. Estagiárias do primeiro ano da faculdade e som de péssima qualidade foi montado. O que deveria ser uma prática saudável e organizada de fazer exercícios foi mais uma prova de desorganização da escola, pois colocaram estagiárias inexperientes para conduzir um grupo significativo de jovens, sem a presença dos professores de Educação Física.

    # Sobre os alunos: Falta de controle de entrada e saída (um número significativo chega na segunda aula) sem justificativa alguma, muitos gazeiam aulas, estão constantemente sem uniformes. Isso retrata a indisciplina, a falta de cobrança e de limites, por dois motivos: desorganização no cumprimento de regras e muitos professores inexperientes, sendo que muitos não são formados e nem atuam na área de formação. Quanto aos professores, lembramos que muitos que estavam há muitos anos conosco, não puderam neste ano trabalhar na escola, porque não apoiaram as decisões da Diretora.

    # Ausência da Diretora Maria Madselva nos corredores. Normalmente a presença da Diretora impõe respeito e admiração, mas sinceramente sabemos que os alunos não a vêem como uma líder respeitada, admirada e qualificada para a função que exerce.

    # No encontro do MST no auditório do Colégio recentemente, eles tiveram trânsito livre no pátio, sendo que durante as aulas de Educação Física e intervalo, as alunas se sentiram constrangidas com os olhares e a circulação de algumas dessas pessoas estranhas nas dependências do estabelecimento.

    As situações aqui citadas caracterizam a nossa realidade, que demonstram a fragilidade do nosso ambiente de trabalho, que em tão pouco tempo de gestão comprometeu anos de dedicação de tantas pessoas que fizeram e fazem parte da história desse Colégio. Vocês podem ter certeza de que o Colégio possui excelentes profissionais, que continuam trabalhando por uma Escola Pública de qualidade, onde o nosso principal objetivo é prepararmos nossos alunos, para que sejam pessoas que saibam enfrentar os desafios, seja no mundo do trabalho, no conhecimento ou no exercício da cidadania, e que possam atuar decisivamente na construção de um mundo melhor, porém, se nada for feito, a “pedagoga” que dirige a escola será responsável por um prejuízo sem precedentes na história daquela amada instituição de ensino.

    Abraços,

  8. Malu Rocha
    domingo, 29 de junho de 2008 – 8:27 hs

    Desculpas aceitas, “em nossa convicção o processo de escolha de um dirigente deve ser paritário, assim respeitando a participação a todos os envolvidos no processo, professores, funcionários, alunos, pais, etc., pois em nossa opinião a escola tem de ser dirigida pela comunidade” …
    É exatamente esta a nossa luta, pois só assim haverá legitimidade, somente assim a gestão será democrática de fato.

  9. domingo, 29 de junho de 2008 – 9:35 hs

    Concordo com a colega indignada. Devido aos fatos mencionados, aprendizado, currículo, programa, evasão e outros temas relevantes são deixados de lado. Em nosso cotidiano não encontramos espaço para essas discussões. O debate, quando é feito, limita-se à parte burocrática. Questões fundamentais se perdem em meio ao preenchimento de papéis. O importante na escola é assinar o livro ponto, preencher os conteúdos, controlar a freqüência dos alunos, preocupar-se para que os alunos não entrem com recursos no final do ano, comprovar que foram oferecidas oportunidades de aprendizado aos alunos, entre outros atos semelhantes. Os registros das atividades dos professores é necessário, mas a preocupação apenas com a legalidade tem nos conduzido à prática sem a devida reflexão.Esses atos não podem ser preponderantes ao ato educativo. Ao professor resta o papel de um burocrata, alheio às verdadeiras necessidades para um melhor desempenho de sua atividade docente. E a falta do diálogo tem nos conduzido a um silêncio preocupante e deprimente. Esse silêncio, presente em nosso cotidiano, acarreta tristeza e desmotivação

  10. Antonio W
    domingo, 29 de junho de 2008 – 14:16 hs

    Querem que acreditemos que todos os comentários postados aqui sobre a situação do Colégio Estadual do Paraná, exceto o do João, são inverdades? Difícil crer. Por mais que o indivíduo esteja neutro nessa discussão, é preciso respeitar a voz da maioria. Por que a direção não propõe um plebiscito de SIM ou NÃO à sua permanência? Talvez esse mecanismo democrático tão pouco usado resolvesse o problema.

  11. Colégio Estadual
    segunda-feira, 30 de junho de 2008 – 6:01 hs

    Sindicato? A APP-Requião? Esqueça…

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