Não é o que parece | Fábio Campana

Não é o que parece

por Carlos Alberto Pessôa

No auge do milagre econômico, entre 1968-73, quando chegamos a crescer 13%, o economista americano, Albert Fishlow, estudioso dos nossos problemas, apontou para o desagradável detalhe da concentração da renda. Mote a que se apegaram as oposições para atacar o modelo concentrador, ao qual alguns acrescentaram … excludente. Parêntesis.

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Primeiro, não havia modelo brasileiro de crescimento, pois se for brasileiro e não for jabuticaba pode jogar fora;

segundo, não era intrinsicamente concentrador de renda; terceiro, não era excludente, ao contrário; quarto, exceto nos regimes totalitários, onde o Partido&burocratas sonham substituir o mercado – a luciferina soberba informada pela ignorância&burrice – ninguém controla e/ou dirige o crescimento como se controla um carro ou se aponta uma arma para um alvo. Voltemos aos anos do milagre.

RÉPLICA

A resposta do governo, inspirada pelo Delfim Neto, veio com minucioso&irreprochável estudo do Carlos Langoni, então um dos garotos de ouro formado pela justamente célebre “escola de Chicago”, a do Milton Friedman, claro, não a do Al Capone.

PIADINHA

Os críticos da “escola de Chicago”, o menor departamento de Economia do mundo e o maior ganhador de Nobel (nove segundo o matemático Oswald de Souza), sussurram que ela utiliza Milton Friedman para fazer as pessoas agirem como o Al Capone, autor da imortal frase: sempre sou mais persuasivo com um 38 nas mãos.

TOTAL?

A que conclusão chegou o estudo do Langoni patrocinado pelo ministério da Fazenda? Ao óbvio, ao ululante, ao visível a olho nu: os grupos de maior escolaridade melhoraram mais que os grupos de menor escolaridade, mas estes também melhoraram. E não foi pouco. Por outras palavras, concentração da renda é sobredeterminada, com vários fatores incidentes, o mais relevante, talvez, seja a educação ou a falta de educação,

este clássico tupiniquim, contemporâneo da descoberta. E que precede de apenas 500 anos o milagre econômico.

EFEITOS COLATERAIS

Os acadêmicos honestos intelectualmente botaram a viola no saco; o mesmo não se deu com os políticos assessorados pelos economistas (?!) da oposição, mistura de professores da UFRJ, como a Conceição, e os jovens da Unicamp, como Belluzzo&João Manuel.

MÁ FÉ CÍNICA

Preciso lembrar que os alegres rapazes da imprensa escrita-falada-e-televisada ecoaram a delinqüente interpretação dos dados? E que acrescentaram uma monstruosidade? Pois traduziram concentração da renda para: os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres. O que é rigorosamente falso, mentiroso. Quer ver?

PROVA DOS NOVE

Digamos que em 2006 a sua renda foi 1000 e a minha 100; e que em 2007 ela pulou pra 10.000 e a minha pra 200. Ok? Você ficou mais rico, aumentou bastante sua renda, mas eu não fiquei mais pobre, ao contrário: fiquei menos pobre apesar da distância entre nós ter aumentado.

THE END

Foi o que aconteceu à época do milagre. E foi o que o estudo do Langoni comprovou. E é isso que acontece ainda. E acontecerá amanhã. Até o dia em que nos dermos conta que a concentração da renda só cederá não diante de políticas tipo Robin Hood, mas diante de maciços&constantes investimentos em capital humano,

outro achado da “escola de Chicago”, do Nobel Gary Becker. Atentamente ouvido pelos tigres asiáticos, que em pouco mais de uma geração conseguiram dar a volta por cima. Melhor! Conseguiram crescer velozmente ao mesmo tempo em que distribuíam mais equitativamente a renda. Enfim, infirmaram a teoria do bolo que precisa crescer antes de ser dividido. Aleluia!

(www.negopessoa.com)


3 comentários

  1. maurizio bacchi
    sábado, 21 de junho de 2008 – 11:17 hs

    Carlos Alberto é sempre mais que um jornalista: é um jornalista brilhante!

  2. jango
    sábado, 21 de junho de 2008 – 11:29 hs

    Enquanto isso, o Brasil toca a bola no meio de campo, às vezes atrasando para o goleiro que dá, então, um chutão …

  3. Vigilante do Portão
    sábado, 21 de junho de 2008 – 13:22 hs

    Em qual faculdade de Economia nosso ministro da fazenda concluiu seu curso?
    Explico, mês passado, em entrevista ao vivo, o Sr. Guido disse: “não estamos atravessando uma inflação de demanda”.
    Para minha surpresa, ontem li nos mais importantes jornais do país que o ministro afirmou que só o aumento da oferta de produtos pode reduzir a inflação.
    Então é inflação de demanda?
    Como é que um sujeito que não entende nem o elementar de Economia pode ser ministro da fazenda?

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