Jogo bruto | Fábio Campana

Jogo bruto

Moreira e Requião

Requião empunha a borduna, mais uma vez, e entra nesta campanha eleitoral com a disposição de desmontar os adversários. Seu alvo principal é o prefeito Beto Richa. O outro premiado para levar cacete é Osmar Dias.

Ele escalou Carlos Moreira (foto) para ser candidato do PMDB para usar o tempo e os recursos da campanha como se fosse sua. Ou seja, pretende ser estrela principal da campanha do PMDB.

O comportamento de Requião nos lembra que a política é jogo para gente adulta. Significa que é jogo bruto e, no caso de Requião, dominado por sentimentos e paixões que se podem chamar de negativos: o ressentimento, a mágoa, a inveja, o orgulho ferido.

As grandes palavras, os programas, as idéias, os altos propósitos patrióticos ou impatrióticos servem para mover ou até arrebatar partidários e admiradores, mas o que realmente anima chefes e chefetes, com demasiada freqüência, são motivos pessoais nem sempre assim tão grandes ou estimáveis.

Esse é um dos ônus que devem pagar os cronistas políticos e todos aqueles que se obrigam a ver de perto a chamada coisa pública e a acompanhar o dia-a-dia dos seus variados atores e personagens.

Como quase tudo que os homens fazem, a política não é muito bonita quando vista de muito perto. Ela é feita para ser vista da platéia, a uma distância apropriada, e não para ser esmiuçada ainda nos bastidores.

Quem não tem o ânimo forte e o estômago saudável não se meta, fique na platéia ou vá para casa. O mal, entretanto é que a política, mesmo em seus piores momentos, é sempre importante e sempre decisiva. Não só para os atores em cena, mas para todos nós que acabamos pagando o pato. Virar as costas não é remédio.

A política é um jogo de adultos, mas o ideal é que seja, tanto quanto possível, um jogo limpo como o que se joga em países onde a civilização pegou. Diz o vice Orlando Pessuti que a esperteza, quando é demasiada, vira bicho e acaba comendo quem a inventou. Tomara.


Um comentário

  1. jango
    domingo, 22 de junho de 2008 – 10:25 hs

    O jogo bruto que o povo paranaense gostaria de ver seria o das autoridades de controle público, cheias de prerrogativas, os mais régios salários pagos pelo povo e calhamaços de leis e normas, atuando em defesa do interesse público e coibindo os atos de improbidade administrativa, apurando, responsabilizando e prestando contas à sociedade de seu munus público.
    Como elas tem ficado ao largo, apreciando tudo em seus camarotes de privilégios, na base de “os cães passam e a caravana ladra” e o povo paga a conta, temos suportar a repetição estúpida deste outro jogo bruto encenado por “bruta bestias” profissionais da política rastaquera.

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