Governo do Paraná é uma caricatura, diz Fruet | Fábio Campana

Governo do Paraná é uma caricatura, diz Fruet

O deputado federal Gustavo Fruet, do PSDB, ocupou a tribuna da Câmara hoje para denunciar a falta de planejamento, de transparência e de visão de futuro que são as marcas do atual governo do Paraná.

Em pronunciamento de vinte minutos, o deputado disse que é hora de pensar numa agenda capaz de levar o Estado a superar o atual período de turbulência e retórica e retomar a visão estratégica e a seriedade na administração pública.

O parlamentar destacou que este é o terceiro mandato do atual governador do Paraná, “e ao contrário do que se vê em outros Estados, o governo não apresentou nada para modernizar a gestão pública, para evitar o desperdício, para melhorar a infra-estrutura do Estado e prepará-lo para o futuro”, afirmou.

“Bem mesmo, no Paraná de hoje, estão os muito próximos ao governador, particularmente sua família abrigada no governo”, criticou. Para Gustavo Fruet, as próximas administrações precisarão fazer “um esforço de recuperação e planejamento para devolver o Paraná à posição que lhe cabe na federação, deixar para trás esta caricatura em que se transformou a administração do Estado e retomar a seriedade necessária à administração pública”.

Para ler a íntegra do pronunciamento, clique no


Abaixo, a íntegra do pronunciamento:

Dedico este espaço a uma reflexão sobre o momento que vive o Paraná. Não apenas por ser o Estado que represento, mas pela importância que tem para o país. O Paraná é um dos maiores produtores de grãos do Brasil, tem um parque industrial em consolidação, uma importante rede de instituições de ensino e pesquisa. Mas há hoje entre os paranaenses uma grande preocupação quanto ao futuro do Estado, que se prepara para um período de transição.
Depois de 20 anos com apenas dois governadores, começa a surgir uma nova relação de forças no cenário político. Mas essa nova relação surge num cenário turbulento e marcado pela apreensão com os rumos que o Estado vem tomando.
O governo do Paraná está imerso em disputas políticas, ideológicas e judiciais, num processo que começou em 2003 e se acentuou nos últimos dois anos. É um governo cuja marca pode ser resumida na falta de diálogo, de transparência e principalmente de planejamento.
Este é o terceiro mandato do atual governador do Paraná. Quase dez anos à frente de um dos principais Estados do País, tempo suficiente para uma revolução. No entanto, ao contrário do que se vê em outros Estados, o governo não moderniza a gestão pública, para evitar o desperdício, para melhorar a infra-estrutura do Estado e prepará-lo para o futuro.
Ao contrário, gerou um passivo que terá impacto nas próximas administrações. Passivo em dois aspectos: o passivo judicial que cresceu significativamente nos últimos anos e o passivo que diz respeito ao abandono do planejamento estratégico e ao déficit de investimentos no Estado. Qual visão de futuro?
Caso emblemático é o Porto de Paranaguá, cujo canal de acesso não recebe manutenção há três anos, criando riscos para a segurança da navegação e prejuízos econômicos decorrentes do assoreamento contínuo. Em abril, a Capitania dos Portos reduziu o calado máximo permitido pela terceira vez desde julho do ano passado. Na semana passada, o governo federal tomou para si a tarefa de fazer a dragagem do porto, numa espécie de intervenção branca no que seria da alçada do governo do Estado. Ainda no porto de Paranaguá, o governador recusou recursos federais para o projeto Cais Oeste alegando que faria a obra com menor custo, o que não ocorreu.
A Paranáprevidência, o fundo previdenciário criado para garantir as aposentadorias do funcionalismo público sem comprometer as finanças do Estado, é ameaçada por um jogo de interesses e disputas por cargos nunca visto. Há graves denúncias de irregularidades e dívidas do Estado com o fundo que chegam a R$1,4 bilhões, mas a tentativa de investigação foi evitada pelo governo. Há ou não intolerância com as irregularidades?
O mesmo tratamento foi dispensado a outras denúncias na Ceasa, na Imprensa Oficial, na Secretaria de Estado do Trabalho, na Secretaria de Educação, no Porto de Paranaguá e em outros órgãos. Nada é investigado, ninguém é punido.
A Copel, considerada uma empresa-modelo no setor de energia, neste governo tem sua imagem freqüentemente ameaçada por decisões que envolvem a companhia em disputas judiciais, irregularidades e aventuras como a da UEG Araucária, a participação da empresa no leilão de privatização de rodovias federais e a aplicação de fundo dos funcionários no Banco Santos que já não apresentava solidez quando foram investidos os recursos.
Enquanto o governo se envolve nas intrigas, a população assiste à degradação de serviços. Números oficiais, da Secretaria de Estado da Segurança Pública, mostram aumento nos índices de criminalidade. Na Região Metropolitana de Curitiba, o número de homicídios cresceu 29 % no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. No Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008, o Paraná aparece em destaque, com algumas das cidades mais violentas do país.
O efetivo da Polícia Militar é o mesmo de 20 anos atrás e no mesmo período a Policia Civil teve o seu efetivo reduzido em razão de demissões e aposentadorias que não foram repostas na sua totalidade. Mas em 20 anos a população e o inchaço das cidades cresceram significativamente.
O Paraná também ocupa uma triste liderança nas estatísticas de trabalho infantil: é o Estado com índice mais alto na região Sul. Segundo o IBGE, 18,3% dos paranaenses com idade entre 5 e 17 anos trabalham e não estudam (RS :17,9% e SC: 16,1%).
Estudos do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social – IPARDES, ligado ao governo do Estado, mostram que o Paraná também não conseguiu superar a imensa desigualdade que separa suas regiões. Dos 399 municípios do Estado, 127 apresentam índice de desenvolvimento muito baixo em relação aos demais. É uma área equivalente a quase um terço do Estado, onde há décadas a pobreza desafia a administração pública. Não são, portanto, dados novos. Mas o governo chega à metade do segundo mandato sem conseguir mudar essa realidade e fomentar o desenvolvimento das regiões mais carentes, evidenciando a ausência de uma estratégia continuada.
Na média, o Paraná tem o pior IDH da região Sul, a menor expectativa de vida e os mais altos índices de analfabetismo e mortalidade infantil. Sua economia, a despeito do processo recente de industrialização, ainda vive à mercê do mercado internacional de commodities e oscila no ritmo das condições climáticas. Não se criam novas alternativas – ao contrário, o investimento privado foge das turbulências políticas do Estado.
Promessas de campanha decisivas para a eleição do atual governador foram esquecidas, como é o caso da redução das tarifas de pedágio: “Pedágio: baixa ou acaba”. A cada ano, as 6 concessionárias que atuam no Estado conseguem reajuste sendo que o preço está cerca de 3 vezes mais caro do que o pedágio do governo federal. Dessa promessa sobra uma disputa judicial, cujo custo futuro para o Estado ainda não está devidamente dimensionado. Ao mesmo tempo em que sustenta essa disputa nos tribunais, contraditoriamente o governador autorizou concessionárias a incorporar novos trechos à área de concessão, criando novas praças de pedágio, como é o caso do município da Lapa – o que é ILEGAL, como já sinalizou a Justiça em caso semelhante referente a uma praça de Jacarezinho, no Norte do Estado.
A questão do pedágio é apenas uma parcela do passivo judicial do Estado, que cresce como nunca antes no Paraná. São dados oficiais, da Procuradoria Geral do Estado: desde 2003, o passivo acumulado é de R$ 1 bilhão 274 milhões, valor que representou um acréscimo de 50% no passivo existente até então. Segundo informou o procurador-geral à Assembléia Legislativa do Estado, o valor não inclui os juros nem algumas grandes pendências que tramitam na Justiça. Sem entrar no mérito, destacam-se alguns processos que envolvem o governo e terão impacto em médio prazo como a demanda com o Banco Itaú (pelo rompimento do contrato com o banco, que mantinha as contas do estado até 2005), com o grupo Dominó, sócio privado da Sanepar, e com Syngenta, dona de uma fazenda em Santa Tereza do Oeste que o governo desapropriou por abrigar pesquisas com transgênicos – desapropriação anulada pela Justiça no ano passado. Apenas estas três pendências não incluídas no relatório do Procurador atingem um va
lor maior do que o declarado.
Bem mesmo, no Paraná de hoje, estão os muito próximos ao governador, particularmente sua família abrigada no governo. Ao irmão mais novo, o governador quer agora garantir uma vaga no Tribunal de Contas.
Mas este não é o Paraná que passa na Rádio e Televisão Educativa do Estado. Sem qualquer constrangimento, o governador transformou esse canal público de comunicação em instrumento de autolouvação, onde extravasa suas idiossincrasias e pinta a realidade com as cores da sua preferência.
No Paraná real, há um grande desafio pela frente: pensar uma agenda que leve o Estado a superar este período de turbulência e retórica. Será necessário um esforço de recuperação e planejamento para devolver o Paraná à posição que lhe cabe na federação. Deixar para trás esta caricatura em que se transformou a administração do Estado e retomar a seriedade necessária à administração pública.


11 comentários

  1. Dadosimon
    quinta-feira, 26 de junho de 2008 – 16:23 hs

    Parabés, seu pronunciamente foi importante, demonstrando com sabedoria e maturidade a quantas anda nosso estado.

  2. Leitor da Gazeta
    quinta-feira, 26 de junho de 2008 – 16:27 hs

    O Gustavo Fruet bem que merecia a condição que o Beto Richa queria lhe dar, a de vice. Estava ansioso para ver as propostas que um deputado deve fazer para auxiliar na superação dos problemas que enfrenta o Estado e apenas li um release feito a partir das noticias veiculadas pela Gazeta do Povo. Também o que esperar de um deputado ausente do Paraná, vive entre Brasilia e Itapoa. A propósito para não ver leviano tentei encontrar propostas apresentadas junto a Camara Federal pelo Gustavo Fruet visando beneficiar o Paraná dos baixos IDH, e não encontrei nenhum projeto. Tentei então achar alguma proposta que ajude o Paraná a enfrentar a violência e a criminalidade, na Região Metropolitana, até agora nenhuma. Porque Gustavo voce como Deputado, não se propõem a investigar se são verdadeiros os argumentos da Administração do Porto de Paranaguá, de que há superfaturamento nas propostas de dragagem do Porto e denuncie estas empresas para o pais. Que ameaças são estas que pairam sobre a Copel, ou voce esta a favor dos especuladores, que lançando duvidas sobre os resultados da melhor empresa de geração de energia do pais, botam para baixo suas ações para depois faturarem em seguida.
    Gustavo, voce quer fazer crer que o Requião governa o Estado a quase dez anos, mas esquece que o Partido a que hoje voce pertence, desgovernou com o Lerner este Estado por 8 anos, e armou armadilhas com a venda do Banestado, com a privatização de empresas públicas em negócios
    excusos, parece que o Ministério Público está denunciando alguns deste negócios e esta tendo gente indo parar na cadeia como por exemplo o seu amigo Gionedis.
    O pior tipo de político e este, carinha de bom, moço bem falante, mas não fundo tem a mesma marca dos demais, oportunista, superficial e chato.
    Quando lembro do Mauricio Fruet e vejo esta atitude do Gustavo, me vem aquela famosa frase, que entre o original e a imitação prefira sempre o original.
    Gustavo,

  3. Fernando L.
    quinta-feira, 26 de junho de 2008 – 16:33 hs

    e não é verdade ?

  4. jango
    quinta-feira, 26 de junho de 2008 – 17:02 hs

    As denúncias a respeito de irregularidades nos atos do governo são copiosas, mas como obtemperou o deputado Fruet – “Nada é investigado, ninguém é punido.” Esse o grande dilema no Estado. As ditas autoridades de controle público, cheias de prerrogativas, os mais régios salários pagos pelo povo e calhamaços de leis e normas para atuar em defesa do interesse público nenhuma providência apresentam à sociedade seja de coibição seja de responsabilização dos agentes e gestores envolvidos nos fatos denunciados.´E o silêncio total. É a anomia total. É o descalabro total. A sociedade, de outro lado, é de uma passividade que beira a conivência com todo este quadro. Estamos muito mal e parece que queremos viver disso.

  5. João Melon
    quinta-feira, 26 de junho de 2008 – 17:19 hs

    Se o Gustavo Fruet se importasse realmente com o Paraná, estaria mais presente na vida do Estado. Agora, lá de longe, só lendo a Gazeta do Povo, fica fácil criticar. Se manda Fruet, vc nem de vice do Beto Richa serve.

  6. Lelo
    quinta-feira, 26 de junho de 2008 – 17:58 hs

    Ele podia explicar como era feito o pagamento dos funcionários quando era vereador, que tal?

  7. Vigilante do Portão
    quinta-feira, 26 de junho de 2008 – 19:57 hs

    Só não vê quem não quer, o Estado passa por dificuldades de gerenciamento, falta projeto, falta pulso firme contra a corrupção.
    O governador Requião não sabe construir> Em relação aos demais estados da federação, o Paraná é o que menos recebe da União (considerando sua posição).
    Hoje mesmo, o Sr. Secretário da Agricultura (aliás um bom sujeito), teceu elogios rasgados ao aumento de produção e produtividade da agricultura paranaense.
    Esqueceu de dizer que boa parte do incremento decorreu em função das sementes trangênicas. Se dependesse do Napoleão de hospício, logicamente não teríamos tal aumento de produção.
    É só o que o Requião sabe fazer, desconstruir, brigar com todos e deixar as dívidas para o próximo governador.

  8. CHORÃO!!!!!
    sexta-feira, 27 de junho de 2008 – 9:09 hs

    MAS QUANDO ESTAVA DO LADO DO REQUIÃO ERA TUDO PERFEITO, PARA VOCÊ E SUA IRMÃ QUANDO SECRETÁRIA!
    AGORA QUE VIROU A CASACA CRITICA!!!!
    VAI ME DIZER QUE ELE PREFERE UM PARANÁ DA ÉPOCA DO LERNER, AONDE EXISTE O APOIO DA SUA NOVA TURMA….
    ACORDA GUSTAVO!!!!

  9. João Carlos Gouveia
    sexta-feira, 27 de junho de 2008 – 10:50 hs

    Um dos poucos lúcidos nessa grande bobagem que virou o Paraná.

  10. sexta-feira, 27 de junho de 2008 – 16:54 hs

    FÓRUM POPULAR CONTRA O PEDÁGIO.

    PEDÁGIO POLÍTICO

    A Justiça volta a merecer-se. Toda vez que os contratos políticos que instituíram o pedágio são eficazmente contestados pela exorbitância do seu confisco social confrontada aos serviços prestados, a mão segura do direito se manifesta. O direito se sublima na justiça.
    Entretanto, mais do que a ação desordenada dos usuários dos bens públicos, particularmente os das rodovias pedagiadas, a demagogia eleitoral e o oportunismo político têm postergado soluções, ilaqueando a boa-fé dos cidadãos e eleitores. O Paraná vive há 10 anos uma burla picaresca não fosse uma novela infame: “O pedágio abaixa ou acaba”.
    Não baixou nem acabou; melhor vai baixando em razão das expectativas político-eleitorais do Governo Lula (que derivam na medida em que decresce a força eleitoral do seu governo) e só vai acabando pela Justiça Federal num contencioso popular de caso a caso.

    O Fórum Popular Contra o Pedágio vêm travando constante luta em defesa da cidadania e da economia nacional, na exigência do cumprimento constitucional a respeito da propriedade pública das rodovias e do direito de ir-e-vir que nos assiste. Representa a comunidade dos usuários de vias e meios públicos de transporte e, acredita, representar toda a sociedade na luta contra o esbulho de seus bens tradicionalmente assegurados.

    Vimos com interesse e grande satisfação o seu pronunciamento sobre a ambigüidade do governo na questão dos pedágios no Paraná, crendo que as forças sociais insistem assim em posições inequívocas do Estado sobre as questões da infra-estrutura e dos transportes. Aumenta o número de personalidades que estão a exigir o discernimento jurídico-político na orientação desse problema social, político e econômico que se agrava no processo de nosso desenvolvimento econômico-social.
    Colocando-nos ao seu dispor para discussões, seminários, programas e projetos que visem a equacionar os direitos da sociedade nas vias e meios de transporte, firmamo-nos.

    Atenciosamente.

    Acir Mezzadri.
    Coordenador Geral do Fórum

    Walmor Marcellino
    Coordenação de Imprensa

  11. Anônimo
    segunda-feira, 8 de junho de 2009 – 10:11 hs

    isso nao eu para entender nada

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