Gatos e cachorros | Fábio Campana

Gatos e cachorros

Nos últimos dias os membros do PMDB tem se dedicado a exercícios comparativos entre gato e cachorro. Dizem eles: o gato é peludo e o cachorro também; o gato tem quatro patas e um rabo, o cachorro também tem;o gato e o cachorro têm uma cabeça com dentes e orelhas, mas o gato mia e o cachorro late. Conclusão: o gato é um cachorro relativo.

A distância entre a zoologia e a política é às vezes bem pequena, embora os animais propriamente ditos não politiquem mais, desde os bons tempos de Esopo e La Fontaine. Perdão: desde os tempos de George Orwell, tão próximos, e que tanta parecença tem com os nossos.

Ora, pois, se há algo que Requião tenta provar é que ele é um governante diferente de todos os outros que o antecederam e dos que virão. Há diferenças, mas se fizermos o exercício comparativo com maior rigor veremos que em algumas questões essenciais não há nada que distinga sobremaneira Requião de Jaime Lerner, por exemplo.

Agora mesmo Requião se prepara para consumar o gesto que se tornou emblemático da preocupação de todos os governo em assegurar conforto para os seus e controle do poder fiscalizador ao mesmo tempo.

Lerner nomeou o seu cunhado, Henrique Naigeboren ,conselheiro do Tribunal de Contas. O fez sem dificuldades, logo no inicio de sua gestão, com a força do governante. Naigeboren, homem preparado, de formação jurídica, cumpriu o seu papel.< Requião se prepara para nomear o irmão Maurício, caçula, que ocupa a Secretaria de Educação na partilha do feudo entre a parentela. Vai para o Tribunal de Contas, sem dúvida, pois a força do governo, mesmo em fim de ciclo, é brutal sobre os deputados estaduais. Alguma diferença? No método, quase nada. Entre os conselheiros, muitas. Enfim, o gato mia, o cachorro late, Requião não seria um Lerner relativo?


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