A sucessão de Moreira na UFPR começa quente | Fábio Campana

A sucessão de Moreira na UFPR começa quente

Reitor Carlos Moreira

Além de cuidar de sua campanha para prefeito, Carlos Moreira Junior terá que cuidar da sua sucessão na Universidade Federal do Paraná, onde a disputa começa quente e com graves acusações contra ele.

O professor Cid Aimbiré, de farmacognosia, disparou na madrugada de hoje uma carta à todos os professores e funcionários da Universidade. O tom é de discurso eleitoral. Pede transparência, revisão de atos administrativos e propõe um esforço para que a UFPR volte aos tempos em que era amplamente respeitada.

A carta, diz Aimbiré, foi postada na madrugada porque seu e-mail está sendo monitorado e bloqueado.

Para ler o documento na íntegra, clique no

À comunidade universitária

Há quase duas semanas, a comunidade acadêmica na UFPR vive um momento impar em sua história: ocorreu a renúncia do reitor da Universidade Federal do Paraná e apenas ontem o Conselho Universitário se reuniu para trazer à comunidade uma informação oficial sobre o processo de eleição do novo reitor. No domingo, dia 15 de junho, a Gazeta do Povo publicou uma reportagem intitulada “Candidatos a vaga”, que refletia bem esse quadro: nada se sabe, nada está definido.

A reportagem apresenta alguns possíveis candidatos e identifica-me como “o único a fazer oposição à gestão atual nessa nova consulta”. De fato, como membro do Conselho de Curadores, tenho procurado pautar a importância dos conselheiros na análise dos processos ali apresentados, na medida em que somos co-responsáveis pelas contas da Administração Superior da UFPR. Também tenho discutido, com vários colegas professores, técnicos-administrativos e estudantes, a urgência de repensarmos o modelo de universidade para o qual fomos levados, defendendo a pluralidade de idéias e de posições em nossos conselhos superiores, como forma de contemplar a diversidade e necessidades de nossos setores e cursos.

A partir dessas discussões, percebemos que, nos últimos anos, os projetos implantados sob a justificativa da responsabilidade e inclusão sociais da UFPR, levou-nos a um modelo de universidade que privilegia apenas a transmissão de conhecimento, não importando a qualidade do ensino e do resultado que se espera do processo de aprendizagem. Entendemos que precisamos de uma universidade que fomente o despertar da curiosidade intelectual, o desafio da pesquisa, a orientação dedicada, o acompanhamento do estudante em suas atividades acadêmicas, o diálogo, o questionamento, o ensino responsável. A educação é, para nós, uma experiência formativa que deve propiciar instrumentos para a tomada de decisões em relação à sociedade que nos cerca. Para atingirmos este desafio, entendemos que é necessário emancipar-mo-nos do populismo, do personalismo e do partidarismo político, características que o último reitor implantou em sua administração.

Precisamos voltar a ter a UFPR como um modelo de universidade na qual prevaleça a pluralidade de opiniões e a heterogeneidade de atitudes e projetos; precisamos recuperar o ambiente de respeito às diferenças inerentes à vida universitária. Nossa perspectiva é de que a UFPR se afirme como instituição pública, com responsabilidade social, ensino de qualidade e comprometida com a produção do conhecimento.

Apesar da demora na definição das regras para a eleição do próximo reitor da Universidade Federal do Paraná, esperamos que, nesse momento, possamos também escolher um modelo de universidade no qual a comunidade acadêmica seja valorizada, as instâncias de decisão sejam públicas e transparentes, as condições de trabalho sejam compatíveis com nossa responsabilidade social e, principalmente, que assegure a universalidade de idéias e opiniões.

Curitiba, 20 de junho de 2008.
Cid Aimbiré M. Santos
Prof. Tit. de Farmacognosia


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