Vem aí a CPI da Ultrafértil | Fábio Campana

Vem aí a CPI da Ultrafértil

Há enorme indignação com a alta de preços dos fertilizantes na Assembléia Legislativa do Paraná. Reflete a revolta dos produtores em todo o Estado.

Vai render uma CPI para investigar a privatização da Ultrafértil. Já há 18 assinaturas disponíveis para que o pedido de CI seja registrado. A Ultrafértil é uma empresa de fertilizantes que pertencia a Petrobras e foi comprada pela empresa norte americana Bunge.

O comitê dos trabalhadores da Ultrafértil questiona a privatização da empresa e denunciando abusos praticados contra os trabalhadores.

O Comitê denuncia, entre outras coisas, o oligopólio da empresa no mercado de fertilizantes. Após a privatização houve aumento significativo no preço dos fertilizantes e em conseqüência no preço dos alimentos.

A empresa foi denunciada por estar com maquinário insuficiente e desgastado. O órgão do governo responsável pela fiscalização verificou que a denuncia procedia e tomou as medidas legais cabíveis. O maquinário estava precário e havia risco de explosão, mesmo colocando em risco a vida dos trabalhadores a empresa não quis interromper suas atividades para fazer a vistoria.

Durante a última greve motivada por aumentos salariais e riscos de acidentes, a repressão foi grande. Segundo um dos trabalhadores a empresa chegou a mobilizar helicópteros para furar o comitê da greve. Houve denúncia de assédio moral às famílias de trabalhadores.


8 comentários

  1. Modelo dependente!
    terça-feira, 13 de maio de 2008 – 10:02 hs

    Reféns de um modelo antinacional e popular!

    Embora exista no Brasil um grande parque industrial ele é na maior parte multinacional e voltado para o mercado interno, o que implica em saídas permanentes de divisas.

    No grande agronegócio não é diferente, pois 70% da totalidade dos insumos é importada e desde a importação a distribuição está nas mãos de um único conglomerado empresarial, a Bunge.
    Das 8 empresas que controlam os fertilizantes no Brasil 6 delas tem o controle acionário nas mãos deste oligopólio.

    Embora sejamos o quarto maior consumidor de NPK no mundo produzimos internamente apenas 2% da produção global.

    Está cartelização do setor nos destrói com o poder de competição neste mercado, pois torna os nossos preços altos e inviabiliza a nossa produção.

    O centro da produção destes insumos é a Fosfertil, empresa que já foi estatal, pois foi parte da Petrobras, e tal qual a Vale do Rio Doce e outras foi também privatizada em 1992, e hoje está sob o controle da Bunge.
    Desde a privatização os preços destes insumos subiram 300% e um exemplo do que é estarmos reféns desta situação é que em 2.007 o preço médio de um saco de adubo era 45 reais e hoje não sai por menos de 95 reais.

    Em 2007 o lucro da Fosfertil foi de 93% em relação a 2006!

    O custo aqui do concentrado fosfático, essencial para os produtores agrícolas, era de US$ 47,5 em 1993. No início do ano 2000 chegou a US$ 71,3. Nos Estados Unidos, país sede da Bunge, o processo ocorreu ao contrário: de US$ 46,8 (1993) passou para US$ 37,4 (2000).

    Em contrapartida aos nossos agricultores cada vez mais endividados e a todos nós que acabamos por consumir alimentos cada vez mais caros o lucro do grupo Bunge aqui, que também inclui alimentos, foi de R$ 18,2 bilhões em 2006.

    Em uma safra bem colhida, o que não é a constante, o “lucro” do agricultor chega a 20%, mas deste lucroele gasta em torno de 13% ao adquirir insumos para a próxima safra, tendo como resultado somente o pagamento de despesas e não o crescimento.

    Temos que acabar com este oligopólio que nos inviabiliza!

  2. LEANDRO DREHER
    terça-feira, 27 de maio de 2008 – 10:45 hs

    Vivemos hoje em um país que se tornou um refém das multinacionais, porem fala-se muito mas resolve-se praticamente nada.Agricultores os maiores atingidos com os aumentos abusivos sobre os insumos nada fazem, cade o nosso povo guerreiro o qual foi capaz de derrubar um presidente, podemos sim lutar pela diminuição dos preços dos insumos agrícolas,porque esse aumento é totalmente inadmissível em uma sociedade que pensa em crescer, concerteza vai ocasionar em aumento de produtos já industrializados gerando assim inflação e isso pesa para o povo brasileiro e muito.

  3. E olha aí
    terça-feira, 27 de maio de 2008 – 11:30 hs

    Mas a deputada estadual do Partido Verde (PV) foi financiada pelas empresas de Fertilizantes.
    Como é que fica?
    Está nas contas do Tribunal Superior Eleitoral e Tribunal Regional Eleitoral.

  4. Paulo fonceca
    quinta-feira, 19 de junho de 2008 – 21:29 hs

    Vamos tirar a bunge do brasil, essa empresa é mediucre, só destruiu o que ganhou do governo em 93, a estatal investiu mais de 1,2 bilhçoes de dolares antes da privatização, a bunge só pagou 207 milhões, isso que falaram que quem pagou foi o BNDS a bunge não pagou nada. Fora bunge volta a estatização do setor.Á fábrica de araucária está muito perigosa, devido a falta de manutenção.

  5. SINDIQUÍMICA-PR
    segunda-feira, 30 de junho de 2008 – 13:43 hs

    Manifesto do Comitê em Defesa dos Pequenos Agricultores, por um outro modelo de agricultura

    O Comitê em Defesa dos Pequenos Agricultores foi formado no início de 2008, em Curitiba (PR), e reúne movimentos sociais do campo e da cidade, sindicatos e mandatos parlamentares. O ponto de partida foi a repressão contra os trabalhadores da fábrica de fertilizantes Ultrafértil/Fosfértil. Esta situação se soma aos 15 anos de privatização da antiga estatal, que resultou no controle dos fertilizantes por parte da transnacional Bunge. Com isso, seus preços subiram, no contexto da crise mundial no preço dos alimentos.
    No dia 12 de maio, o Comitê organizou uma Audiência Pública para debater com a sociedade as conseqüências dos 15 anos de privatização da Ultrafértil/Fosfértil, promovendo também manifestações com os trabalhadores da planta da fábrica, localizada em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba). Após as primeiras mobilizações conjuntas, o Comitê manifesta-se e cobra do governo Lula os seguintes pontos:

    1. Reestatização da empresa Ultrafértil/Fosfértil
    A privatização da empresa Ultrafértil/Fosfértil, sob controle da transnacional de agroquímicos Bunge, data de 1993 e revelou-se um fracasso. Hoje a Bunge controla 52% da produção de fertilizantes no Brasil. Juntas, Bunge, Yara e Mosaic são responsáveis por 98% do setor. Em mãos das transnacionais, o controle da produção e distribuição dos fertilizantes aumenta o preço dos alimentos básicos, o que no início de 2008 incendiou protestos nos cinco continentes.

    2. Acesso imediato do agricultor familiar e camponês ao fertilizante
    Impedido de comprar direto da fábrica após a privatização, hoje o pequeno produtor encontrou no preço dos fertilizantes mais uma barreira: US$ 450 a tonelada. Na realidade, o Brasil importa 17, 3 milhões de toneladas, o que corresponde a 65% do fertilizante que consome. Trata-se de um modelo dependente, de olho na produção de grandes empresas e não nos interesses do povo. Afinal, as mesmas três empresas (Bunge, Cargill/Mosaic, Yara), produzem a maior parte do fertilizante no exterior e o vendem para o Brasil.

    3. Criação de novas produtoras de fertilizantes, sobre controle estatal, com cotas para o agricultor.
    Como medida imediata, apoiamos a construção de novas produtoras de fertilizantes compostos, porém que estejam sobre o controle da empresa Petrobras. É necessário o retorno da Petrobras ao setor, ao invés de uma holding de produtores de soja, como chegou a ser sinalizado pelo governo. Sobretudo porque é preciso garantir uma cota diferenciada no preço dos fertilizantes para o agricultor familiar e camponês.

    4. Mudança radical no modelo: do agronegócio para a agroecologia
    As demandas acima são medidas imediatas, que buscam baixar o preço dos fertilizantes para os pequenos agricultores e quebrar o oligopólio da Bunge. A mudança radical deve se dar no modelo agrícola, a partir de uma nova matriz tecnológica, adequada à pequena produção. A luta dos movimentos sociais do campo é para que predomine o modelo agroecológico de produção, sem o uso de fertilizantes cuja matéria-prima é o petróleo. O que está em jogo, neste debate, é a sustentabilidade da produção, em uma época na qual o agronegócio agride o meio-ambiente – fato comprovável nos diversos noticiários.

    5. Incentivo ao policultor e à biodiversidade
    Atualmente, a agricultura familiar e camponesa é pouco incentivada, porém é responsável por sete em cada dez empregos no campo e, no geral, atinge a mesma produção do agronegócio. De produção voltada para o consumo e não para a exportação, a agricultura familiar e camponesa é policultora e incentiva a biodiversidade. O governo federal tem optado pela lógica inversa, isto porque programas como o Pronaf dão prioridade ao monocultivo do agronegócio.

    6. Incentivo ao trabalhador do campo, e não ao agronegócio
    O comitê questiona o fato de o governo federal utilizar ferramentas como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar grandes grupos econômicos e transnacionais, o que é evidente no caso da companhia Vale. No final de maio, o perdão de uma dívida de R$ 9 bilhões para o agronegócio foi um novo sinal de apoio à produção voltada para exportação, que garante a estabilidade macroeconômica do governo, mas não a independência dos trabalhadores.

    7. Cumprimento da pauta da Reforma Agrária
    Os resultados da Reforma Agrária seguem abaixo do que os movimentos sociais reivindicam. Atualmente 150 mil famílias do MST continuam acampadas, esperando o assentamento. A promessa foi assumida pelo governo federal no Plano Nacional de Reforma Agrária de 2002. Os trabalhadores também cobram a construção de no mínimo 100 mil casas por ano no meio rural, para evitar-se o êxodo rural.

    8. Pelo fim da repressão contra os movimentos sociais
    O atual modelo agrícola e as práticas das transnacionais promovem a criminalização dos movimentos sociais do campo e da cidade. Em 2007, a Ultrafértil aumentou o lucro em 93%, ferindo a legislação trabalhista, com denúncia aceita pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). As práticas da Bunge se somam à cronologia de perseguição de transnacionais como Syngenta, Aracruz, e Vale sobre os trabalhadores. Se o governo federal seguir acenando apoio ao agronegócio, ao invés de oferecer políticas para a classe trabalhadora, continuaremos sendo reprimidos pelos grandes grupos econômicos.

    Em função do que foi levantado acima, o Comitê em Defesa dos Pequenos Agricultores cobra do governo Lula os seguintes pontos: Reestatização da empresa Ultrafértil/Fosfértil; quebra do oligopólio das transnacionais; redirecionamento da política de financiamentos para o pequeno produtor; controle estatal sobre o preço dos fertilizantes, com papel da Petrobrás; interrupção imediata na criminalização dos movimentos sociais; incentivo ao modelo agroecológico, embrião de uma matriz agrícola futura.

    Curitiba, junho de 2008.

  6. marcos a b neves
    quinta-feira, 24 de julho de 2008 – 20:58 hs

    Tudo isso que estamos vivenciando hoje reflete uma posição impotente perente os lideres que no passado não aceitavam tais posições. Se houve erro no processo das privatizações realizadas pelo governo neo-liberal do entreguismo, podemos e temos o direito de concertar. Se antes era normal privatizar que hoje seja mais normal ainda re-estatizar, ou seja nunca é tarde para acertar!

  7. Beth
    quarta-feira, 22 de outubro de 2008 – 19:49 hs

    Deixe-me perguntar uma coisa:
    A Petrobrás tem produção de uréia no Brasil. A Petrobrás vende uréia mais barato que a Fosfertil?

  8. sábado, 21 de novembro de 2009 – 12:41 hs

    Beth a Petrobrás vende ureia para mesmo cartel ou seja como como e´uma commoditie, logo é preço de mercado, a BR tem que entrar nesse mercado pra fazer politica de preço, como a Bunge faz pra seus compratriotas. E agora dez de 2009 vem com o Biodiesel, o ARLA 32, um catalizador automotivo, viva o deus-carro, que vai nos tornar mais vulnerável nesse setor que é a baliza pra diminuir a fome do mundo. A fao no dia 16 set, dia da alimentação já expressou a preocupação quanto a o aumento de famintos pra lá de 1 bilhão, somado aos que já não tem acesso a água, 3 bilhões. Vem a Bunge emprestando grana do Bndes, em 4/11/09, R$ 40 milhões (talves para pagar a compra feita da Petrobrás Argentina por algo em torno de US$ 10 milhões) repasse??? Vamos se acordar senão o próximo apagão será de NPK logo de alimentos…e viva o livre mercado, a crise financeira etc. Só por curiosidade onde anda aquele staff, time de economistas , Phd´s que privatizaram o país? Muitos deles nos Conselhos de Administração da privatizadas. É muito deboche e uma geração omissa…agora é o pré sal…amanhã. Teremos amanhã????

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