Nedson não agrada nem cadáver | Fábio Campana

Nedson não agrada nem cadáver

Aula de anatomia do Dr. Tulp, de Rembrandt

Fábio, recebi este e-mail e achei que você fosse gostar:

Parece que Nedson Micheletti, o prefeito de Londrina mais rejeitado de todos os tempos, está realmente numa fria. Agora o candidato a prefeito e atual deputado estadual Cheida fez uma grande denúncia: estão obrigando parentes de presuntos a pagar pela maquiagem, ou melhor, pelo serviço de tanatopraxia feito nos mortos.

Os funerários convencem os confusos parentes de que se eles não fizerem o serviço de, caham, “maquiagem”, os líquidos vão sair pelo nariz e os órgãos internos pelos ouvidos durante o velório. Não é terrível? Pior: estão jogando as tripas desnecessárias nos rios da região de Londrina. É o fim dos tempos. Nem os mortos respeitam mais.

Um abraço de uma amiga que gostaria de ser enterrada vestida de Emma Bovary.

Para ler a denúncia do deputado estadual Luiz Eduardo Cheida, clique em “Leia Mais”.

Cheida acata denúncias contra serviço de tanatopraxia em Londrina, e pede que Assembléia discuta a normatização deste serviço:

O SR. LUIZ EDUARDO CHEIDA: Senhor Presidente, nobres pares, um assunto chato de abordar, mas é necessário. A cidade de Londrina amanheceu na semana passada com um problema de extraordinária gravidade. A cidade possui uma autarquia funerária e nenhuma funerária particular. Mas, de uns anos pra cá, esta autarquia autorizou um serviço de tanatopraxia, que é o serviço de maquiar o cadáver e prepará-lo para que dure mais tempo no velório. Chegam a tirar todo o sangue do falecido, substituindo por uma injeção de formol, retiram os órgãos internos… É um serviço feito com bastante eficiência. O cidadão pode durar, às vezes, dias em um velório.

É um serviço que em algumas situações tem a sua recomendação. O que chamou a atenção e escandalizou a cidade é que algumas pessoas começaram a denunciar o serviço, se dizendo coagidas a pagarem uma quantidade não muito pequena. Porque os empresários deste serviço chamam o parente da vítima, mostram o cadáver ali na autarquia de serviço funerário, e começam a tecer comentários a respeito do cadáver: que ele vai inchar a barriga, sair líquido pelo nariz… colocam em polvorosa o cidadão, o responsável direto ou indireto pelo corpo do moribundo, e com isso conseguem extrair dele, na unha desta conversa fiada, os recursos para manter este serviço de tanatopraxia.

Digo isso porque, além de ser um escândalo da maior gravidade, o grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público já está atrás dos responsáveis investigando. E é fundamental que a Assembléia Legislativa comece a discutir a normatização deste serviço. Ao que tudo indica, ele não é normatizado no Paraná, com os rigores que seriam necessários. Por exemplo, num serviço de tanatopraxia se afixam letreiros de forma bem visível e clara que aquele é um serviço opcional, que não é um serviço obrigatório. Se deixa claro que aquele é um serviço de embelezamento, não um serviço necessário à saúde e que aquele é um serviço pago — porque o estado não vai trabalhar no embelezamento de um cadáver.

Mas, pasmem os senhores, há uma possibilidade grande do conteúdo desses cadáveres estar sendo lançado em galerias pluviais, e indo parar diretamente nos rios.

E os trabalhadores deste tipo de serviço trabalhando sem luvas, sem máscaras, em condições insalubres. Então, é necessário que discutamos isso.

Eu estou encaminhando um requerimento ao Prefeito Nedson Micheletti pedindo que ele, rapidamente, afixe em locais visíveis a não-obrigatoriedade deste serviço.

E estou encaminhando um requerimento também ao Governo para que passe a informar a esta Casa onde estão localizados os serviços de tanatopraxia no Estado do Paraná, quem são as Secretarias responsáveis diretamente, e que tipo de observâncias legais devem ser feitas.

Temo — e espero que isso não se confirme — que estejamos diante de uma situação da mais alta gravidade, do ponto de vista da saúde pública do Estado do Paraná. Isso sem dizer que podemos estar diante de uma verdadeira arapuca. Se se confirmar as suspeitas do Ministério Público na cidade de Londrina, estamos diante de uma grande e bem armada arapuca, que pega pessoas desavisadas, principalmente de baixa renda, que são as pessoas que muitas vezes não têm as informações necessárias para discernir, naquele momento mais difícil de sua vida. É nesse instante que o cidadão chega e diz: olha, ou você faz o serviço aqui ou vai lhe custar mil e quinhentos reais, dois mil reais, ou o seu pai, ou sua mãe… vai inchar, vai apodrecer antes da finalização do velório.

É uma coisa ruim de se abordar, ruim de falar, mas é preciso tocar o dedo nessa ferida. Parece que a ganância não tem fim nesse país, e no Estado do Paraná não é muito diferente. As pessoas fazem de tudo para que possam ganhar os seus proventos, inclusive extorquindo e abusando da boa fé daquelas pessoas que, na hora do sofrimento, se vergam a qualquer tipo de argumento.
Era isso, Senhor Presidente e demais pares. Muito obrigado.


5 comentários

  1. Nem cadavér é do PT
    sexta-feira, 25 de abril de 2008 – 10:29 hs

    O PT dá golpe até em cadáver em Londrina. Todo santo dia tem suspensão de licitação em Londrina na administração horrorosa de Nedson, o sofrível. Todo santo dia tem licitação cancelada. Agora foi de informática. E vem para o José Janene e sua família o contrato do LIXO e da ILUMINAÇÃO PÚBLICA.
    Coisa de milhões. Eles estão em final de feira e os ratos estão se deliciando com o cadáver da pior administração do mundo.
    Fora PT. Fora Nedson.

  2. Paulo Ricardo
    segunda-feira, 21 de julho de 2008 – 14:26 hs

    Gostaria de ter informaçoes sobre cursos de maquiagem em cadaveres.

  3. julio
    sexta-feira, 5 de setembro de 2008 – 23:07 hs

    ola amigo li seu texto bom nao entendi muito pois gostaria que vc podesce me explicar melhor por que os mortos incham

  4. magna p g duarte
    terça-feira, 15 de setembro de 2009 – 20:13 hs

    gostaria muito de fazer o curso de tanatopraxia, quando sèra que vai, ter no Brasil

  5. João Rocha
    segunda-feira, 11 de abril de 2011 – 18:22 hs

    Esta reportagem, deveria ser intensamente publicada, até chegar aos familiares dos internos do Hosp. Panamericano, Hospital Sorocabano, Hospital Cruz Azul, Hospital São Leopoldo todos da cidade de São Paulo. Como servidor do Serviçõ Funerário do Mun. de São Paulo, isto me revolta o que estes PAPAS defuntos dos necrotérios dos respectivos hospitais fazem.

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