Lugo e os epígonos de Chavez | Fábio Campana

Lugo e os epígonos de Chavez

A vitória de Fernando Lugo no Paraguai não muda o caráter de sua candidatura e de seu projeto. Lugo é o mais novo representante do populismo nacionalista vitorioso no continente, uma praga que se expande nos países periféricos e subdesenvolvidos.

O sucesso do ex-bispo muito alegra as forças políticas identificadas com a cartilha do líder referencial desse movimento, o presidente da Venezuela Hugo Chávez. Entre eles, o governador Roberto Requião, que gostaria de repetir por aqui a fórmula que deu poder a Chavez, Evo Morales e Fernando Lugo, esquecendo-se que o Brasil é um país maior e mais complexo para admitir soluções tão simplórias como essa.

Constrangedor é ver parte considerável das esquerdas embarcadas nessa nau. Das doenças da esquerda senil latino-americana a mais freqüente tem sido a que a leva a se deixar seduzir e subordinar por líderes populistas que lhe emprestam a sensação de força e influência que não consegue alcançar por seus próprios meios.

Esta esquerda parece fadada a seguir figuras do populismo desde que abandonou o movimento social para se instalar como força auxiliar de governos em confortáveis gabinetes e usufruir das benesses e prebendas. Deste equívoco passa a outro que é confundir o sucesso eleitoral de seus adorados caciques com a afirmação das mudanças sociais e da revolução. Pura ilusão que serve para aquietar as consciências corrompidas pelo prêmio do cargo e das comissões.


4 comentários

  1. Jose Carlos
    segunda-feira, 21 de abril de 2008 – 11:54 hs

    É a vitória do atraso e da roça, do arado e da roca de fiar. A vitória dos nacionalisteiros e oportunistas, demagogos e populistas que fazem da America Latina seu parque temático, às custas da miséria e da ignorância popular. Avante jecas latino-americanos, avante em diração ao abismo e ao obscurantismo… Marchem juntos Chávez, Evo Morales, Crisitina Kirschner e Mello e Silva, rumo à idade média, de onde pertencem suas idéias…

  2. Jurandir
    segunda-feira, 21 de abril de 2008 – 12:53 hs

    Não só da idade média. Eles e os seus ajudantes se beneficiam muito deste discurso. As contas estão gordas.

  3. cidadão de olho ...
    segunda-feira, 21 de abril de 2008 – 16:18 hs

    insisfeitos com o quadro atual da América Latina, abram seus olhos… Se os “Chaves”, “Morales”, “Lugos”, “Stédiles” existem e ganham eleições, é simplesmente pela falância desses países nos aspectos sociais, políticos e econômicos, pra ficarmos nestes três pilares da socidade contemporânea …

    Isso é resultado do egoismo, miopia e ganância dessas eleites que deixam o povo a míngua, enquanto lucupetram-se com as riquezas desses países…

    A história não perdoa as elites egocêntricas e e egoistas e novas “bastilhas” acontecem e acontecerão sempre, mesmo que na via eleitoral …

    Não chorem o leite derramado, façam autocr[itica e reciclem-se e sejam mais humanistas, compartilhem mais o poder e as riquezas das nações…

  4. Mariá
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 9:03 hs

    Roberto Requião é o personagem Pacheco de Eça de Queiroz que aparece no livro A Correspondência de Fradique Mendes. Pacheco era um sujeito brilhante. No primeiro ano de Coimbra, as pesoas achavam estranho um estudante andar pela universidade carregando grossos volumes. No segundo ano, ele começou a ficar mais calvo e se sentava na primeira carteira. Começaram a achar que ele era muito inteligente, porque fazia uma cara muito pensativa durante as aulas e, vez por outra, folheava os tais volumes. No quarto ano, Portugal todo já sabia que havia um grande talento em Coimbra. Era o Pacheco. Virou deputado, ministro e primeiro-ministro. Quando morreu, a pátria toda chorou. Os jornalistas forma estudar sua biografia e viram que ele não tinha feito nada. Era uma fraude.

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