Hora do espanto | Fábio Campana

Hora do espanto

Oscilamos entre a desfaçatez e o primitivismo. A tigrada palaciana comemora a vitória de Fernando Lugo no Paraguai e se anima a tecer planos para realizar aqui o projeto bolivariano.

Calma. Há quem considere quimera a pretensão de fazer desta imensa terra brasilis uma Bolívia, um Paraguai ou mesmo uma grande Venezuela. Mas essa lucidez não é o forte na entourage de Requião.

Requião e os ideólogos ao seu serviço já não conseguem imaginar nada além do modelito retrô nacionaleiro e populista que levaria o Brasil a recuar à era Vargas.

Que fazer? Os países e as nações crescem de acordo com os desafios que enfrentam e conseguem vencer. Quanto a nós, temos um governador que se tornou admirador fervente das figuras que fazem sucesso com seus arroubos nacionaleiros.

Requião quer ombrear-se com eles. Foi essa aspiração que o levou a desencadear a sua guerrinha particular no Paraguai em favor de Fernando Lugo. Contava projetar-se na cena internacional, ainda que à nossa custa.

O raciocínio da caterva que o segue é simples. Em vez de um só Chávez, diz ela, a América Latina terá vários e não há porque supor que o nosso se revele mais fraco ou menos vistoso que os outros.

Requião exulta. Não há dúvida de que ele não progrediria em seu projeto com a rapidez que progride se os nossos homens públicos, a começar pelos do governo e do palácio não fossem tão faltos de caráter e de espírito público, ta cegos pelas suas próprias ambições e esperteza particulares.

Quanto a nós outros, sejamos, aqui e agora, se não ufanistas, ao menos imaginosos. Trata-se de pensar, simplesmente, sem o risco de pensar grande. Para enxergar o país como ele é, a seu modo único, na desgraça e na chance de sair dela.


13 comentários

  1. Carlos
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 7:21 hs

    Comentário no Tutty Vasques
    Vendo a eleição da Paraguai, fiquei feliz em não ser paraguaio, escolher entre um exbispo, um exgeneral, ou um governo de 60 anos, dá não… certo que escolher no Brasil não é lá muito melhor.,..

  2. Índio Aimará] [Acre]
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 8:52 hs

    O Brasil tem um débito histórico com o Paraguai. Durante a guerra do Paraguai onde o Brasil, a Argentina e o Uruguai junto com a Inglaterra deu um cacete no Paraguai. O que aconteceu foi que General não se rendeu. E portanto a guerra não teve vitoriosos. Só que diante dos fatos o Brasil deveria devolver as terras invadidas no Paraguai no prazo de 100 anos, Só que isto até agora não aconteceu. Itaipú foi apenas um pretexto de alivio para amenizar nossas relacões históricas. O Paraguai pode, por sim, o dedo onde quiser no brasileiro. Tambem é de salientar que a subestação de itaipu fica do lado do Paraguai. Que a maneira da Bolivia, pode desligar Itaipu. E daí friends vamos fazer guerrra de novo com o Paraguai?. Estas são palavras de nossos irmãos indios Guaranis que vivem no Paraguai na cidade de Hernandarias. Iporã Intêreí

  3. Aos neoliberais
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 9:01 hs

    Se defender a soberania nacional e a inclusão social é ser “nacionaleiro”, o que então é a política de entregar as nossas riquezas, escancarar as nossas fronteiras, dizer sim a todas as medidas impostas pelo FMI, etc.?

    Assim o governo Requião, o que faz o discurso a esquerda, mas administra o mesmo com a direita, tivesse a mesma perspectiva ideológica de “los hermanos”.

    Com o Iatauro, com o Grecca, com o Max e com os demais quadros da direita e até da extrema direita vinculados a este governo fica difícil acreditar nos discursos proferidos pelo “el capo de tutti capi”!

    Se alguém tinha a menor ilusão sobre a perspectiva ideológica de esquerda em um futuro governo federal do Requião é só ver o Partido do qual ele faz parte e o que significa o apoio dos seus dirigentes, Quércia, Temer, Sarney, etc..

    Os neoliberais podem ficar tranqüilos, pois o risco de ruptura a esquerda é nenhum!

  4. Jose Carlos
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 9:06 hs

    À míngua de um projeto político-administrativo consistente, estes salvadores da pátria latino-americanos, tem sempre o mesmo discurso: culpar as elites do país pela corrupção e cupidez, e algum país estrangeiro (em geral os EUA) pelas suas misérias. No caso do Paraguai, o bicho-papão estrangeiro é o Brasil, por incrível que possa parecer… Veremos quanta besteira ele dirá e por quanto tempo, até ser apeado por algum golpe, como sói acontecer na malfadada América Latina…. ou não: render-se-á aos costumes históricos e fará o tipo para impressionar, mas, não mudará coisa alguma… questão de tempo e de dinheiro…

  5. Brasileiro
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 12:41 hs

    Sugiro ao “Índio Aimará” que se mude para a Bolívia e fique por lá, pois é um verdadeiro lesa-pátria!
    E se o Paraguai quer rever o Tratado de Itaipu, de 1973, sugiro que o Brasil reveja o Tratado de Assunção, de 1870, que, entre outras coisas, assegurou a restituição da soberania a eles -derrotados na guerra.
    Finalmente, lembro a todos que a Guerra do Paraguai não foi iniciada pelo Brasil, mas por eles mesmos, sendo que somente fomos nos defender quando Cuiabá já estava tomada!!
    Portanto, lembro aos bons e leais brasileiros -e principalmente aos paraguaios, bolivianos e venezuelanos, que o Brasil é um gigante – que mesmo adormecido pode se levantar e massacrar qualquer um que se oponha à nossa soberania e aos nossos legítimos interesses.
    Concluo dizendo que os paraguaios não colocaram nem 1 centavo para a construção de Itaipu, sendo que o Brasil foi bastante benevolente nos termos de o Tratado de Itaipu.
    E tenho dito!

  6. Sandro
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 13:46 hs

    Sempre me irrita a forma como a imprensa de um modo geral classifica o imprescindível sentimento do nacionalismo de “nacionaleiro”. Ora, até parece que ganham o pão em outras paragens que não o nosso país. O que está faltando, isto sim, é um pouco mais de sensibilidade social para os responsáveis pela mídia e jornalistas, apesar de que muitos já estão sendo mais nacionalistas e defendendo um pouco nossos interesses também.

  7. Jose Carlos
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 14:18 hs

    O Paraguai precisa pagar sua dívida, primeiro, antes de pleitear aumento em sua parte. A obra de Itaipu não foi construída com varinhas de condão, nem com milagres bíblicos. Foi feita á custa de um empréstimo internacional, tomado pelo Brasil á época (afinal o Paraguai não teria crédito), e é pago com a receita da usina. É assim que as coisas funcionam no mundo real. Quando a dívida acabar daí, então, os cucarachos poderão receber mais. Mas, em vez de chorar pitangas, devem por mãos-à-obra pelo desenvolvimento do país, para tirá-lo desta roça histórica em que se encontra… Fanfarronices e bufonarias, à Chavez e Mello e Silva, não geram crescimento, nem empregos,nem renda… Geram piadas, descrédito e inimigos…

  8. Sub-imperialista
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 14:40 hs

    Quanto contorcionismo retórico para sustentar práticas sub-imperialistas brasileiras!

    Vamos esclarecer o que ocorre com Itaipu:

    1 – Para sustentar a política de “desenvolvimento” dos milicos, a estratégia de industrialização com investimentos estrangeiros, era necessário um pesado investimento em produção energética.

    2 – Para a produção energética em larga escala, o Brasil só teria condições de forma pulverizada, ou utilizando bacias hidrográficas da região amazônica, visto que nem mesmo a região pantaneira, por suas oscilações pluviais, daria conta.

    3 – Além desse aspecto puramente técnico, havia a necessidade política da demonstração de “grandiosidade”, que foi marca registrada de várias ditaduras latino-americanas.

    4 – O regime paraguaio, fortemente dominado por Brasil e Argentina, também merecia atenção especial, em razão do aprofundamento de problemas econômicos, ocasionados justmante por esse domínio.

    5 – As possibilidades energéticas das bacias na região amazônica traziam o empecilho logístico como impeditivo de sua viabilidade técnico-econômica.

    6 – A única área de viabilidade técnica e econômica, inclusive em termos de proximidade com as áreas de desenvolvimento industrial e econômico, passou a ser a região de fronteira.

    7 – A necessidade de utilização de recursos que não eram apenas brasileiros, aliada à necessidade política dos milicos em fortalecer a ditadura paraguaia, levou à idéia de se construir um empreendimento energético bi-nacional, com uma aparência de equilíbrio.

    8 – Com a construção de Itaipu, o Paraguai passou a ter seu principal recurso energético natural controlado pelo Brasil, tanto em termos contratuais, como econômicos.

    9 – Os preços pré estabelecidos para a energia produzida por Itaipu ficam abaixo mesmo dos preços de venda de Itaipu às distribuidoras.

    10 – O Paraguai, em razão de termos do tratado, fica obrigado a vender ao Brasil o seu excedente energético.

    11 – Vários outros países possuem extremo interesse na aquisição da energia de Itaipu, notadamente a Argentina, o que poderia render até 3 vezes mais para o Paraguai.

    12 – O consumo energético do Paraguai é de apenas 5% da produção de Itaipu justamente por seu baixo desenvolvimento econômico.

    13 – Grande parte da responsabilidade pelo baixo desenvolvimento econômico do Paraguai é de responsabilidade do Brasil, não apenas pelo Massacre do Paraguai (falsamente chamado de Guerra), mas em razão da política de pressão brasileira e controle da economia paraguaia por brasileiros, falta de controle de capitais, prevalência das movimentações econômicas de lá no sistema financeiro brasileiro, subserviência dos milicos e, posteriormente dos colorados, ao Brasil, dentre inúmeros outros aspectos. Alie-se a isso a pressão contínua exercida com a ameaça de fechamento do acesso paraguaio ao mar, o que foi uma das estratégias usadas previamente ao massacre do século XIX.

    14 – O Paraguai não precisa negociar alterações no Tratado, pois em se observando que o seu equilíbrio está comprometido desde a origem, basta ir a qualquer tribunal de arbitragem ou corte internacional, para a revisão da quase totalidade do tratado.

  9. CARTA DE PUEBLA
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 15:33 hs

    Ainda bem que no Paraguai não tem reeleição. Índio Aimará, se mude para o Paraguai e vai fazer a transformação daquele país, a fronteira é livre, aberta. E que papo furado é esse de imperialismo? Não devemos nada aos hermanos paraguaios, exceto o respeito como país soberano. Que culpa temos nós se Strossner governou lá por quase 50 anos? NENHUMA !!! E é preciso acabar com essa palahaçada de demarcar terra para meia dúzia de índios que só quererm saber de beber cachaça e “alugar” sua reserva para garimpeiros. A terra pertence ao povo brasileiro e ao seu proprietário e não a meia dúzia de índios cachaceiros! ABAIXO O NEPOTISMO TAMBÉM!!!

  10. alicemadeira
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 16:00 hs

    EXISTEM OS QUE FAZEM O BEM, E EXISTEM OS QUE DESTRÓEM: ITAIPU
    É A REDENÇÃO PARA O PARAGUAI ,
    O PAÍS JÁ TEM UM GRUPO DE PESSOAS
    ALTAMENTE QUALIFICADO PARA GEREN-CIAR UM PROCESSO DE DESENVOLVI-
    MENTO, CRIADOS NOS QUADROS PRO-
    FISSIONAIS DA EMPRESA.COM UMA RECEITA DE QUINHENTOS MILHÕES DE DÓLARES ANUAIS PARA INVESTIMENTOS ISSO É POSSÍVEL…JÁ, DO LADO DE CÁ,
    PASSAMOS VERGONHA COM ‘SAMEK,
    GLEISI,VANHONI E A MALDITA FAMÍLIA – NUNCA CONSTRUÍRAM NADA, PASSAM
    A VIDA DESTRUINDO.

  11. Clovis Pena
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 18:08 hs

    O apoio a Lugo, a vaga no TC e a candidatura de fachada do Prof. Moreira,
    aliados a outra afinidade internacional com Chaves, são alguns sinais claros de uma “arrumação”. O grupo que faz farra com os recursos públicos da educação, da segurança e da saúde do povo do Paraná está tentando
    garantir lugares confortáveis, livres da nossa justiça, após 2010.
    O Tribunal de Contas está começando a falar e o Ministério Público com certeza exercerá o seu dever.

  12. ALEXANDRE SOUZA
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 18:53 hs

    O COMENTÁRIO DO CLOVIS está correto,
    a chamada ‘família maldita’ já está começando a se esconder. Mas, do TC e do
    MP a sociedade não deve esperar nada.

  13. Nice
    terça-feira, 22 de abril de 2008 – 20:44 hs

    Como esse , Alexandre Souza é idiota e no minimo um recalcado e derrotado, não existe no nosso imenso Brasil nenhuma familia maldita, ate mesmo a sua deve ser abençoada por Deus.Por isso seu idiota se o sr. não sabe o porque desse debate procure ficar de boca fechada e não diga besteira.

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