O padre voador e a sociedade do espetáculo | Fábio Campana

O padre voador e a sociedade do espetáculo

O jornalista Adílson Arantes, da rádio Banda B, observa a insaciável necessidade da mídia de espetacularizar a notícia para ganhar pontos de audiência na pesquisa do Ibope e transformar essa audiência em mercadoria que é vendida a peso de ouro aos anunciantes.

Tudo bem, é o sistema, dizem as almas parvas. Mas o que se vê é que a preocupação com a informação desaparece para ceder lugar aos ingredientes do espetáculo e todos entram na roda.

O comovente assassinato da menina em que o pai é o maior suspeito tem a reconstituição do crime marcada para o domingo, para favorecer a audiência do “Fantástico”. A mãe da menina está nos programas de auditório. A missa em intenção da alma da menina é recheada de artistas e transmitida ao vivo e em cores.

Hoje, no blog do Zé Beto, o post de um leitor chama a atenção para absurda aventura do Padre Adelir de Carli, que subiu aos céus atado em balões de festa e motivado pela TV, que explorou sua insana vaidade para obter uma matéria de grande audiência. A prova está na reconstituição do próprio noticiário da TV, que pode ser vista no youtube.

Leia também o comentário “Qual é o script?” de Marta Bellini, em seu blog. Um mergulho na irracionalidade cotidiana através da tv, numa sexta-feira típica para nós, os brasileiros.

A situação se agrava porque a TV aberta disputa o gosto e o interesse de novas camadas da população que ingressaram no mercado recentemente. E o disputa da maneira mais crua. Explora o grotesco e a curiosidade pelo inusitado. Expõe toda a violência de uma sociedade onde o que mais prospera é a criminalidade, sem esquecer a gangsterização da política.


3 comentários

  1. Jose Carlos
    sábado, 26 de abril de 2008 – 13:23 hs

    Em buscade audiência, lamentavelmente, grande parte da imprensa tem ido atrás de qualquer besteira, dando ares de façanha… vamos esperar para ver amanhã o ridículo, injustificável, circense e estúpido espetáculo que está sendo montado para a tal reconstituição da morte da infeliz Isabella… um barbaridade é o que a imprensa e a polícia e o MP, movidos pela sede de publicidade e fama, estão fazendo com este caso… qual a importância social deste crime?? qual o potencial de ofensividade coletiva que ele encerra, para justificar tamanha atividade circense e pirotécnica em torno dele?? Chegaram ao cúmulo dos absurdos: fechar o espaço aéreo sobre o local da reconstituição!!!! Onde estamos?? que país é este?? todos enlouqueceram em busca da fama, da notoriedade, da telinha da globo… De Gaulle tinha toda razão: não somos um pais sério, nem para ser levado a sério…

  2. CLOVIS PENA
    sábado, 26 de abril de 2008 – 16:16 hs

    Assim como os bancos são regidos por critérios para um mínimo controle nas aplicações, a mídia deveria ter quantificado o uso seus espaços – de forma a assegurar proporcionalmente: os temas livres ou abertos, o interesse regional e a educação.

  3. Carlos Gonçalves
    sábado, 26 de abril de 2008 – 21:09 hs

    Como cidadão sempre defendi o direito a livre de expressão e a liberdade de imprensa. Contudo hoje ao ver os programas de televisão da rede Globo, do SBT e de outras rede de televisão, que espetacularizam a tragédia, em busca de audiência que são vendidas a empresas que comercializam bebidas e a bancos que cobram preços absurdos da população, sou favorável ao controle externo das redes de comunicação, afinal são concessões públicas.
    Novelizam a vida, a tragédia é vendida em capítulos, invadem a casa dos expectadores com o argumento de que há liberdade para trocarem de canal, sem considerar que a maioria destas pessoas só tem esta opção de lazer, e que insisto é uma concessão pública.
    No caso do Padre Carli, ainda bem que existe o YOUTUBE, para mostrar que o exibicionismo patológico do padre foi potencializado pela Rede Paranaense de Televisão, que agora como se nada tivesse a ver com o assunto, pede explicações as autoridades sobre as medidas que deveriam ser tomadas para evitar a insanidade do padre. Que tal convocarmos o Ministério Público do Paraná para corresponsabilizar a Rede Paranaense de Televisão nesta tragédia que envolve o padre parnanguara?

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