Salário da mulher permanece menor | Fábio Campana

Salário da mulher permanece menor

O Dia da Mulher em ano de eleições é motivação inevitável para o surrado pieguismo dos candidatos nativos. Eles estão por aí, a distribuir rosas, fazer galanteios, declarar a imporância da mulher para a vida de cada qual e até se arriscam a escrever artigos inflados de lugares comuns. É de dar engulhos.

Ao que interessa: pesquisa do IBGE comprova o nosso atraso ao constatar que a desigualdade, fruto do preconceito, prossegue. Entre os brasileiros que trabalham e têm nível superior completo, o salário das mulheres equivale a 60% do que é pago aos homens na mesma função. Os homens são mais preparados? Não. As mulheres estudam mais, produzem mais, mas recebem em média R$ 2,2 mil contra R$ 3,8 mil pago aos homens.

O professor José Henrique de Faria, ex-reitor da UFPr e professor titular do Mestrado e Doutorado em Administração na Federal e na Universidade Positivo, estuda as relações de poder e de trabalho. Diz ele que as mulheres continuam sofrendo discriminação. Mais ainda as mulheres negras e as pardas. E que é enganosa a estatística que aponta o crescimento do empreendedorismo entre as mulheres.

Trata-se, no mais das vezes, de manobra de empresas para evitar encargos sociais e outras despesas. Em áreas como a da indústria têxtil, estimulam as mulheres a trabalhar como autônomas, em casa, o que as obriga a abrir empresas individuais que a propaganda oficial transformou em índice de crescimento e prosperidade.

Ora, pois, sem pieguismo e sem proselitismo de governos, a situação da mulher ainda é uma das provas de que estamos distantes da modernidade sempre anunciada.

Hoje, às 19:30, na RIC TV, canal 7 em Curitiba, debate sobre a mulher e o empreendedorismo no QI na TV


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