Ponto de clivagem | Fábio Campana

Ponto de clivagem

A maioria governista na Assembléia é o ponto de clivagem da tragicomédia nativa. Implode a relação entre instituições e a última esperança de um Legislativo independente.

Quem a vê como a maioria do bom senso convém que abra os olhos: é apenas a maioria de Requião, o governador que não pode ouvir falar em nepotismo e por isso mesmo não permite, entre outras, a investigação da compra superfaturada de 22 mil televisores ou o caos administrativo no porto de Paranaguá.

Na semana, essa maioria impediu a convocação do secretário de Comunicação Airton Pisseti para depor sobre a sua atividade na política paraguaia em nome do governador paranaense.

Ora, pois, é outro assunto que maltrata a imagem do governo. Mas diante do descalabro, a moçada governista não conseguiu evitar que a convocação fosse transformada, ao menos, em convite.

O presidente da Casa, Nelson Justus, jura que o secretário Pisseti estará lá na terça para informar sobre as viagens e o uso do cartão corporativo na campanha de Fernando Lugo, ex-bispo paraguaio que largou a batina para se aventurar na política. Tenta repetir no Paraguai o modelito de Hugo Chávez, na Venezuela, e Evo Morales, na Bolívia.

O que os paranaenses têm a ganhar com essa aventura paraguaia de Pisseti? Nada. O único que pode se beneficiar desse jogo é o próprio grupo de Requião e os interesses privados de seus membros.

São estes interesses que a maioria governista procura preservar ao impedir a exposição clara dos fatos na Assembléia. Nunca o cinismo, a desfaçatez, a irresponsabilidade de poucos conspiraram tão abertamente contra a vontade e os interesses de outra maioria, a dos paranaenses que querem ir a fundo nessas denúncias de corrupção.


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